Orelhões estão saindo da cena urbana
Você ainda se lembra da existência dos orelhões? Embora poucos, eles ainda existem. Funcionando ou não. Viraram objetos urbanos obsoletos. Itens do cenário das cidades, sem serventia. Em Campo Mourão não se sabe ao certo o número de aparelhos. A Oi, responsável pela sua manutenção, não respondeu ao e-mail desta reportagem. Por ironia, nem mesmo atendeu às ligações. Mas sim. Alguns estão espalhados pela cidade.
Na Vila Guarujá são três aparelhos. Um deles em frente à escola. Novo em folha. Morador local, o motorista Manoel Vicenti dos Santos, 54, disse que se todos os orelhões sumissem, ninguém sentiria falta. “Acho um dinheiro jogado no lixo. Até criança tem celular. Ninguém usa o orelhão”, explicou. Segundo ele, nem mesmo cartões para o orelhão existem para comprar no bairro. Para ele, o importante é que as companhias telefônicas levem mais tecnologia a regiões como a dele. Por exemplo, como o 4G. Além da Vila Guarujá, existem equipamentos em diversos bairros. No centro, foram identificados na agência da Previdência, delegacia e prefeitura. Também existem alguns em frente a escolas e clínicas médicas. No calçadão, onde haviam vários há alguns anos, hoje desapareceram.
Um dos principais problemas são os cartões. Ninguém sabe onde encontrá-los. Eles servem para ligações de outros DDDs. No caso de Campo Mourão, com DDD 44, as ligações entre linhas fixas são gratuitas para o mesmo DDD. Ou seja, para ligar de um orelhão 44, a um telefone fixo de qualquer cidade com o mesmo DDD, não precisa de cartão. É de graça. Dados indicam os preços de cartões para 20 créditos custam R$ 2,50. Para 40 créditos, R$ 5,00. E para 75 créditos, R$ 9,37. Mas onde comprar?
Informações indicam que, desde dezembro de 2018, mais de 500 mil orelhões foram retirados das ruas do país. De acordo com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), até fevereiro de 2019, o número já havia caído de 810 mil para 336 mil. Uma vez retirados, acabaram virando sucata. As cúpulas de fibra de carbono ainda são recicladas. Algumas empresas as transformam em poltronas decorativas. Mas o fato é que, após mais de 30 anos, os aparelhos podem desaparecer da cena urbana. Para sempre.
Um decreto da Anatel, de dezembro de 2018, atualizou as obrigações das operadoras de telefonia. Pelas normas, orelhões não são mais investimentos obrigatórios pelas empresas. Agora, as concessionárias de telefonia terão que injetar recursos para levar comunicação 4G de cobertura móvel a mais de mil áreas carentes do Brasil. Isso tudo, num período de quatro anos.

