Ex-prefeita de Farol pede demissão de cargo de carreira após 28 anos
A ex-prefeita de Farol, Angela Kraus, pediu exoneração do cargo de carreira do município, no qual estava lotada desde a emancipação da cidade, há 28 anos. Em entrevista à TRIBUNA, ela alegou que o motivo é o tratamento do atual gestor em relação aos servidores e que não sente-se confortável para exercer a profissão no município, onde foi vereadora e prefeita por dois mandatos.
“Analisei muito antes de tomar essa decisão, que não é fácil. Conversei com meu esposo e juntos decidimos que seria o momento de me desvincular”, explica Angela. Ela disse que já pediu aposentadoria, mas o pedido foi recusado. “Entrei com recurso, pois trabalhei na agricultura com meus pais quando muito jovem”, acrescentou. Mesmo desvinculada profissionalmente, ela informou que vai continuar morando em Farol.
O tratamento dispensado aos funcionários pela atual administração, segundo ela, é o principal motivo do pedido de demissão. “Os discursos são de que não haveria perseguição, porém, vários funcionários estão sendo perseguidos, remanejados para outros setores e há também um desrespeito até na forma de cumprimentar. Ser prefeita é diferente de ser funcionária pública. Devo respeito ao gestor e não posso causar nenhuma situação desconfortável e para que eu continue tendo a tranquilidade e paz que tenho hoje, preferi pedir a exoneração”, justificou.
Sobre o futuro, ela disse que por enquanto o foco é o programa matinal de rádio que vai estrear no dia 16 de janeiro, na emissora Colmeia News, em Campo Mourão. “Muitos já estão me perguntando se vou ser candidata a deputada, mas o meu futuro pertence a Deus. Foi assim como vereadora e como prefeita. Ainda não sei se vou atuar na área de enfermagem, mas o foco agora é o programa de rádio”, afirmou.
Filha do ex-vereador Zé da Mata, Angela foi vereadora em Farol nas legislaturas 2005-2008 e 2009-2012, quando elegeu-se prefeita. Foi reeleita em 2016 e concluiu a gestão no ano passado, mas o candidato apoiado por ela perdeu a eleição para o atual prefeito, Oclécio Menezes. Ainda no ano passado ela chegou a cogitar a renúncia do cargo de prefeita para disputar a eleição como vereadora em Campo Mourão. No entanto, desistiu da ideia, segundo ela, por conta da pandemia de Coronavírus, que exigiu maior atenção em Farol.
Outro lado
O prefeito Oclécio Menezes rechaçou a alegação da ex-prefeita sobre perseguição política. “Estou com três dias de mandato, ela nem compareceu para falar sobre a situação do concurso dela, não trabalhou comigo ainda, como pode falar em perseguição?”, questionou o prefeito.
Ele afirmou que na sua gestão não haverá perseguição. “Como ela fazia esse tipo de coisa ela acha que nossa administração vai ser igual. Nos oito anos de mandato ela massacrou quem se manifestava contra, mas isso acabou aqui em Farol. Não houve nenhum tipo de perseguição, ela tem o cargo para o qual foi concursada e poderia trabalhar sem qualquer problema”, arrematou o prefeito.

