Prateleiras com diálogos nos supermercados
“Dois monólogos não fazem um diálogo”.
Edward Murphy
Nem é necessário estar com ouvidos bem atentos para acompanhar diálogos, principalmente em locais públicos. Supermercados são mostras de feira livre.
Nos corredores surgem pessoas a falar, entre famílias ou para quem tiver próximo. Diálogos ocasionais, esparsos, com começo, meio e fim, ou apenas uma parte deles, só o começo, o meio ou só o final, quando tem.
As palavras parecem tanto entrarem quanto saírem do carrinho, o mesmo ocorre das prateleiras, de quem consegue ou não precisa do silêncio, concentrados a escolher mercadorias.
Eis alguns diálogos que menciono a seguir como exemplos, alguns sem carecer de contextualização, conversa entre outras pessoas e ocasionalmente comigo.
“Faz tempo que este mercado aqui tudo é caro, não compensa comprar nada”, afirma enfaticamente um senhor para uma senhora, que não lhe havia dirigido a palavra. Deu vontade de indagar o que ele estava fazendo lá? Se não compensava comprar nada? Sabe se lá a opinião tão categórica, para que talvez desistíssemos e fôssemos para outro supermercado, deixando-o a dizer espalhafatosamente.
“Moço, veja pra mim qual a marca mais barata dessas farinhas aqui, pois para mim não me interessa o defunto o meu negócio é chorar”, disse-me simpaticamente.
Em outro diálogo o homem ficou inteiramente sem jeito, ao pedir, com impaciência e tom de voz elevado, que a atendente o informasse aonde ficava o setor “de leite de caixinha, que eu não acho de jeito nenhum”! Calma e educadamente, a moça chegou bem perto dele apontando com o dedo e: “Senhor, estão aqui todas as marcas de leite, bem na sua frente! Quer que eu ajude a escolher?”. Sem graça, o homem se limitou a agradecê-la.
Um senhora, ainda no caixa passando as compras, chama outra que já estava indo embora, em uma das mãos as sacolinhas da compra e na outra a cestinha do mercado.
Ao perceber a distração, ela teve uma expressão hilária ao retornar e devolver a cestinha, agradecendo a colaboração.
Fases de Fazer Frases (I)
Não basta ter razão, é preciso saber o que fazer com ela.
Fases de Fazer Frases (II)
Descobrir que existe mistério é já um bom começo.
Fases de Fazer Frases (III)
Existe solução para tudo, até mesmo o nada se pode fazer.
Fases de Fazer Frases (IV)
Quem não estiver coberto de razão, pode ser descoberto pela mentira.
Fases de Fazer Frases (V)
Não confundamos: Atenuar com até no ar.
Fases de Fazer Frases (VI)
O Brasil é um país plural mesmo sem saber conjugá-lo.
Olhos, Vistos do Cotidiano (I)
Um quarto de século completa o Boca Santa, neste primeiro de abril. Não por acaso, a data de lançamento é uma alusão ao Dia da Mentira, propositadamente e de iniciativa do responsável, o jornalista Sid Sauer Walter. São 25 anos de Informação, Crítica e Bom Humor. Tempos nos quais a rede mundial de computadores estava engatinhando, era ainda a internet discada.
Jornalista com texto primoroso e criativo, Sid tem estilo, para bem justificar o eslogan, sempre tem informação de qualidade, comumente exclusiva, com sátira, imagens e balõezinhos, com engraçados diálogos dos personagens.
Para recordar ainda, a “inauguração” foi na prefeitura, gabinete do então prefeito Rubens Bueno. Também surgia a pioneira Start On line, de meu fraterno irmão Euro Brizola Maciel, hoje trabalhando e morando em Curitiba.
Publicação contínua e de alta relevância, Boca é um espaço peculiar sobre a política, em todos os níveis, o que tem faltado a jornais tradicionais, cobertura do Congresso Nacional, Assembleia e executivos locais e do Paraná. Parabéns!
Olhos, Vistos do Cotidiano (II)
Falando em jornalista, quem foi homenageado pela Assembleia Legislativa do Paraná, é o Ilivaldo Duarte. Repercute ele recebido Menção Honrosa, iniciativa do deputado Anibelli Neto, pela edição 1600 do Programa Tocando de Primeira, na Rádio Difusora Colmeia, levado ao ar todos os sábados.
Olhos, Vistos do Cotidiano (III)
Não serão surpresas, ainda que possa assim parecerem – sem transparecerem, aliás – as mudanças de partido, permitidas conforme a legislação, além da desincompatibilização dos cargos, até o próximo dia quatro.
O Paraná se insere neste contexto, como em todo o Brasil. Surpresa mesmo foi só a do governador Ratinho Júnior continuar no Palácio Iguaçu até o fim do mandato.
Farpas e Ferpas (I)
Faça tudo por inteiro para poder merecer um pedaço.
Farpas e Ferpas (II)
Quem muito se alonga na história pode ter que se apressar para o final.
Sinal Amarelo (I)
A inspiração também provém da expiação.
Sinal Amarelo (II)
Não espere a volta, dê a volta nela.
Trecho e Trecho
“Muitas vezes não temos tempo para dedicar aos amigos, mas para os inimigos temos todo o tempo do mundo”. [Leon Uris].
“Os grandes sucessos dependem de incidentes pequenos”. [Demóstenes].
Reminiscências em Preto e Branco (I)
A origem etimológica da palavra abril é aprilis, do latim; ou aperire, abrir das flores, segundo o calendário gregoriano, uma vez ser primavera no Hemisfério Sul. Está ligado à outra palavra, origem etimológica, Aprus, nome etrusco da deusa de Vênus, que, por sua vez, homenageia Afrodite, a deusa do amor. Abril é referência como o mês do amor, pelas flores e por Afrodite.
Reminiscências em Preto e Branco (II)
Tempo não envelhece. Faz a gente envelhecer. Sabemos da velhice. Ele, não.
José Eugênio Maciel | [email protected]
* As opiniões contidas nesta coluna não refletem necessariamente a opinião do jornal

