Vacinados contra covid, apontados como mortos, estão vivos, esclarecem prefeituras
Após informações divulgadas nesta semana, pela Comissão Especial da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), de que uma mulher supostamente morta teria se vacinado contra coronavírus (Covid-19), em Moreira Sales, a prefeitura da cidade publicou uma foto dela ao lado da secretária de Saúde do município, comprovando que ela está viva. A Comissão da Assembleia apura indícios de irregularidades na vacinação. Houve indício de fraude na prefeitura de Ubiratã também, mas o município já esclareceu a situação.
A mulher envolvida na confusão é a moradora Aurora Julia da Silva. Ela é aposentada. Segundo Aurora, seu ex-marido teria saído de casa e fugido com outra mulher para Rondônia, levando seus documentos. Lá, a outra mulher faleceu e o homem teria usado seus documentos para realizar o sepultamento. Ela informa ainda que por conta desta situação chegou a ter sua aposentadoria cancelada, sendo necessário que ela se apresentasse ao INSS diversas vezes para resolver o equívoco.
Nesta semana, a secretária de Saúde do município, Roberta Carpiné, esteve na casa da aposentada, onde fez fotos com ela e encaminhou para a Comissão da Assembleia Legislativa, visando reparar o erro. O prefeito da cidade, Rafael Brito do Prado, lamentou o ocorrido. Ele disse que o caso acabou ‘arranhando’ a imagem da cidade.
Além de Moreira Sales, a cidade de Ubiratã também apareceu na lista de que teria vacinado pessoas já mortas. Em todo o Paraná, 39 cidades estão sendo investigadas. Nesta quarta-feira (9), a prefeitura de Ubiratã esclareceu o caso. Informou que houve erro na hora de registrar a vacinação. “Não houve fraude e sim um erro de registrou”, frisou. Segundo a nota divulgada à imprensa pelo município, quem tomou a vacina foi A.Z,, 88 anos, mas o registro saiu para irmão gêmeo dele O. Z., já falecido. Como os dois têm os mesmos pais e nasceram no mesmo dia, ocorreu a confusão. “Assim que o erro foi identificado foi prontamente corrigido”, disse a prefeitura.
Os deputados da Alep pediram nesta semana cautela à Comissão Especial que apura as possíveis irregularidades na vacinação contra a Covid-19. De acordo com o presidente Ademar Traiano, é preciso ter cautela na divulgação, para não publicar nomes de cidades e de gestores públicos em casos que depois podem ser verificados que não foi cometido nenhum ato ilícito.
“O fato que me preocupa é a exposição do prefeito e do município. A gente sabe que eles estão fazendo o possível e o impossível para superar esse momento de crise e às vezes uma notícia publicada como se fosse atitude da administração pode comprometer a imagem do gestor e do município”, disse Traiano.
“Faço um apelo, com respeito ao trabalho que a Comissão vem fazendo, para que tomemos essa cautela. Senão a imagem do próprio Parlamento fica ruim porque às vezes não procede a informação. Coisas negativas nesse período acontecem de toda ordem e temos que ter cuidado para não envolver o nome do gestor”, destacou.
Para o deputado Luiz Claudio Romanelli (PSB), primeiro secretário da Assembleia, a cautela e os cuidados na divulgação de dados devem predominar. “Tem prefeitos reclamando que foi divulgado material da Comissão com a lista das cidades que teriam vacinados pessoas mortas. Cada situação tem uma questão pontual, como homônimo, estava errado o cartão do SUS, tem de tudo”, frisou.

