Sociedade e Desenvolvimento
Um ano de desafios

A política é quase tão excitante como a guerra e não menos perigosa. Na guerra a pessoa só pode ser morta uma vez, mas na política diversas vezes. - Winston Churchill

No final de 2017, falava-se muito entre o empresariado que 2018 seria um ano difícil. Copa do Mundo e Eleições normalmente tumultuam o ambiente econômico no Brasil e fazem com que as empresas e os investidores segurem o ritmo.

Bem, passada a Copa do Mundo, que afinal foi um pouco mais curta para nós do que o esperado, entramos no segundo semestre com a perspectiva eleitoral.

Se o primeiro semestre não demonstrou grande reação da economia, a perspectiva é que até as eleições de outubro o país pare de vez.

O Congresso Nacional está em recesso, e são poucas as chances de que, após o seu término, os deputados e senadores voltem a um ritmo de trabalho condizente com o que o país necessita. Pelo contrário, a probabilidade é de que saiam a seus redutos eleitorais a caça dos votos.

Com isso continua o marasmo que tomou conta de 2018. Nenhuma votação importante, nenhuma reforma significativa, decisões tomadas sob a pressão do eleitoralmente correto, nada de ações que possam desagradar eleitores.

Então, enquanto os Governantes Federais e Estaduais estão de olho no poder a partir de 2019, você, empresário e empreendedor, passa por mais um período de grandes desafios para se manter no mercado.

Além das questões de ordem legislativa e executiva ficarem estagnadas, há ainda uma grande incerteza em relação ao próprio processo eleitoral e seu desdobramento – leia-se resultado das urnas.

A economia encontra-se numa encruzilhada, pois ainda é muito incerto o cenário eleitoral. A começar pela própria elegibilidade de Lula, que pode ser decidida em mérito final somente após as eleições. Ou seja, se ele puder ser candidato, poderá, em caso de vitória, tomar posse? Num cenário desses, quem arrisca empreender ou investir no país?

Mas, ainda que resolvida a questão do líder do PT antes do pleito, há ainda muitas incertezas quanto ao perfil do candidato eleito, bem como seu poder de liderança para fazer acontecer as reformas necessárias.

Um vencedor de características reformistas, vencendo a eleição com um percentual de votos significativo e maioria no Congresso pode levar o país a enfrentar mais rapidamente suas agruras e avançar nas questões mais urgentes, como a reforma da Previdência, por exemplo. Este cenário poderia levar o país a um patamar de crescimento do PIB de 3% ao ano, indicam alguns especialistas.

Por outro lado, com um presidente conservador eleito, o mercado pode sentir um cenário antirreformista instalado, o que segundo os analistas, poderia causar um efeito negativo forte. A avaliação é de que a economia brasileira teria maior percepção de risco, podendo levar a uma desvalorização do real, aumento de inflação e juros, afastando ainda mais investimentos e crescimento econômico. Neste cenário, o PIB não cresce mais de 1% a.a., indicam economistas.

Um exemplo que ilustra essa situação é uma entrevista da diretora-geral da Sephora no Brasil, Flávia Bittencourt, no site UOL Economia. Segundo a executiva, a abertura de novas lojas no país vai ficar para 2019. Apesar de afirmar que acredita no país, opta pela cautela na hora de decidir a expansão da rede.

Infelizmente, é o que temos para esse período. É uma realidade para muitas outras empresas. Precisamos agir com prudência, mas em perder o otimismo. Acima de tudo, buscar as melhores opções para as eleições, pensando no interesse coletivo e no melhor para o país. E acreditar que teremos a partir de 2019 um país melhor para nós, nossas empresas e nossas famílias.

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Carlos Alberto Facco - Secretário de Desenvolvimento Econômico de Campo Mourão | [email protected]