Elenco de Uma Batalha Após a Outra: os três vencedores do Oscar que Paul Thomas Anderson reuniu

O elenco de uma batalha após a outra é um dos mais impressionantes que o cinema americano reuniu em um único projeto nos últimos anos. Paul Thomas Anderson, que já havia trabalhado com elencos de peso em filmes como Magnólia e Sangue Negro, escalou para o seu projeto mais ambicioso até hoje três vencedores do Oscar em papéis principais, além de uma estreante de cinema que acabou roubando cenas de todos eles.

Leonardo DiCaprio como Bob Ferguson

Bob Ferguson é um ex-revolucionário que levou anos tentando deixar para trás um passado de ativismo político violento, vivendo isolado com a filha Willa numa margem da sociedade que ele mesmo escolheu. DiCaprio constrói o personagem com uma qualidade específica: a de alguém que está performando normalidade sem acreditar nela, cujos reflexos de autopreservação e desconfiança do mundo ao redor nunca foram completamente desativados.

É uma performance deliberadamente contida na primeira metade e que vai abrindo caminho para algo mais complexo conforme o enredo força Bob de volta para um contexto que ele tentou abandonar. DiCaprio ganhou US$ 20 milhões pelo papel e o filme custou entre 130 e 175 milhões de dólares, tornando-se a produção mais cara da carreira de Anderson, justificada pelo histórico de bilheteria do ator em títulos como O Lobo de Wall Street e O Regresso.

Sean Penn como o Coronel Lockjaw

Num retorno a papéis de antagonistas de grande presença física e moral, Sean Penn constrói Lockjaw com uma malevolência que tem, segundo vários críticos, ecos do trabalho que rendeu ao ator seu Oscar por Mystic River. O personagem é o inimigo de longa data de Bob, um homem que usa estruturas institucionais para perpetrar violência com uma cobertura de legitimidade que torna sua crueldade ainda mais perturbadora.

Penn ganhou o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante pelo papel, em cerimônia onde o filme levou seis estatuetas ao total, incluindo Melhor Filme.

Benicio Del Toro como Sensei

Del Toro interpreta o chefe de uma rede subterrânea que ajuda migrantes, um personagem moralmente ambíguo que funciona tanto como aliado quanto como força imprevisível na narrativa. É o tipo de papel que o ator executa com uma naturalidade que esconde o trabalho por baixo: Del Toro parece nunca estar atuando, o que nesse nível de complexidade de personagem é o maior dos elogios técnicos.

Chase Infiniti como Willa

A revelação do elenco é Chase Infiniti, em sua estreia absoluta no cinema. Willa é a filha de Bob, o centro emocional de toda a trama, uma jovem com uma independência de julgamento que frequentemente supera a do pai. Infiniti entrega uma performance que, segundo os críticos, “rouba o filme de três vencedores do Oscar sem parecer que está tentando.”

Paul Thomas Anderson e o cinema de conjunto

Uma das marcas registradas de Anderson ao longo de sua carreira é a capacidade de trabalhar com elencos numerosos onde múltiplos personagens de peso dividem o centro narrativo sem que nenhum cancele os outros. Magnólia, com Tom Cruise, Julianne Moore, Philip Seymour Hoffman e outros em papéis igualmente importantes, é o exemplo mais citado, mas Uma Batalha Após a Outra é em muitos aspectos mais ambicioso nesse sentido, porque os atores principais têm histórico e reputação que criam expectativas específicas que o diretor precisava gerenciar.

A solução de Anderson foi construir o roteiro de forma que cada personagem tivesse espaço suficiente para ser introduzido com a profundidade que o elenco exige, sem que isso comprometesse o ritmo da narrativa de ação que sustenta o filme como produto comercial. O resultado, segundo críticos, é um dos trabalhos de direção de conjunto mais competentes do cinema americano recente. O título está disponível em streaming gratuito.

Cinema gratuito e o valor do acesso sem barreiras

O crescimento das plataformas de streaming gratuitas no Brasil representa uma mudança real no acesso à cultura audiovisual. Títulos que antes exigiam assinaturas pagas, ida ao cinema ou compra de DVDs estão hoje disponíveis para qualquer pessoa com uma conta de e-commerce já existente e uma conexão razoável à internet. Essa democratização tem consequências que vão além do entretenimento imediato: mais pessoas têm acesso a referências culturais compartilhadas, a debates sobre cinema e a obras que moldam conversas sobre política, ética e experiência humana.

O modelo financiado por publicidade que sustenta esse acesso gratuito é o mesmo que sustentou a televisão aberta por décadas, e a diferença é que no streaming o usuário escolhe o que quer ver e quando quer ver, sem depender de grade de programação. Para quem vive em cidades do interior do Brasil com menos infraestrutura cultural urbana, essa combinação de liberdade de escolha e custo zero é especialmente significativa.