Maria deixou quatro filhos. E uma vontade enorme em viver
Na década de 70, Maria era a moça mais bonita de Ubiratã. Carlos se apaixonou. Amor à primeira vista. E não perdeu tempo. Então, em julho de 73, ela disse sim. Casados, passaram a viver em Mamborê. Ele se formou em Direito. Anos mais tarde, foi a vez de Maria tornar-se bacharel, na mesma área. Nas juras de amor, diante do padre, o casal acabou por se separar, de verdade, na última semana. Maria morreu, vítima da Covid 19.
Maria José Alves tinha 65 anos. Em fevereiro, foi visitar os filhos, em Cascavel. Lá, com sintomas da doença, foi internada. No entanto, 20 dias depois, não suportou as complicações, vindo a falecer. Cartorária há 30 anos, respondia ultimamente, pelo cartório distribuidor de Palmital. Ela deixa quatro filhos – Adriana, Carlos, André e Fernando. Todos, ainda sem entender o fardo de uma doença ainda não compreendida.
Atuando por três décadas como Oficial de Registros de Imóveis em Mamborê, Maria desenvolveu uma vida cercada por boas amizades. Extremamente vaidosa, era também dedicada ao trabalho. Como todo ser humano, tinha defeitos. Mas as qualidades eram bem superiores, como ressalta o marido, Carlos Alves. “Grande mãe e esposa. Era uma pessoa econômica. Mas sempre buscou preocupar-se mais com os filhos do que com ela”, lembra ele.
Mesmo respondendo pelo cartório de Palmital, ela desempenhava as funções de casa, principalmente, durante a pandemia. A tecnologia facilitou a vida, principalmente, através da internet. Em toda sua vida, a busca incessante foi mesmo para a boa formação dos filhos – dois são médicos. E ela se mostrava feliz com a turma.
Mas, no dia 7 de março, Maria perdeu a guerra pela vida. Mesmo a vontade enorme em viver, acabou derrotada pelo vírus. Em respeito à família, a justiça de Mamborê decretou luto oficial por três dias. Carlos informou que outros familiares também foram infectados pelo corona. Um cunhado da esposa, Antônio Devanir Rosolem, faleceu um dia depois dela, em Campo Mourão.

