Nutricionista ensina receitas para a Quaresma e sem carne vermelha

O período da Quaresma, quando muitas famílias suspendem o consumo de carne vermelha por motivos religiosos ou culturais, exige atenção à alimentação para evitar prejuízos à saúde. A orientação é da coordenadora do curso de Nutrição do Centro Universitário Integrado de Campo Mourão, Janaiara Moreira Sebold Berbel, que alerta para a necessidade de substituir o alimento de forma equilibrada.

Segundo a especialista, retirar a carne vermelha da dieta sem planejamento pode comprometer a ingestão de proteínas, ferro e outros nutrientes essenciais, responsáveis por manter os níveis de energia e o funcionamento adequado do organismo. “A carne vermelha é reconhecida como uma fonte de proteína de alto valor biológico, contendo aminoácidos essenciais para a formação de músculos e tecidos. Além disso, é rica em ferro do tipo heme — de fácil absorção — e vitamina B12, vital para o sistema nervoso”, explica Janaiara, que é mestre em Ciências da Saúde.

De acordo com a nutricionista, o segredo para manter uma alimentação saudável nesse período não está apenas em retirar a carne, mas em equilibrar a dieta com outras fontes nutricionais. “O foco da alimentação na Quaresma não deve ser apenas retirar a carne, mas incluir novos nutrientes de forma consciente”, ressalta.

Combinações alimentares ajudam a substituir nutrientes

Para suprir a ausência da carne vermelha, a nutricionista recomenda apostar em combinações inteligentes de alimentos. Uma das mais tradicionais é o arroz com feijão, combinação que fornece todos os aminoácidos essenciais ao organismo.

Outra estratégia é consumir alimentos ricos em vitamina C junto às refeições. “Consumir uma laranja ou um suco de limão durante a refeição melhora significativamente a absorção do ferro presente nos vegetais”, orienta.

Entre as fontes alternativas de proteínas, a especialista destaca ovos, peixes, lentilha, grão-de-bico e cogumelos, alimentos que ajudam a manter a saciedade e contribuem para a manutenção da massa muscular.

A nutricionista também recomenda incluir folhas verdes escuras, como couve, rúcula e brócolis, além de cenoura e beterraba, que contribuem para tornar as refeições mais completas e visualmente atrativas. “Prefira alimentos in natura ou minimamente processados. Grãos, legumes, verduras e frutas são sempre as melhores escolhas”, reforça.

Sugestão de cardápio

Para facilitar a organização da alimentação durante a Quaresma, a especialista elaborou um cardápio simples e nutritivo, que pode ser adotado por adultos e crianças. No café da manhã, a sugestão é uma omelete de espinafre com queijo, preparada com ovos, espinafre e queijo branco. O prato é rico em proteínas, ferro, vitamina B12 e cálcio.

Para o almoço, a recomendação é lentilha com arroz integral e legumes. A combinação fornece proteína vegetal, ferro, fibras e magnésio, além de contribuir para uma alimentação equilibrada. No jantar, uma opção nutritiva é filé de peixe com purê de batata-doce, prato que reúne proteínas, vitamina A e ômega-3, importantes para a saúde cardiovascular.

Já para o público infantil, a nutricionista sugere panqueca de banana com aveia, preparada apenas com banana, ovo e aveia. O alimento é rico em potássio, fibras e energia natural, auxiliando no crescimento e no desenvolvimento das crianças.

Atenção a grupos específicos

Embora a suspensão do consumo de carne vermelha seja segura para a maioria das pessoas, a nutricionista alerta que alguns grupos precisam de maior acompanhamento alimentar. Entre eles estão gestantes, idosos, adolescentes e pessoas com anemia, que possuem maior necessidade de determinados nutrientes. “Nesses casos, o acompanhamento profissional é fundamental para evitar deficiências nutricionais”, orienta Janaiara.

No caso das crianças, a substituição da carne também pode ocorrer de forma segura, desde que seja feita com planejamento alimentar adequado. “Pratos coloridos e com texturas variadas, como hambúrgueres de lentilha ou bolinhos de grão-de-bico, ajudam na aceitação e garantem o desenvolvimento muscular e imunológico”, conclui a nutricionista.