Coamo projeta safra recorde de soja com recebimento de até 100 milhões de sacas

A Coamo Cooperativa Agroindustrial, com sede em Campo Mourão, deverá alcançar, em 2026, o maior volume de recebimento de soja de sua história. A projeção é de 98 a 100 milhões de sacas, superando o recorde anterior de 94 milhões, registrado em 2022. Na safra passada (2024/2025), o volume foi de 85 milhões. Atualmente, a cooperativa já recebeu cerca de 57 milhões de sacas. A expectativa é encerrar o ciclo com número inédito.

As informações são do presidente-executivo da Coamo, Airton Galinari, que esteve na TRIBUNA na manhã desta terça-feira (3) acompanhado do diretor de comunicação da cooperativa, Ilivaldo Duarte. Galinari avaliou que a safra apresenta estabilidade produtiva nas regiões de atuação da cooperativa, estados do Mato Grosso, Paraná e Santa Catarina. “Eu diria que esse ano é um dos anos mais estáveis dos últimos tempos. Não tem uma região com problema crítico”, afirmou.

Segundo ele, diferentemente de anos anteriores, quando o Sul do Mato Grosso do Sul e o Oeste do Paraná enfrentaram perdas por questões climáticas, nesta safra houve maior homogeneidade. Ainda assim, a falta de chuvas em janeiro provocou uma pequena quebra. “Devemos ter uma perda entre 5% e 7% em relação ao que se previa inicialmente. Mas não há nenhum caso crítico”, pontuou.

O presidente executivo informou que a colheita da soja já supera a metade do volume estimado. Enquanto o Oeste do Paraná praticamente encerrou os trabalhos, regiões do centro-sul paranaense e do norte do Mato Grosso do Sul ainda estão no início, com avanço entre 20% e 30%. A cooperativa já recebeu 57 milhões de sacas.

Preços pressionam margens

Se a produção é positiva, o cenário de mercado preocupa. O preço da saca na praça de Campo Mourão gira entre R$ 110,00 e R$ 115,00, com média em torno de R$ 114,00. “Os preços é que estão ‘pegando’”, resumiu Galinari.

Ele explicou que o crescimento dos estoques mundiais pressiona as cotações. A China, que desde os anos 2000 foi o principal motor do consumo global de soja, estabilizou as importações a partir de 2019/2020. O Brasil, no entanto, seguiu aumentando a produção. “Incrementamos 30 a 40 milhões de toneladas no mercado sem ter um motor consumidor. Isso aumentou o estoque de passagem e acomodou os preços”, explicou.

Galinari lembrou que o Brasil saiu de uma produção de 30 milhões de toneladas para cerca de 180 milhões na atual projeção de safra. O avanço ocorreu enquanto Estados Unidos e Argentina mantiveram produção mais estável. Segundo o presidente, apesar de o preço atual não comprometer o pagamento das obrigações, as margens estão mais apertadas. Os custos de produção aumentaram e a relação de troca piorou. “Não é algo que inviabilize, mas diminui a rentabilidade. Em 2026 a expectativa é de margens mais apertadas”, projetou.

Outro fator de atenção, observou Galinari, é a comercialização mais lenta. Segundo ele, o produtor tem vendido menos, comportamento observado em todo o país. A cooperativa já recebeu 57 milhões de sacas, mas mantém 61 milhões em estoque, considerando parte da safra passada. Ainda restam cerca de 45 milhões de sacas a serem entregues. A preocupação aumenta com a proximidade da segunda safra de milho. A expectativa é que, já na segunda quinzena de maio, comece a entrada do milho. “Estamos em março e temos cerca de 75 dias até iniciar a colheita do milho. É muito pouco tempo”, comentou.

O presidente executivo da cooperativa observou que muitos produtores deixaram de “travar” preços antecipadamente, mesmo com resultados positivos nos últimos anos. Em 2026, contratos fechados anteriormente giraram entre R$ 124 e R$ 125 por saca para abril, acima do preço atual. “Quem fez contrato ganhou dinheiro. Por isso, é importante comercializar com base no custo de produção e em etapas”, orientou.

Galinari reforçou também que a cooperativa atua diretamente na negociação e que a estrutura comercial da Coamo movimenta cerca de 10 milhões de toneladas por ano, o equivalente a quase 3% da produção nacional. “Quando oferecemos um contrato, é porque estamos espremendo margens para dar a melhor condição de rentabilidade ao produtor. Ele pode confiar”, concluiu.