Nogueira se aprisionou em respeito ao Covid

O comerciante Hamilton Nogueira está “aprisionado” há mais de cem dias dentro de sua própria mercearia em Campo Mourão. Com grades até o teto, ele decidiu trancafiar-se, principalmente, em respeito às normas implementadas pela Saúde da cidade. No entanto, acabou confessando que também está com medo do temido coronavírus. “Já tenho 68 anos. Tenho que me cuidar”, disse. Refém do Covid-19, Hamilton é tão somente mais uma das vítimas de uma doença que vem causando enormes estragos em todo o país. No seu caso, economicamente.  

Dono de uma pequena mercearia na Vila Guarujá, já são mais de três meses sem abrir a porta do estabelecimento. Trancou tudo com correntes e cadeados. Atendimento desde março, apenas pela grade. E ele se diz seguro com a situação. “Estou evitando aglomerações aqui dentro. A multa é cara. Sem contar que me sinto protegido desse vírus”, revelou. Nogueira diz que o mais importante é o respeito às leis municipais. Embora seguro e respeitador das regras, não há muito a comemorar. Afirma que as vendas despencaram mais de 60%. Segundo ele, muito por conta dos desempregados da pandemia. “Muita gente aqui perdeu o emprego. O dinheiro está curto”, disse.  

A Mercearia Nogueira existe há três anos no bairro. Vende um pouco de tudo. Desde itens da cesta básica, como arroz e feijão. Até utensílios como chinelos e aparelhos de barbear. Também vende salgados. Doces. E aquela cerveja gelada. Desde março, os clientes vem sentindo a falta das cadeiras para degustar a “cervejinha”. Este é o caso de um dos clientes mais assíduos do local. Não querendo se identificar, ele disse que a cadeira acabou substituída pelo banco do ponto da circular. Que fica ao lado da mercearia. “Banco a gente se vira. O que não pode faltar é a cerveja”, explicou.