Brasil, pouca brasilidade

“Creia em si, mas não duvide sempre dos outros”.
Machado de Assis

“Avião, carro a álcool, urna eletrônica e PIX”, título desta Coluna publicada no último dia 31, teve boa repercussão. Sintetizado no título, diz respeito a significativa parcela de brasileiros que duvidam da eficácia das nossas invenções ou não dão o devido valor, dúvidas que ocorrem por parte de outras nações que não reconhecem a nossa capacidade inventiva.

As manifestações são no sentido de citar outros exemplos, fatos voltados para a necessária valorização dos nossos inventores. A começar pelo perspicaz jornalista Valdir Boneto que distribuiu o conteúdo da Coluna na sua rede de contatos, e escreveu, “Parabéns pelo excelente artigo”. Tendo recebido pelo Valdir, Rubens Bueno, ex-prefeito de Campo Mourão, expressou elogios e encaminhou uma lista de inventores brasileiros, muitos deles não reconhecidos.

“Somos americanizados desde o nascimento. O sonho de uma criança é conhecer o Mickey e não a Mônica, a Disney, e não as águas quentes de Goiás, o McDonald’s, e não a churrascaria da cidade”, acentua o professor mourãoense, hoje reside em Joinville, SC, Rafael Carlos Eloy Dias. Outro professor, de Curitiba, Rodolfo Corrêa de Barros, diz: “Por décadas vivemos como se fôssemos uma cópia malfeita dos Estados Unidos. Não precisamos de referenciais externos. Somos perfeitamente capazes de estabelecer o nosso próprio projeto da nossa ‘brasilidade’”. O irmão Elio Brisola Maciel conclui, “Excelente artigo, mano!”

O secretário municipal de Inovação e Desenvolvimento Econômico de Campo Mourão Eduardo Akira Azuma destacou a necessidade de “acabar com o nosso complexo de vira-latas”. Aproveitou para falar sobre existir sentimento parecido, o de não se valorizar devidamente, o que acontece em Campo Mourão. Li atentamente a valiosa manifestação, que vai me levar a escrever a respeito.

O publicitário e empresário Rodrigo Corrêa de Barros, da Capital, de início afirma que o texto da Coluna “é uma ótima provocação”. Sobre o Brasil na aeronáutica, pontua, “É a terceira maior e mais equipada fábrica de aviões comerciais do mundo e só não é maior pela força exercida pelo governo americano manter a Embraer fora dos grandes contratos. Torço para que muitos leiam seu artigo e se sensibilizem. Tem coisa boa lá, mas é desnecessário puxar o saco”.

O paulistano, arquiteto José Moreira Serafim, disse que leu o texto e ele próprio não tinha se dado conta, “falta orgulho, patriotismo, respeito entre nós mesmos, valorização de muita coisa boa que fazemos e inventamos, mas que pela inveja, querem nos impedir ou tomar de nós, como a urna eletrônica e o PIX, além do carro a álcool e também tomo a liberdade de citar, é brasileira a invenção do carro híbrido.”

Evidente e enfaticamente, agradeço a todos pelas manifestações.

Fases de Fazer Frases (I)
A vida é finita na infinitude do universo.

Fases de Fazer Frases (II)
Aprecie o belo para embelezar-se.

Fases de Fazer Frases (III)
Não confundamos: Macilento com Maciel lento.

Fases de Fazer Frases (IV)
Não confundamos: Magistral com majestal.

Fases de Fazer Frases (V)
Não confundamos: Pasmo com espasmo; Pasto com pasta.

Fases de Fazer Frases (VI)
Comover.
Como ver.
Com o ver.
Como comover-se.
Como mover-se.
Como ver-se.

Fases de Fazer Frases (VII)
Dúvida não depende de interrogação.

Fases de Fazer Frases (VIII)
Fartura do fardo é não ser fartar dele.

Olhos, Vistos do Cotidiano (I)
Desde a primeira edição, agora a oitava, o Festival Campo Mourão no Prato é sucesso cada ano maior de consolidada tradição. Prestígio que também atrai público gastronômico regional. Vai até dia 31. Prato feito de saliva, sabor, sucesso.

Olhos, Vistos do Cotidiano  (II)
Podendo cair em desuso como prática eleitoral, os conhecidos “santinhos” de campanha perdem enorme força com os recursos tecnológicos. Eleitores serão bombardeados via redes sociais e celulares. E tem o horário eleitoral. O povo nem precisa ir atrás das informações, elas chegarão em abundância.

Farpas e Ferpas (I)
Falta de tempo é pior do que relógio parado.

Farpas e Ferpas (II)
Problema não é o nó, mas a falta de ponta.

Farpas e Ferpas (III)
Problema não é só a culpa, mas arranjar desculpa.

Sinal Amarelo (I)
O problema não é os sinais, mas os códigos.

Sinal Amarelo (II)
Não basta ter caminhos, é preciso escolher direções.

Sinal Amarelo (III)
A mais pobre farsa é eficaz ante ao autoengano.

Trecho e Trecho
“Não procure fora, o sucesso está dentro de si”. [Mary Lou Cook].
“O homem culto é apenas mais culto; nem sempre é mais inteligente que o homem simples”. [Hermann Hesse].

Reminiscências em Preto e Branco 
“Você nem ainda saiu dos cueiros”, falava minha saudosa mãe Elza ao acharmos que já éramos adultos. Cueiro é pano para envolver nádegas e pernas do recém-nascido ou criança pequena. Hoje são chamadas fraldas, descartáveis.

José Eugênio Maciel | [email protected]

* As opiniões contidas nesta coluna não refletem necessariamente a opinião do jornal