Compositor, autor desconhecido

Samba é que nem osso, uma vez que tá na rua, vai na boca de qualquer cachorro

Paulo Vanzolini 

            Para o boêmio, uma noite, madrugada, até no mesmo bar com os mesmos amigos, tudo é sempre diferente, ainda que possa ser igual, próprio do viver e reviver o que é bom. A boemia, por mais que não queira, está na fossa. Tem agora que cantar, na tristeza do pranto, realizar o preito da saudade e do reconhecimento ao talento. É como se a noite perdesse o brilho próprio das altas horas.

            Hoje ele não virá. Nem amanhã. O jeito é erguer um brinde a ele, Paulo Vanzolini, e cantar os sambas que criou. Vanzolini nasceu e morreu em Abril. Paulistano, em 25 de abril completou 89 anos e no dia 30 se tornou saudade.

            Ele compôs vários sambas sem a intenção de gravá-los. E tudo começou sem querer.  A amizade desde os tempos da faculdade com Inezita Barrozo possibilitou a gravação de Ronda. Inezita estava nos estúdios para gravar a que seria a mais famosa canção que interpretou, Moda da Pinga. O disco, de 78 rotações, evidentemente que tinha dois lados mas Inezita só tinha aquela canção. Em cima da hora, ela teria que cantar outra canção que fosse autorizada pelo autor. Vanzolini estava ali e ela gravou Ronda, em 1953.

            São Paulo, berço de grandes sambistas, é retratada com toda a legitimidade do cotidiano da  cidade na música Ronda: De noite eu rondo a cidade/A lhe procurar sem encontrar/No meio de olhares espio/Em todos os bares você não está/Volto pra casa abatida/Desencantada da vida/  e noutro trecho: Porém com perfeita paciência/Sigo a te buscar/Hei de encontrar/Bebendo com outras mulheres/ (…).

            Doutor em Biologia pela Universidade Havard, criou o Museu de Zoologia de São Paulo. Foi um caso raro, o de ter uma profissão sólida que o guindou a ser um dos mais importantes cientistas do Brasil, pesquisador nato, ao mesmo tempo ser tão talentoso como compositor e ter a sua obra reconhecida em todo o Brasil.  Como cientista, percorreu o Rio Amazonas cuja expedição superou mais de dez mil quilômetros. E foi naquele trabalho de pesquisa naquele rio que Vanzolini compôs, em 1963, o samba Volta por Cima, tão popular que ficou conhecida a expressão como sinônimo de superação brasileira. O Dicionário Aurélio fez a devida citação, já popular. Eis o refrão conhecido da música: Reconhece a queda/E não desanima/Levanta, sacode a poeira/E dá a volta por cima.

            Querido pelos grandes intérpretes, era extremamente afável, gentil, carismático, gostava de uma farra, de gozar a vida como boêmio após cumprir prazerosamente o seu dever como cientista renomado, com denodo e conhecimento.

Fases de Fazer Frases (I)

            De algum modo se inferioriza quem tenta sempre ser superior.

Fases de Fazer Frases (II)

            É bom ver para volver. Se volver vou ver.

Fases de Fazer Frases (III)

            Depenar depende de dependurar para depenicar e deperecer.

Fases de Fazer Frases (IV)

            Não é o tempo que determina a ação. É a ação com o tempo, tempo de agir.

Fases de Fazer Frases (V)

            Não dizer toda a verdade é melhor do que dizer toda a mentira.

Fases de Fazer Frases (VI)

            Quem tem muito para dar pode não ter quase nada a oferecer.

Fases de Fazer Frases (VII)

            Pense no dia de amanhã e aja hoje, haja o tempo de ambos.

Olhos, Vistos do Cotidiano (I)

            No último domingo, intitulado Compositor, autor desconhecido, o texto enfocou sobre várias músicas muito conhecidas e que todos conhecem ao menos o refrão, embora os autores nem sempre são conhecidos ou lembrados. Pedi que fossem feitas sugestões e elas continuam chegando. Iremos voltar ao tema oportunamente.

Olhos, Vistos do Cotidiano (II)

            Em uma infeliz coincidência, o tema principal de hoje é a morte de um grande sambista, que compunha para que geniais intérpretes cantassem.

Reminiscências em Preto e Branco

            O dia de hoje marca o nascimento de Dalva de Oliveira, 1917. Aclamada como a Rainha do Rádio ou Rouxinol brasileiro, sempre será uma das mais belas vozes da nossa música. Entre tantos sucessos, a composição de Max Nunes (que trabalha na produção do Programa Jô Soares) e Laércio Alves Bandeira Branca virou sucesso e prossegue ininterruptamente sendo gravada.