Efeito pandemia nos animais: uns abandonados, outros mais cuidados
A pandemia de Coronavírus tem gerado duas situações bem distintas na relação entre pessoas e animais domésticos. Por um lado, aumentou muito o número de cães e gatos abandonados nas ruas, talvez motivado pela situação financeira de seus donos. Por outro, quem gosta de animais e não foi tão afetado economicamente, agora tem mais tempo para cuidar dos bichinhos de estimação.
“Tem muitas pessoas abandonando os bichos nas ruas nesse período de pandemia e as adoções diminuíram muito, possivelmente pela crise financeira”, afirmou a presidente da Associação Protetora de Animais Independentes (PAIS) de Campo Mourão, Amanda Tonet.
Ela ressalta que nos dois abrigos mantidos pela associação estão recolhidos cerca de 350 animais. A PAIS também é responsável pelo Canil Municipal, com capacidade para 40 cachorros. “Está tudo lotado. Não temos onde colocar os filhotes e por conta da lotação tem muita briga”, relata Amanda.
Nesta terça-feira (21), ela foi resgatar uma cachorra abandonada com nove filhotes na estrada do Barreiro das Frutas. Ela estava fraca, sem comida e amamentando os filhotes. “Todos os dias estamos recebendo pedidos de resgate assim”, afirmou, ao lembrar que a responsabilidade pelos animais é de seus donos e que abandono é crime.
Já entre as pessoas que tem os animais como fieis companheiros, os cuidados também aumentaram. Isso foi percebido especialmente nas empresas do ramo de pet shop e clínicas veterinárias. O atendente de uma clínica, que também atende como pet shop, admite que o movimento aumentou.
“Como muitos estão ficando mais em casa, estão passando mais tempo com seus animais e assim prestam mais atenção neles. E tendo mais contato acabam trazendo com mais frequência para banho e tosa e também conseguem perceber até uma doença. Tem aumentado o número de pedidos de check-up na saúde deles”, afirmou o funcionário.
Segundo ele, até mesmo os animais vítimas de acidentes recebem mais socorro. “Antes alguns que atropelavam, talvez pela correria, acabava não socorrendo. Agora estão trazendo para atendimento”, revelou. Em outra loja do ramo também aumentou a venda de produtos para os bichos, como roupas e outros adereços.
A presidente da PAIS reforça o pedido para que as pessoas procurem adotar os animais e alerta para a posse responsável. “Fazemos um trabalho voluntário mesmo antes da nossa fundação, exclusivamente por amor, sem qualquer pretensão financeira que não seja em prol dos animais. Somos independentes, por isso necessitamos de ajuda para aquisição de ração, medicamentos e atendimento veterinário”, completa Amanda.

