Prefeitos decidem seguir decreto do Estado até quarta; Comcam adotará medidas próprias
Vinte e dois prefeitos e secretários de Saúde de vários municípios da região participaram na tarde deste sábado (6) de reunião online, onde, por maioria, decidiram seguir as determinações do decreto do governo estadual, que libera a abertura do comércio não essencial a partir de quarta-feira (10). Havia a expectativa de que os prefeitos cedessem à pressão dos comerciantes e liberassem a abertura das lojas já a partir de segunda-feira (8).
Dos 22 prefeitos, 19 foram favoráveis a seguir as restrições. No início desta semana, a Comcam vai editar um decreto regional com medidas para que todos os municípios sigam os critérios uniformemente. “Nosso decreto vai prever igualdade a todos, sem prejudicar só pequeno que é quem mais está sofrendo hoje”, falou o presidente da Comcam, Leandro César Oliveira, prefeito de Araruna.
Os prefeitos reclamam da pressão por parte dos comerciantes. “Aqui a pressão é grande mas temos que tomar decisões coerentes. Se tomarmos alguma medida precipitada ou passar por cima do decreto do Governo do Estado vamos ter que encarar o Ministério Público”, alertou o prefeito de Quarto Centenário Akio Abe.
O prefeito de Corumbataí do Sul, Alexandre Donato, disse que seguirá ‘à risca’ o decreto estadual. “Vou seguir com rigor e com firmeza. O comércio está pressionando muito, mas já avisei que vou seguir o decreto do Governador doe a quem doer. Temos que pensar na nossa população. Se não tiver população, o empresário não tem para quem vender. Quem quiser reclamar que reclame com o governador já que o decreto é dele”, frisou.
O prefeito de Boa Esperança, Joel Buscariol, comentou que os municípios devem seguir o decreto do governador. Porém, criticou que o Estado está fazendo ‘o decreto em parcelas e em pedaços’, se referindo ao fechamento apenas dos pequenos comércios varejistas. “A população não vai aceitar e ele [o governo] não vai atingir objetivo nenhum. Vão perder as rédeas”, preocupou-se.
O prefeito de Roncador, Vivaldo Lessa, também acompanhará as medidas do Governo do Paraná. “Este é um momento em que temos que estar unidos. É pela vida que estamos lutando”, frisou. Os prefeitos de Quinta do Sol, Leonardo Romero e de Campo Mourão, Tauillo Tezelli, são outros que acompanharão as decisões do Estado.
“Dois dias a mais ou dois dias a menos não vai gerar tanto problema assim. E agora temos uma luz no fim do túnel com o comércio voltando a funcionar na quarta-feira”, falou Romero. Já Tauillo, disse que hoje a situação é ‘dez vezes mais grave’ que no início da pandemia. “Fui a Santa Casa e Upa. A gente está tendo pessoas morrendo em casa e na UPA sem ter para onde levar”, falou ao defender que o Estado deveria adotar medidas até mais rigorosas, mas para o comércio como um todo. “Ou fecha tudo de uma vez, até os essenciais, ou não fecha nada”, ressaltou.
O prefeito de Moreira Sales, Rafael Bolacha, presidente do Ciscomcam, também defendeu seguir o decreto do governador. “Temos que aguentar este ‘rojão’ mais segunda e terça-feira. Eu particularmente estou acompanhando e acredito que muito logo o Governo do Estado vai ter que fechar tudo de novo, inclusive os serviços essenciais”, prevê.
O prefeito de Campina da Lagoa, Milton Alves, disse que hoje o município tem cerca de 40 lojas, que juntas não dão o movimento de um supermercado. “Vou seguir os companheiros, mas vejo os mercados hoje como um dos problemas. Deveria haver mais rigor sobre eles”, falou.
A prefeita de Juranda, Leila Amadei, e o prefeito de Peabiru, Julio Frare, disseram que se reunirão com comerciantes para decidirem ‘o melhor’ para seus municípios. “Eu fui uma das prefeitas ‘linchadas’ porque cumpri rigorosamente o que foi falado na nossa reunião. Mas cidades da região não cumpriram o acordo e nos deixou numa situação complicada”, disse ela. Da mesma forma, argumentou Frare. “Teve prefeito que flexibilizou e fomos muitos cobrados por isso pelos nossos comerciantes”, disse.
Funcionamento com restrições
Pelo decreto do Governo do Estado, o comércio não essencial poderá começar a funcionar a partir de quarta-feira, das 10 às 17 horas, com 50% da capacidade das lojas. O toque de recolher fica mantido das 20 às 5 horas.
As aulas na rede particular iniciam também na quarta, no modelo híbrido, com 30% de alunos nas salas de aula. Na rede pública estadual, o retorno das aulas está autorizado pelo Estado a partir do dia 15, também no modelo híbrido, com 30% de capacidade.

