Nova Cantu confirma casos de raiva bovina e alerta para vacinação do rebanho
A confirmação de novos casos de raiva bovina em Nova Cantu colocou as autoridades sanitárias em alerta e mobilizou ações de orientação aos produtores rurais pelo município. Dados do Setor de Epidemiologia Municipal apontam dois registros já confirmados neste ano, além de um caso ainda em análise laboratorial. Em 2025, foram 6 confirmações da doença.
A situação levou o município a intensificar campanhas de prevenção e informação sobre a doença. A raiva é causada por um vírus que ataca o sistema nervoso de animais e seres humanos e pode atingir todos os mamíferos. De acordo com o médico veterinário do município, Jeferson Gonçalves de Souza, a vacinação do rebanho é a principal medida de proteção contra a doença.
“A vacina é a forma mais eficaz de evitar perdas no rebanho. A recomendação é iniciar a vacinação dos animais a partir dos três meses de idade, aplicar uma dose de reforço após 30 dias e manter a revacinação anual”, explicou.
Nos animais de criação, como bovinos, equinos, caprinos, ovinos e suínos, a transmissão ocorre principalmente por meio da mordedura de morcegos hematófagos, especialmente da espécie Desmodus rotundus, que se alimenta exclusivamente de sangue. A presença desses morcegos nas propriedades rurais representa um fator de risco importante para a disseminação do vírus.
A doença também pode ser transmitida pela saliva de animais infectados, principalmente através de mordidas, arranhões ou lambidas em mucosas ou feridas abertas.
Sintomas da doença
Nos animais, os sinais clínicos costumam envolver alterações comportamentais e neurológicas. Entre os sintomas mais comuns estão: mudanças repentinas de comportamento, agressividade, salivação excessiva, dificuldade para caminhar, andar cambaleante e quedas, paralisia progressiva e isolamento do restante do rebanho. Em estágio avançado, a doença evolui para a morte.
Souza destacou que a identificação precoce dos sinais é fundamental para evitar a propagação da doença nas propriedades rurais. “Quando o produtor percebe sintomas neurológicos ou comportamento estranho em algum animal, o ideal é comunicar imediatamente à Defesa Agropecuária. Essa notificação rápida ajuda na investigação e na adoção de medidas de controle”, orientou.
O controle da raiva envolve principalmente ações de vigilância sanitária e manejo de morcegos hematófagos. Quando são identificados ataques ao rebanho, pode ser utilizada pasta vampiricida, aplicada nas mordeduras deixadas pelos morcegos.
A captura desses animais é realizada exclusivamente por equipes especializadas da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), compostas por profissionais treinados e vacinados contra a doença. Produtores rurais também devem informar às autoridades sanitárias sobre a presença de abrigos de morcegos, animais com sintomas suspeitos e ocorrência de mordeduras no rebanho.
Além dos morcegos, outros animais silvestres podem representar risco de transmissão da doença. Entre eles estão raposas, macacos e saguis, que podem atuar como reservatórios do vírus em determinadas situações. Por isso, a orientação das autoridades sanitárias é evitar qualquer contato com animais silvestres ou morcegos, especialmente quando apresentam comportamento incomum.
O diagnóstico da raiva é feito por meio de exame laboratorial realizado em amostra do cérebro do animal suspeito, coletada após a morte. O material é encaminhado ao Centro de Diagnóstico Marcos Enrietti (CDME), laboratório de referência para raiva no Paraná.
Especialistas alertam que o animal não deve ser sacrificado antes da morte causada pela doença, pois isso pode comprometer o resultado do exame e gerar falso negativo. O teste é gratuito e o resultado costuma ser liberado rapidamente.
Risco para humanos
A raiva também pode afetar seres humanos. Nos primeiros estágios da doença, os sintomas podem incluir dor de cabeça, febre, mal-estar, dor de garganta, alterações ou sensibilidade no local da ferida. Com a evolução da infecção, o quadro pode avançar para espasmos musculares e paralisia, podendo levar à morte. Em caso de mordedura, arranhadura ou contato com saliva de animal suspeito, a recomendação é procurar imediatamente uma unidade de saúde para avaliação médica.

