Questão de respeito

Uma expressão da coluna de ontem, despertou a curiosidade de leitores como atesta a caixa postal: jornalista, como alfaiate faz o direito mas sabe fazer o avesso. A coluna vai dar mais uma prova disso: os pseudo esquerdistas (há alguns autênticos) que tanto combatem a corrupção enquanto não estão no poder, e que satanizam o regime democrático americano por sua tolerância com o capitalismo, esquecem-se de um detalhe. Diferente de países como o nosso e tantos outros coniventes com a corrupção, em que os governantes não permitem a seus parlamentos a liberdade de questionarem alguns temas, assim como o nosso agora tenta bloquear uma investigação sobre supostas propinas pagas a funcionários da Petrobras a ser votada na Câmara Federal, um  fato vem à mente: em 2012, uma ex-diretora do grupo Brookfield que opera no mercado de shoppings, denunciou propina paga a Hussain Aref Saad, da prefeitura paulistana, que recentemente andou em evidência por chefiar a gangue que liberava obras na capital paulista. A empresa se fez de surda, entendendo que pode lidar aqui, com as lenientes leis locais. Foi quando entrou em ação um organismo do execrado regime capitalista americano, uma tal Security Exchange Commission, que lembrou ser ela (Brookfield), assim como todas as empresas americanas, subordinada, mesmo que no exterior, à legislação daquele país. Quando a prefeitura paulistana detonou a sua quadrilha de fiscais, a Brookfield mudou seu comportamento local e entregou ao Ministério Público: ela dera à máfia dos fiscais um agradinho de R$ 4,1 milhões. Se nós tivéssemos uma SEX por aqui, obrigando empresas a não serem corruptoras, coisa que agora deve ocorrer em relação a doações eleitorais, se a lei for obedecida, situações como mensalões do PT ou o mineiro, não teriam ocorrido.

Açodamento

Falta de experiência não é! São todos muito vividos. Tanto deputados como juízes que agiram com o açodamento em que o auxílio-moradia foi votado. Com o destaque que a matéria ganhou, caindo inclusive na gozação popular com o título de bolsa-juiz ou Minha Casa – Meu Juiz, uma intensa fiscalização ocorrerá sobre sua aplicação. Bem explicado, como dito ontem aqui, o projeto seria aceito.

Ironia tem hora

Restaram dúvidas até entre juízes da Justiça do Trabalho: houve conluio entre sindicatos dos motoristas e cobradores e os donos de frotas de ônibus? Um acerto na base do nós aumentamos seus salários e vocês nos ajudam a subir tarifa técnica aos R$ 3,40! Uma coisa é certa: o transporte coletivo de Curitiba e Região Metropolitana é mau negócio. Os empresários só o exploram desde 60 anos atrás, inclusive fraudando licitações, por seus espíritos magnânimos. Para não deixarem o pobre povo a pé!

Brincando com fogo

Depois dessa greve com todas as características de enrolation, assim como a implantação da bolsa-juiz, qualquer aumento que venha a ocorrer no preço da passagem dos ônibus, não haverão black-blocs capazes de conter a fúria popular. Nem esperarão a Copa!

Liderança perdida

A afoita manifestação da diplomacia brasileira, em favor do companheiro Nicolas Maduro, desqualificando os que se opõe ao estranho estilo do presidente venezuelano  de administrar a crise naquele país, fez com que o Brasil (que já foi líder político na América do Sul) perdesse a oportunidade de se transformar num mediador confiável que buscasse a reconciliação nacional como preconiza o  Papa Francisco.

Em choque

O blocão (que nada tem de ideológico)  formado por partidos liderados pelo PMDB na Câmara Federal para pressionar a presidente Dilma Rousseff que tenta recompor o Ministério, esvaziado por vários de seus ministros que saíram para disputar eleições, já sofreu uma perda: o PSD de Gilberto Kassab saltou fora. Nada de anormal a um político que crescido à sombra do PSDB (vice de José Serra), agora se vira contra seus benfeitores, tentando entregar São Paulo ao PT. O que se imagina é que o blocão não resista ao fim do Carnaval. Ou a meia dúzia de ministérios.