Criatividade: O Motor Silencioso da Economia
A criatividade, ao longo da história, sempre foi um motor silencioso e poderoso da civilização humana. Desde as primeiras invenções que mudaram o curso da humanidade, da roda à imprensa, da máquina a vapor à internet, observa-se que a capacidade de imaginar e transformar ideias em realidade impulsiona o desenvolvimento econômico, social e cultural. Nesse cenário, a economia criativa ganhou forma, abrangendo atividades que têm na criatividade, no capital intelectual, na cultura e na inovação seus principais insumos e produtos, gerando valor econômico e social.
Economias modernas integram setores criativos às suas estratégias de desenvolvimento por sua capacidade de gerar renda, empregos e oportunidades de exportação. Estimativas recentes da Contec Brasil apontam que a economia criativa representa cerca de 3,5% do PIB brasileiro e emprega milhões de trabalhadores. Esses números demonstram que criatividade não é apenas expressão artística; é um vetor concreto de desenvolvimento econômico e social.
No plano local, em Campo Mourão – PR, essa dinâmica não é diferente. Dados do CAGED indicam que o setor criativo reúne mais de 1.400 empregos formais na cidade, com crescimento médio de cerca de 14% na empregabilidade do segmento nos últimos anos. O resultado é significativo: são centenas de pessoas transformando talento, cultura e conhecimento em trabalho, renda e impacto real no tecido econômico local. Além dos empregos diretos, é fundamental considerar toda a cadeia produtiva beneficiada pelos serviços, produtos, eventos e experiências gerados por esse ecossistema criativo, desde fornecedores até o comércio e o turismo locais.
Nesse contexto, o Dia Mundial da Criatividade, celebrado entre 21 e 23 de abril em Campo Mourão, contribui para conscientizar sobre o papel da criatividade e da inovação no desenvolvimento sustentável e na resolução de desafios econômicos e sociais. Esses dias representam oportunidades para marcas, profissionais, empresas e instituições se posicionarem em torno do valor da criatividade: um momento de mostrar talentos, conectar habilidades diversas e construir pontes entre quem cria e quem precisa de soluções inovadoras para os desafios da sociedade.
Em 2026, essa reflexão ganha ainda mais força no Brasil, designado pela ONU como “Ano da Criatividade”, iniciativa que celebra e valoriza a criatividade humana em suas múltiplas expressões, artísticas, educacionais, tecnológicas e sociais. Logo, posicionar-se ativamente nesse movimento significa reconhecer que a criatividade não é um luxo cultural, mas um ativo estratégico de competitividade e inovação, tanto para profissionais que buscam se destacar quanto para empresas que desejam captar talentos e renovar suas soluções.
A troca de experiências entre criadores, empreendedores e empresas é um propulsor de novas ideias e práticas que respondem de maneira mais eficaz aos desafios locais. Em um mundo em constante transformação, posições rígidas e fórmulas prontas perdem eficácia diante de problemas complexos; abordagens criativas e colaborativas, por sua vez, ampliam o repertório de soluções possíveis e potencializam o desenvolvimento econômico sustentável.
Portanto, valorizar a criatividade, tanto em Campo Mourão quanto no Brasil, não é apenas uma questão cultural, mas um compromisso com o futuro do trabalho, da economia e da sociedade. Em tempos em que os mercados se reinventam rapidamente, aqueles que abraçam a criatividade como princípio estratégico estarão mais preparados para criar valor, gerar empregos e liderar mudanças positivas em suas comunidades.
Rosinaldo Nunes Cardoso é Administrador, Especialista em Gestão de Pessoas e Inteligência Competitiva, Mestre em Administração com foco em Empreendedorismo, Inovação e Mercado, e Diretor de Pesquisa e Gestão do IPPLAN – Instituto de Pesquisa e Planejamento de Campo Mourão.

