Justiça Restaurativa inicia formação de educadores para trabalhar conflitos

Conflitos envolvendo alunos e até familiares no ambiente escolar têm se tornado cada vez mais frequentes. E muitas vezes os educadores não estão preparados para lidar com determinadas situações. Pensando nisso, os colégios estaduais Antônio Teodoro de Oliveira e Oswaldo Cruz, de Campo Mourão, aderiram ao projeto Justiça Restaurativa, onde um grupo de educadores recebe orientações sobre como atuar diante de situações conflitantes no ambiente escolar.

O primeiro encontro foi realizado na manhã deste sábado (06), no Colégio Antonio Teodoro de Oliveira. O instrutor é o agente de segurança do Centro de Socio Educação (CENSE), Fabiano França e a formação foi viabilizada em parceria entre o Comitê Municipal de Socio Educação e o Núcleo Regional de Educação. Os encontros serão realizados às terças e sábados no Colégio Antonio Teodoro e às quartas-feiras no Oswaldo Cruz.

França explica que as técnicas restaurativas de solução de conflitos no ambiente escolar no país foi uma iniciativa do Poder Judiciário para promover a paz e evitar que novos processos judiciais nasçam desses conflitos. A prática da Justiça Restaurativa é incentivada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) por meio do Protocolo de Cooperação, firmado em agosto de 2014 com a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB). 

Comarcas em diversos Estados já aplicam a mediação e os chamados círculos restaurativos em conflitos escolares. Ela foi iniciada em São Paulo com a figura do professor-mediador, cuja função, exclusivamente, era cuidar da boa convivência de todos no ambiente escolar. Essas ações, no entanto, ainda são disseminadas de forma tímida, ressalta França.

Com a experiência de nove anos de trabalho no CENSE com adolescentes em conflito com a lei, França explica que a Justiça Restaurativa é uma técnica de solução de conflito que se orienta pela criatividade e sensibilidade, onde se procura um novo direcionamento à maneira de compreender e aplicar o direito. Na nossa cultura a gente aprende a lidar com o conflito de forma retributiva. Nessa técnica o foco é restaurar o indivíduo, buscando entender o contexto que levou-o à prática do delito. Para resgatar sua autonomia ele precisa ser acolhido nas suas necessidades, que não são materiais, explica, ao lembrar que a promoção do ser humano é muito desafiadora.

O diretor do Colégio Antonio Teodoro de Oliveira, Geraldo Teixeira, destacou a importância do projeto para preparar os educadores. A sociedade mudou muito e é necessária uma ampla visão para essas mudanças de comportamento que vivenciamos no dia a dia, onde há excesso de violência e comportamentos individualistas. Precisamos aprender a lidar com isso porque o aluno não vem com manual de instrução, frisa o diretor, ao acrescentar que apesar de poucos registros de conflitos, o colégio enfrenta problemas como em todos os demais ligados a indisciplina. 

Com 840 alunos e 90 professores, o Colégio Antonio Teodoro atende o ensino fundamental, médio e Educação de Jovens e Adultos no período noturno. Apesar do espaço físico pequeno temos uma grande quantidade e diversidade de alunos, especialmente com o surgimento de novos loteamentos, complementa o diretor.