Flagrantes de uma trapaça
Retorno ao assunto com mais detalhes. Até porque, quando colocado anteriormente nesta coluna, alguns e.mails contestaram o comentário. Ocorre que desde o dia 27/2, quando o Ministério Público ofereceu ao Tribunal de Contas da União, denúncia contra a Petrobras, pouco tem sido dito sobre o assunto que, se chegar à Justiça, também será possivelmente tratado como segredo. É aquele caso da compra pela Petrobras de 50% de refinaria em território americano, a Pasadena Refining System Inc. Nome pomposo para instalações sucateadas que um esperto grupo belga, a Astra Oil, adquiriu. Por míseros US$ 42,5 milhões (janeiro de 2005). Quando se vê a seqüência das negociações, é impossível não entender que se tratou de uma grande e orquestrada trapaça, com participação de brasileiros com passagem pela Petrobras. Trocando em miúdos: do lado da Astra (belga), um cidadão brasileiro que negociou com a Petrobras: Alberto Feihaber, ex-funcionário da empresa. Pela Petrobras, quem teria preparado o relatório favorável à vantajosíssima compra dos 50% pela bagatela de US$ 360 milhões, seria Nestor Cerveró, à época à frente da área internacional da estatal brasileira, hoje diretor-financeiro da BR Distribuidora. Quem redigiu o contrato, incluiu um dado fantástico: em caso de desconforto de um dos sócios com o negócio, outro seria obrigado a adquirir os seus 50% (ano de 2006). Dois anos bastaram para o desconforto da Astra aparecer. Exigia US$ 700 milhões pela sua parte. A não concordância da Petro com o valor, levou as partes à justiça americana. Esta, ao contrário do que se vê por aqui, aplicou a máxima latina: pacta sun servanda – Execute-se o contrato (2008). Alguns detalhes adicionais são importantes: a presidente do Conselho da Petrobras, então Ministra-Chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, como costuma acontecer, melhorava seu salário como presidente do Conselho da Petrobras. Passou um sabão no presidente da empresa, José Sérgio Gabrielli e não se fala mais nisso! Quando assumiu o governo demitiu-o. Ele hoje presta seus conhecimentos à Bahia, como seu Secretário de Planejamento.
Pasadena (II)
Não fica por aí o assunto. Depois de comprar um mico por US$ 1,204 bilhão, a empresa brasileira que confirma a frase dita pela lindíssima loira esposa do Carlos Lira, em personagem criado para quadro do programa Viva o Gordo, da Globo: Brasilerro é tom bonzinho!; de adquirir uma sucata que não processa o petróleo brasileiro por ser pesado, vai ao mercado para vendê-la: a melhor oferta – US$ 180 milhões.
Pasadena (III)
Não admira pois que a ação da Petrobras, depois de sua valorização máxima de R$ 60 reais, tenha caído para R$ 16,00. Segunda-feira alcançava R$ 18,42. É de se imaginar a satisfação de seus acionistas minoritários, funcionários que tiveram o direito de adquirir suas ações utilizando o seu Fundo de Garantia, poucos anos atrás. Nem se culpe a atual diretoria presidida pela Dra. Graça Foster. O mal feito foi levado ao TCU, pelo seu procurador, Marinus Marsico.
Pasadena (IV)
Em sessão do Tribunal de Contas da União, esse procurador afirmou: Tudo indica que a Petrobras fez concessões atípicas à Astra (um eufemismo para não dizer que houve xunxo do grosso). Isso aconteceu em ano eleitoral, concluiu.
Pasadena (V)
A informação de que o Ministério Público investiga a operação é insuficiente. A Petrobras, ao invés da custosa campanha que insere nas televisões, exaltando todas as suas virtudes, deveria vir a público explicar que medidas estão sendo tomadas para punir os responsáveis por esse descalabro. Se a administração Graça Foster vender a Pasadena (Petrobras) terá que realizar aquele prejuízo de mais de US$ 1 bilhão. Se não vender acumulará permanentemente o prejuízo.
Em choque
Por essas e outras, a conclusão óbvia: se houve uma negociata, e tudo aponta para isso, os mensaleiros hoje condenados, são meros aprendizes de feiticeiro.
