Diretran vai intensificar fiscalização de patinetes elétricos em Campo Mourão
A Diretoria de Trânsito de Campo Mourão (Diretran) vai intensificar a fiscalização do uso de patinetes elétricos no município, diante do aumento de irregularidades e do crescimento do número de usuários, principalmente entre adolescentes. A informação foi confirmada pelo diretor de Segurança e Mobilidade Urbana da Diretran, Nelson Casaroli, em entrevista à TRIBUNA. Segundo ele, apesar da existência de legislação municipal em vigor desde novembro de 2025, ainda são frequentes os flagrantes de uso irregular, principalmente sem equipamentos de segurança e em locais inadequados.
Casaroli afirmou que o avanço desse tipo de modal é uma tendência, mas alerta para os riscos envolvidos. “O sistema viário hoje busca alternativas mais baratas e rápidas, porém às vezes mais perigosas. No patinete, você está muito mais exposto a um acidente, e, quando isso acontece, as consequências são desastrosas”, disse.
De acordo com ele, a responsabilidade não é apenas do poder público. “Existe a responsabilidade do órgão que fiscaliza, mas também existe a irresponsabilidade dos pais. Quando você entrega um patinete a um filho, você está expondo essa criança”, observou. O diretor foi enfático ao alertar sobre os riscos. “Muitas vezes o pai está entregando, eu diria, um atestado de óbito ao filho”, declarou, ao defender maior conscientização sobre o uso do equipamento.
Casaroli informou que a Diretran já observa o aumento de ocorrências envolvendo esses veículos na cidade, especialmente em horários de saída de escolas. Segundo Casaroli, é comum flagrar adolescentes desrespeitando regras básicas de trânsito. “Eles avançam preferencial, fazem ‘costura’ entre veículos. Isso traz uma preocupação muito grande”, relatou. Outro problema recorrente é o uso inadequado ou a ausência de capacete. “O que eu tenho visto é sem capacete ou com boné, principalmente entre adolescentes e jovens até os 18 anos. Isso é uma irresponsabilidade muito grande”, afirmou.
Apesar do reforço na fiscalização, a Diretran deverá priorizar, neste primeiro momento, ações educativas. Conforme o diretor, os agentes foram orientados a abordar os usuários e exigir medidas imediatas de segurança. A orientação é que, ao serem flagrados sem capacete, os condutores sejam orientados a acionar familiares para providenciar o equipamento antes de continuar o trajeto. “Não é porque o agente não está no local que a pessoa pode infringir a lei. Quando o agente chega para cobrar, muitas vezes já é tarde demais”, destacou.
Casaroli também chamou atenção para a ausência de espaços adequados para circulação dos patinetes em Campo Mourão, diferente de outras cidades que já contam com ciclovias estruturadas. Outro ponto destacado é a falta de preparo dos usuários. “Para conduzir moto ou carro, você precisa de habilitação. Para o patinete, as pessoas não têm nenhum tipo de treinamento. Utilizam sem preparo, o que é muito grave”, afirmou.
Casaroli informou que a Diretran vai intensificar ações de orientação, especialmente em escolas, onde há maior concentração de usuários. Além disso, a fiscalização também deve envolver empresas que comercializam os equipamentos. Segundo ele, a intenção é que os estabelecimentos também orientem os clientes sobre o uso correto e seguro. “Não é só pós-venda. É orientar sobre como utilizar, aproximando a empresa da responsabilidade com o usuário”, disse.
O que diz a lei municipal
A Lei nº 4.936/2025, sancionada pelo prefeito Douglas Fabrício e em vigor desde 14 de novembro do ano passado, estabelece regras para o uso de patinetes elétricos em Campo Mourão. A norma define o patinete como veículo de mobilidade pessoal autopropelido e estabelece limites de circulação. Em áreas de pedestres, a velocidade máxima permitida é de 6 km/h. Em ciclovias e ciclofaixas, o limite é de 20 km/h.
A lei também permite a circulação em vias compartilhadas e ruas com velocidade de até 40 km/h, além de outros locais a serem regulamentados. Entre as principais exigências, está o uso obrigatório de capacete e de equipamentos de proteção, como joelheiras e cotoveleiras. A legislação também proíbe a condução por menores de 16 anos, o transporte de passageiros e o uso sob efeito de álcool ou drogas.
Em caso de irregularidades, a norma prevê apreensão do veículo. Outro ponto é a exigência de itens de segurança nos patinetes, como iluminação dianteira e traseira, sinalização lateral, campainha e indicador de velocidade. A lei determina que a fiscalização é de responsabilidade da Diretran, em conjunto com o Pelotão de Trânsito da Polícia Militar.
Para Casaroli, a expansão do uso de patinetes exige mudança de comportamento por parte da população. “Não é só esperar a fiscalização. É uma questão cultural. Campo Mourão não pode avançar em tecnologia e retroceder no que diz respeito à vida”, observou.

