Beto Richa vê cenário político indefinido no PR e demonstra confiança na reeleição

Durante o cumprimento de agenda política em Campo Mourão, nesta sexta-feira (12), o deputado federal e ex-governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), fez uma visita à TRIBUNA e concedeu uma entrevista exclusiva ao Jornal. Além da cidade, o parlamentar visitará também durante o dia as cidades de Araruna, Ubiratã e Umuarama. Na ocasião, Richa reafirmou sua pré-candidatura à reeleição para a Câmara Federal. O deputado afirmou que está “satisfeito” com a atuação em Brasília. Ele destacou projetos desenvolvidos ao longo do mandato e disse acreditar em uma “possibilidade muito concreta” de conquistar um novo mandato em razão do trabalho realizado e do apoio que vem recebendo de prefeitos, vereadores e lideranças em diferentes regiões do Estado.

Ao analisar o cenário político no Paraná, o parlamentar avaliou que ainda é cedo para projeções sobre a disputa majoritária e classificou o quadro como indefinido, apesar do desempenho de alguns nomes nas pesquisas. Richa ainda defendeu a revisão do pacto federativo, com maior redistribuição de recursos para estados e municípios, argumentando que as demandas da população acontecem nas cidades.

Richa também destacou o perfil municipalista de sua atuação, reforçou a defesa de mais investimentos em infraestrutura, logística, saúde e empreendedorismo e afirmou que seguirá priorizando apoio aos municípios por meio da articulação de recursos e projetos em Brasília. Confira abaixo a entrevista na íntegra.

Tribuna do Interior – Deputado, o senhor cumpre agenda em Campo Mourão e região. Qual o objetivo desta visita?

Beto Richa – Sempre que passo pela região, faço questão de parar em Campo Mourão. Tenho muitos amigos aqui e sempre fui muito bem recebido, especialmente no período em que vinha com mais frequência como governador do Paraná, anunciando recursos para infraestrutura, educação, segurança e saúde. Estive várias vezes na Santa Casa, participei da inauguração do setor de maternidade, de outras alas e também de obras importantes de acesso ao hospital, que atende toda a região. Agora volto para encontrar a imprensa, fazer uma breve prestação de contas do mandato como deputado federal e reafirmar a honra de representar Campo Mourão em Brasília. Também é uma oportunidade de ouvir novas demandas e buscar recursos que contribuam com o desenvolvimento do município e o bem-estar da população. Tenho mantido uma agenda intensa pelo Paraná. Passei por Maringá, Cianorte, Cruzeiro do Oeste e Umuarama. Ainda hoje vou para Ubiratã, Mamborê, Araruna, Pato Branco e municípios do Sudoeste. Dá trabalho, mas gosto desse ofício. Sempre fui um político acessível, municipalista e presente nos municípios.

O senhor está em pré-campanha para buscar a reeleição à Câmara Federal. O que motiva a disputa por mais um mandato?

Cheguei a ser abordado para uma eventual candidatura majoritária, mas optei por buscar a renovação do mandato na Câmara por várias razões. Estou muito bem em Brasília e tenho conseguido produzir resultados importantes para o país, especialmente para o Paraná. Tenho bom trânsito na Câmara e respeito dos meus pares, independentemente de posição ideológica. As pessoas conhecem minha história como prefeito de Curitiba e governador do Paraná, o que facilita uma atuação mais eficiente. Tenho mais de 30 projetos de lei apresentados e participei de comissões importantes, como Constituição e Justiça, Esportes, Minas e Energia, Orçamento e, no ano passado, presidi a Comissão de Indústria, Comércio e Serviços. Também integro o Parlasul, o Parlamento do Mercosul. É um trabalho intenso. Mas gosto disso, tenho saúde, vitalidade e estou feliz com os resultados do mandato. Estou otimista. “O trabalho tem sido reconhecido no Paraná e tenho recebido apoio de prefeitos, vereadores, ex-prefeitos, lideranças comunitárias e setores importantes da sociedade. Acredito em uma possibilidade muito concreta de uma boa reeleição.”

Qual é hoje a principal bandeira do seu mandato?

Nunca me limitei a um único segmento. Há deputados que atuam só na saúde, outros na educação, outros no comércio ou na indústria. Eu procuro atuar onde entendo que posso ajudar. Tenho atuado em várias áreas, como empreendedorismo, saúde e educação especial. Um exemplo é o projeto que relatei para aumentar o limite de faturamento anual do microempreendedor individual, que hoje está em R$ 81 mil e está congelado há oito anos.

A proposta corrige esse limite para R$ 150 mil. É uma questão de justiça tributária e beneficia milhões de microempreendedores que querem crescer sem perder os benefícios do enquadramento no MEI. Também tenho trabalhado em defesa das Apaes e do ensino especial. No meu governo, criamos o programa Todos Iguais pela Educação, que trouxe o ensino especial para dentro da rede estadual, com os mesmos direitos e recursos das escolas regulares. Também criamos o Estatuto da Pessoa com Deficiência. Na saúde, mantenho uma relação construída desde o período em que fui governador. Investimos muito em hospitais, no HospiSus, no Samu Aéreo, no transporte sanitário e nos transplantes de órgãos. Hoje, como deputado, sigo destinando emendas e apoio a hospitais públicos e filantrópicos.

Em uma eventual reeleição, o que o povo paranaense pode esperar de Beto Richa?

Pode esperar uma atuação muito forte, como temos feito neste primeiro mandato como deputado federal. Agora, com maior conhecimento do funcionamento do processo legislativo em Brasília, estarei ainda mais preparado. Venho de quatro mandatos no Executivo, dois como prefeito de Curitiba e dois como governador do Paraná. A realidade do Legislativo Federal é muito diferente, com 513 deputados e uma dinâmica própria. A experiência acumulada ao longo da trajetória, somada ao respeito construído, facilita o trabalho. Em um eventual segundo mandato, essa vivência no Congresso deve permitir uma atuação ainda mais eficaz.

Por que o eleitor deveria renovar a confiança em Beto Richa?

O eleitor precisa analisar a trajetória de cada candidato. Com as redes sociais, a democracia foi fortalecida, mas também surgiram problemas como fake news, agressões e discursos de ódio. Muitas pessoas buscam engajamento, curtidas e visibilidade, mas não apresentam propostas concretas para melhorar a vida da população. Isso não ajuda o país. O eleitor deve avaliar quem já ocupou cargo público, quem honrou compromissos, quem entregou resultados e quem tem propostas para o futuro. Coloco minha trajetória à disposição: fui deputado estadual, prefeito de Curitiba por dois mandatos, governador do Paraná e agora deputado federal. Como prefeito, tive aprovação expressiva e a maior votação da história da cidade. Como governador, deixei marcas importantes pelo Estado.

Também fui vítima de uma armação muito cruel, mas tudo foi devidamente esclarecido e a verdade prevaleceu. Hoje, como deputado federal, tenho dezenas de projetos apresentados, participação em comissões e uma atuação forte. Meu passado me credencia, e as propostas para o futuro reforçam essa confiança.

Há algo que o senhor não conseguiu realizar neste mandato e gostaria de priorizar em um novo período na Câmara caso seja reeleito?

Há muita coisa para fazer. As demandas surgem com o andamento do mandato, conforme aparecem novas propostas, novas leis e novas necessidades. Tenho sido procurado por setores produtivos, hospitais, entidades e instituições de abrangência nacional que buscam representação em Brasília. Um exemplo foi a Associação Nacional das Companhias de Habitação, que me procurou no início do mandato para apresentar emendas à reedição do Minha Casa Minha Vida. Apresentei as propostas e elas foram aprovadas. Uma delas fortalece os pequenos municípios nos programas habitacionais. A outra busca descentralizar e dar mais agilidade às ações habitacionais nos municípios que possuem fundo municipal de habitação. Também fui procurado pela Associação Nacional dos Despachantes de Trânsito. Acabo sendo demandado por várias instituições, justamente pela força de representação que temos na Câmara.

O senhor tem percorrido todo o Paraná com frequência. Que estado encontra hoje?

Encontro um Paraná de prosperidade, que investe em infraestrutura e fortalece os municípios, especialmente os pequenos. Também é um orgulho passar pelas cidades e ver marcas do nosso governo: hospitais, obras de infraestrutura, estradas, duplicações, viadutos e trincheiras. Tenho boa parte disso na memória, porque vivi esse processo. Fui o único governador a visitar os 399 municípios do Paraná. Conheci de perto a realidade, as carências e as demandas dos paranaenses. Sempre tive uma forma transparente de agir, com perfil municipalista e acessível. Essas andanças são importantes porque nos mantêm sintonizados com a realidade de cada região. Vejo com orgulho o crescimento do Estado, que segue avançando. É claro que ainda há muito a fazer, mas o Paraná tem caminhado a passos largos.

Como o senhor avalia o atual cenário político no Paraná para a disputa ao Governo do Estado?

Vejo um cenário ainda muito indefinido. É cedo para qualquer aposta. Embora exista um candidato despontando nas pesquisas, é importante observar que grande parte dos eleitores ainda não definiu o voto. Além disso, mesmo entre os que já apontam preferência, muitos admitem mudar de posição. A campanha ainda vai começar e muita coisa pode mudar. Pesquisa é uma fotografia do momento. O governador Ratinho Junior está bem avaliado e terá papel importante na eleição, especialmente na transferência de prestígio ao candidato que apoiar. Também pode haver desistências e mudanças no quadro. Por isso, qualquer aposta agora é prematura.

Na sua avaliação, qual é hoje o maior desafio do Paraná?

São vários desafios, mas acredito que infraestrutura, logística e transporte continuam sendo temas permanentes. Um grande desafio é a malha ferroviária. No meu governo, lançamos um projeto em parceria com a iniciativa privada para implantar uma ferrovia ligando Mato Grosso do Sul ao Paraná, passando por regiões como Cascavel e seguindo até o Porto de Paranaguá. Seria uma obra fundamental para aliviar o trânsito nas rodovias, aumentar a segurança, reduzir custos de transporte e fortalecer o Porto de Paranaguá, que é um dos maiores do Brasil e referência no agronegócio. Infelizmente, o projeto não avançou depois que deixei o governo, mas continuo acreditando que esse seria um dos grandes caminhos para impulsionar o desenvolvimento do Estado.

Como o senhor avalia o novo modelo de concessão e cobrança dos pedágios no Paraná?

O sistema de cobrança por fluxo, o chamado free flow, representa uma modernização, mas é preciso avaliar se, na prática, atenderá aos interesses dos usuários e garantirá a agilidade prometida. Tenho visto manifestações de preocupação de vários deputados sobre como isso será conduzido. Em alguns lugares de São Paulo funciona, em outros houve questionamentos judiciais. Também preocupa o valor das tarifas. Os pedágios seguem pesados e não houve a redução expressiva que se anunciava. Isso onera o setor produtivo e os usuários das rodovias. Como governador, lutei muito nessa área. Havia contratos anteriores com força de lei, o que dificultava reduções. O governo anterior (Roberto Requião) falava em “pedágio baixa ou acaba”, mas nenhuma coisa nem outra aconteceu, e também não houve duplicação no Anel de Integração. No meu governo, fizemos prevalecer o interesse público e garantimos a retomada de obras importantes em várias regiões do Estado, como Floresta, Jandaia do Sul, Apucarana, Paranavaí, Nova Esperança, Mandaguaçu, Campos Gerais, Medianeira e Matelândia. Também reduzimos a Taxa Interna de Retorno das concessionárias e garantimos a realização de obras de duplicação e melhorias. Agora, com novos modelos, é preciso acompanhar como eles funcionarão na prática.

Muitos prefeitos estão preocupados com a queda de arrecadação e o aumento das responsabilidades nos municípios. O pacto federativo precisa ser revisto?

Com certeza. É nas cidades que as coisas acontecem. Existe uma concentração excessiva de recursos em Brasília, muitas vezes distante da realidade dos municípios. É preciso redistribuir melhor o bolo tributário, aumentando a participação dos municípios e dos estados e reduzindo essa concentração na União. Isso permitiria resolver com mais facilidade as demandas da população, que aparecem primeiro nos municípios. Sempre defendi a revisão do pacto federativo nesse sentido.

Que mensagem o senhor deixa aos eleitores que ainda estão indecisos?

Ainda há tempo para decidir. O eleitor não precisa ter pressa. É importante analisar as propostas, a trajetória dos candidatos e quem tem capacidade de melhorar a vida das pessoas, das famílias e das cidades. Na época de eleição, muitos aparecem simpáticos, mas depois desaparecem. Por isso, é preciso avaliar quem tem compromisso, trabalho apresentado e propostas reais. Também peço que as pessoas não se deixem levar apenas pelas redes sociais. O voto deve ser consciente e baseado na capacidade de cada candidato de representar os interesses da população.

Algo a mais que o senhor gostaria de acrescentar?

Apenas reforçar que estou à disposição do Paraná e agradecer o espaço que a TRIBUNA DO INTERIOR sempre tem nos cedido para apresentar nossas propostas e prestações de contas.