Assassinato de prefeito de Barbosa Ferraz completa 11 anos com réu confesso condenado ainda solto

22 de julho de 2009. Este dia ficou para a história da cidade de Barbosa Ferraz. Infelizmente por uma tragédia. O assassinato do então prefeito Mário Cesar Lopes de Carvalho (MDB), morto na véspera das festividades de aniversário do município. Nesta quarta-feira (22), o crime completa 11 anos, com o assassino, réu confesso Dioniclei Pelussi de Oliveira, hoje com 33 anos, julgado e condenado. Mas ainda solto. A viúva de Mário Cesar, Marinalva Lopes Carvalho clama por Justiça. Quer a prisão do homem que tirou a vida do marido.

Dioneclei foi condenado em 16 de agosto de 2018 por homicídio qualificado a 15 anos de reclusão em regime fechado. Seu julgamento foi em um júri popular na Justiça da Comarca de Jandaia do Sul. A sentença foi proferida pelo juiz João Rodrigues Stolsis. No entanto, apenas 21 dias depois de condenado e preso , ele ganhou a liberdade. Sua defesa entrou com um habeas corpus no Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR), que acatou o recurso. 

De lá para cá se passaram dois anos com seu advogado tentando levar o processo ao Superior Tribunal e Justiça (STJ). Porém todos os recursos foram negados e o processo transitou em julgado, só restando o cumprimento da sentença. A prisão. 

O processo se encontra na Justiça da Comarca de Barbosa Ferraz desde o mês de maio aguardando expedição de mandado de prisão do réu para o cumprimento da pena. O advogado de Marinalva, Marcio Berbet, lembrou que Dioniclei já ficou preso por um período inicial de nove meses. “Já nos manifestamos na Justiça requerendo o cumprimento da prisão e estamos aguardando que seja efetuado o despacho  para que seja feita a prisão e se dê o início do cumprimento da pena, que é o que restou devidamente decidido na sentença”, falou Berbet. Como o processo levou dois anos em sua fase recursal até o trânsito e julgado, o advogado teme que o condenado não seja mais encontrado no endereço informado nos autos. 

A viúva de Mário Cesar, Marinalva Carvalho disse que a espera pela prisão em definitivo do homem que matou o marido é longa.  “Espero que a prisão seja cumprida o mais breve possível.  É uma questão de se concluir o processo. E o final do processo é o cumprimento da pena. Seja ela pequena ou não”, falou. Ela comentou que apesar da prisão, a morte de Mário Cesar será irreparável. “A falta que o César faz para minhas filhas, a família e a comunidade de Barbosa Ferraz não vai ser reparada com 15 anos de prisão e nem com 50. É uma coisa que não se repara.  Mas a prisão é questão de Justiça, de se pagar pelo que fez”, falou. 

O crime

Mário César foi assassinado por volta das 22 horas do dia 22 de julho de 2009 com cinco tiros. Segundo a polícia, ele estava no Clube da Piscina, em Barbosa Ferraz, quando por volta das 21 horas recebeu um telefonema e deixou o local às pressas. Cerca de uma hora depois, a PM foi avisada sobre um corpo na estrada que liga a cidade à Corumbataí do Sul. O prefeito foi encontrado pelos policiais com perfurações nas mãos, antebraços, peito e virilha. 

O VW/Gol que ele dirigia estava do outro lado da estrada, no acostamento, a cerca de 50 metros do corpo. A polícia encontrou o carro com a porta do motorista aberta e uma marca de tiro que a atravessou e atingiu o banco do passageiro. 

Logo no início das investigações, o então secretário estadual da Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari, determinou que uma equipe do Cope (Centro de Operações Policiais Especiais) auxiliasse a equipe da Polícia Civil em Barbosa Ferraz. Na tarde de sexta-feira (24), dois dias após o crime, a polícia divulgou que Dioniclei era o principal suspeito da morte do então prefeito. Além do depoimento de sua namorada – ela era funcionária da prefeitura – , que afirmou que ele seria capaz de cometer o crime porque desconfiava de um relacionamento amoroso dela com Carvalho, outros indícios apontavam suspeitas sobre ele. 

O rapaz e o prefeito teriam trocado ligações na noite do crime. O carro do pai dele foi encontrado abandonado próximo ao local do homicídio.  Além disso, ele estava desaparecido desde a noite do crime, quando foi visto por volta das 21 horas saindo de São Pedro do Ivaí para Barbosa Ferraz.

Na política

Márcio César já ocupou a cadeira de vereador em Barbosa Ferraz na gestão 97/2000, tentou eleger-se prefeito em 2000, sendo derrotado pela então prefeita Elza Marques, reeleita na época. Em 2004 entrou novamente na disputa e foi eleito. Em 2008 conseguiu a reeleição com expressiva votação. No dia do crime Cesar divulgava as festividades do município, que teriam início no dia seguinte, tendo toda sua programação cancelada.