Ricardo é absolvido por legítima defesa
Ricardo Cordeiro Casarin, denunciado pela morte de Matheus Jackowski, foi absolvido hoje, por um júri popular. Os sete jurados, entenderam que ele agiu em legítima defesa. A decisão foi anunciada agora a noite. Revoltados, familiares de Matheus não entenderam a sentença. E chegaram a se desesperar.
Matheus tinha 20 anos. Foi morto após receber uma facada na região das costelas. O crime ocorreu na noite de 14 de maio de 2019, em um bar, da área central da cidade. Estudante de Agronomia, Matheus voltava de uma atividade da faculdade, na praça Getúlio Vargas. Ao lado de dois amigos, foi convidado a tomar um chopp. Mas deu tudo errado. Após uma confusão, ele foi esfaqueado.
Naquela noite, os três amigos se sentaram ao redor de uma mesa, na calçada. Com a hora avançada, o pai de Matheus, preocupado, ligou em seu celular. O jovem disse que iria tomar a “saideira” e retornar o mais rápido possível. Mas naquela noite, Matheus não voltou. A lesão o levou antes mesmo de chegar ao hospital.
Ricardo Cordeiro Casarin era o principal acusado do crime. Ele trabalhava como garçom no bar. Segundo relatos, ele deveria estar de folga. Não era para estar ali. Vendo a “treta”, decidiu por conta própria apanhar uma faca da cozinha e usá-la contra dois, dos três amigos. Um deles foi atingido na barriga e se recuperou. Matheus não teve a mesma sorte. Uma das artérias foi cortada. Caiu e não mais se levantou.
Em seu depoimento à polícia, Ricardo alegou interceder junto aos três amigos, para que deixassem o cara que os incomodava. Afinal, tratava-se de um conhecido seu. No fervor da discussão, teria escutado um deles falar: “tenho um negócio pra você lá no carro”.
Este foi o momento em que apanhou a faca sobre uma mesa da cozinha. Quando foi até o veículo, recebeu chutes, sacando a faca e desferindo os golpes, no “intuito de se defender”.
Desde a morte do filho, Cláudio, 46, e a esposa, Ana Paula, 41, apenas sobrevivem. Um sofrimento sem fim. Uma dor que não passa. Foram dias e noites de lágrimas. De angústias. Pesadelos. Sentem uma falta do que não pode mais ser preenchido. Um vazio do tamanho do mundo. Até agora, restava a eles, a esperança em uma condenação. Mas ela não veio.

