Novos números
Uma nova pesquisa do Ibope, patrocinada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) acaba de ser divulgada, excitando a imaginação dos políticos de todas as tendências. Para os petistas, a recuperação dos índices de reconhecimento do governo da presidente Dilma, embora muito longe ainda dos números alcançados antes de junho que, com as manifestações ocorridas despencaram a níveis que se aproximavam dos 30%, representam um alívio. A ponto do reeleito presidente do partido Rui Falcão já visualizar a possibilidade de uma vitória no primeiro turno. No segundo, se necessário, completa. O importante para ele, quando Dilma retorna ao patamar dos 45% é que o partido não calce salto alto e não nos leve à soberba. O ponto mais fraco do governo Dilma e de quase todos os governadores avaliados, continua sendo a saúde que, se o Globo Repórter de sexta-feira fosse exibido num horário mais nobre, teria criado novo abalo em suas avaliações. Pela matéria exibida, a saúde no Brasil, especialmente nas regiões mais necessitadas, continua abaixo da crítica. Não há programa Mais Médicos que a salve, é a impressão que fica quando duas médicas cubanas, em entrevista informal depois de percorrerem as áreas em que terão de atuar, afirmam que sem infraestrutura da área, pouco se pode fazer. Além de desnudar os desmandos do setor. Sete governadores, cujos governos foram pesquisados pelo Ibope, têm avaliação superior à da presidente. Ainda assim, de tranqüilizador só o surpreendente resultado do desconhecido Omar Aziz, do Amazonas, com 74% e Eduardo Campos (58%) que não vai tentar a reeleição. Inicia uma nova caminhada bem mais difícil: a conquista do Palácio do Planalto.
Apesar de…
O governador Beto Richa, mesmo com as dificuldades expostas pela imprensa nos últimos tempos, resultado principalmente das pedras colocadas no caminho dos empréstimos negociados pelo Paraná, dificultados a ele e facilitados a outros, como na semana passada ao governo da Bahia, por interferência direta do ministro Mantega, passando por cima das normas, não pode se queixar dos 45% de bom e ótimo da pesquisa. É o sétimo na avaliação dos 27 governadores.
Índices preocupantes
Muito mais difícil, em seu partido, é a situação de Geraldo Alckmin, em São Paulo, com apenas 31%. Compensada em termos de 2014, pela péssima avaliação do enorme eleitorado da capital a Fernando Haddad. Exigindo de Lula, uma concentração de esforços em São Paulo, para salvar o estrago do poste que ele ali plantou. Delicadíssima para o PT é também a avaliação do governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz: ridículos 9%. Igualmente para a campanha de Dilma, a difícil parceria com o governador do Rio, Sérgio Cabral, que chegou a preocupantes 18% de avaliação.
Perigo à vista
Se considerada isoladamente a situação de Dilma é bem razoável. Na medida em que se analisa as suas possíveis parcerias nos grandes redutos eleitorais, Rio, São Paulo, Minas, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Paraná, as coisas se complicam.
FOLCLORE POLÍTICO
A nova decisão judicial contra a permanência do ex-deputado Fábio Camargo no Tribunal de Contas, leva em consideração a maioria absoluta de votos que teria de ter obtido na escolha realizada pela Assembleia: 28 e não os 27 votos obtidos. Como ele e o deputado concorrente Plauto Miró, abstiveram-se de votar mas permaneceram no Plenário, seus votos podem ser considerados. O episódio lembra uma sacada do presidente da Assembleia catarinense, Volney Colaço de Oliveira, lá pelos idos de 1960. A bancada da oposição retira-se para não dar quorum para votação: 19 votos, se a memória não falha. Quando o líder está chegando à porta do cercadinho que caracterizava o plenário, Volney faz uma provocação. Os senhores estão se retirando em plena votação? É claro, responde o oposicionista. Eu sou contra esse projeto! Volney anuncia: Aprovado. 18 a favor. 1 contra.
