Pedro Washington
Situações semelhantes

O Partido dos Trabalhadores (PT), em nota oficial emitida após entendimento entre o presidente Rui Falcão e o ex-presidente Lula, sai em defesa de seu até então diretor, João Vaccari Neto. Entre outras afirmações a nota informa que "por razões de ordens práticas e legais", seu tesoureiro pediu afastamento do cargo. As "razões" todos sabem, foi a sua prisão pela Operação Lava Jato, em função de cinco depoimentos dando conta de envolvimento do tesoureiro petista no esquema investigado pela Polícia Federal e pelo Ministério Público, em relação aos desvios ocorridos na Petrobras. Acrescido de depósitos em contas de familiares, aparentemente sem justificativa; além de altos pagamentos a uma gráfica ligada aossindicatos de Metalúrgicos do ABC e Bancários, supostamente por serviços não realizados. Impossível não ligar a atuação de Vaccari, com a de outro tesoureiro petista envolvido no "mensalão", outro momento em que o Partido dos Trabalhadoresse viu em meio a situações desabonadoras, culminando com as prisões de "petistas de alto coturno".  Delúbio Soares, além de José Dirceu, até hoje uma das mais importantes figuras da agremiação, por sinal igualmente sob suspeição na Lava Jato, foram os primeiros a serem condenados. Condenações leves por sinal, logo privilegiadas com "prisão domiciliar". No episódio quem"pagou realmente o pato" foram os publicitários, que as intermediaram e os dirigentes do banco em que as operações foram realizadas, todos eles com penas muito superiores. O que se espera, não ocorra na Lava Jato, muito embora já se anuncie a presença de agências de propaganda, especialmente envolvidas com o ex-deputado André Vargas, igualmente preso pela ação das Polícia e Ministério Público, federais.

Inconsequências

A preocupação dos dirigentes petistas em saírem em defesa de João Vaccari Neto, tem umsentido muito mais profundo que a solidariedade pura e simples a um companheiro: há uma preocupação de que, para salvar seus  familiares que estão sendo de alguma forma envolvidos na situação comprometedora de que o acusam, o ex-tesoureiro tente o mesmo recurso de outros presos na Operação. Uma delação premiada sua seria desastrosa pelo que se imagina,seja de seu conhecimento. Não apenas no PT mas igualmente em outras agremiações políticas, atitudes são tomadas sem medir as consequências. O perigo é virem a público!

Fogo no circo

Ontem, três personagens presos na 11ª fase da Lava Jato, prestaram depoimento. Hoje, as informações obtidas nessas inquirições de André Vargas (sem partido, defenestrado que foi do PT), Luiz Argôlo (SDD-BA) e Pedro Corrêa (PP-PE) devem estar circulando. Corrêa por sinal já cumpria condenação (amena) que lhe foi imposta pelo STF no julgamento do "mensalão".  André, assim como Vaccari, se disser tudoo que sabe, "põe fogo no circo".

Verdade absoluta

Os desentendimentos do presidente do Senado, Renan Calheiros, com o governo da presidente Dilma, e suas manifestações dúbias, fazem antever uma posição dura com o indicado pela presidente para ocupar a vaga do ex-ministro Joaquim Barbosa: um juristade competência e caráter amplamente reconhecidos pelos paranaenses e com os que com ele tiveram o privilégio de conviver. Fazendo coroà opinião dos paranaenses o jornalista Celso Nascimento afirmou: "Só mesmo uma razão antirrepublicana poderá impedir que o  jurista Edson Luiz Fachin torne-se ministro do Supremo".

Acordo de leniência

Uma decisão do Tribunal de Contas da União não é unanimidade: o direito dado à Controladoria-Geral da União de dar andamento aos acordos de leniência propostos por empresas investigadas na Operação Lava Jato, sem aval prévio do Ministério Público. Tais acordos funcionam como as delações premiadas concedidas a indivíduos:permitem que empresas investigadas forneçam informações para redução de pena. Para o governo interessa que as empresas, se punidas, não tenham suas operações completamente inviabilizadas.

Omissão

Na reunião dos partidos de oposição com os dirigentes do movimento "Vem para a Rua", um dos que organizam as manifestações populares, a oposição foi acusada de se omitir na tomada de posição contra o impeachment da presidente Dilma. Uma carta com a posição dos movimentos foi lida: destaque para o combate à corrupção.