Reforma fatiada
São tantas as dificuldades para se botar nos trilhos a incipiente democracia brasileira que o melhor seria seguir os métodos de Jack, o estripador, famoso criminoso que cortava suas vítimas em partes. Com 30 partidos e mais alguns em formação, sem ideologia, sem comprometimento de nenhuma espécie, os políticos sentem-se à vontade para fazer o que quiserem. Enquanto isso ocorrer, não teremos partidos e por conseqüência, nem políticos sérios. Como se nota, ainda que frouxamente, as novas mídias sociais estão agregando descontentamentos populares a modo de produzirem o impensável, tempos atrás: reunir 1,3 milhão de assinaturas para propor um projeto popular. Aconteceu com a Lei da Ficha Limpa, embora um pouco deturpada pelo Congresso e agora, com mais de 1,5 milhão de assinaturas (ninguém sabe onde isso pode chegar) pedindo a cassação do mandato de Renan Calheiros, que as velhas raposas insistiram em eleger presidente do Senado. São sinais de novos tempos que a classe política, leia-se, os velhos detentores do poder, incluindo o Lula, que de tanto fazer ouvidos de mercador já virou raposa velha, insistem em não enxergar. São momentos que os de minha geração talvez não vejam se completar mas, que sinalizam para um futuro diferente. Afinal, somos ainda um país jovem, cuja colonização demorou a se firmar. Tomando como modelo o desenvolvimento paranaense, temos pouco mais de meio século. Só o Paraná velho, de Curitiba, Paranaguá, Antonina, Lapa, Rio Negro, Castro, Ponta Grossa e Tibagi (com boa vontade chegando a Guarapuava), passam dos 150 anos. Londrina, Maringá, Campo Mourão, Cascavel e outras pouco menores chegam no máximo a 70, 80 anos de inserção no progresso. Nacionalmente, Brasília tem 52 anos. Há portanto que se acreditar em que as coisas não continuarão como estão. Um futuro mais sério está no horizonte brasileiro.
Efeito onda
Enquanto o governo Beto Richa se empenha em reunir a seu redor, siglas pouco confiáveis para o futuro, nas rodas sociais e nos seus apoios iniciais cresce o descontentamento. A impressão que fica nessas áreas é que a única preocupação é com 2014, não importando o que tenha para mostrar lá. A verdade é que a expectativa dos seus eleitores aponta mais para a frustração.
Para bom entendedor…
Verdade que Beto colheu um ambiente desfavorável na comunicação social que seu antecessor plantou. O corte de recursos do governo estadual a veículos que sempre o sustentaram, feito por Requião, abriu espaço a que adversários o ocupassem. Daí a perda na luta pela comunicação, hoje amplamente hostil a Beto, em favor de seus oponentes. Menos mal que pelo menos a Requião os espaços estão negados.
Pesos pesados
As informações vazadas sobre os acertos que se alinhavam na política governista, buscando esvaziar a candidatura de sua oponente, praticamente já definida, esbarram em situações que envolvem os protagonistas das próximas disputas, algumas delas insuperáveis. Três elementos são fundamentais: os irmãos Dias e o indomável Roberto Requião. Pessuti e os deputados da bancada do PMDB, se unidos acrescentarão alguma coisa. Isoladamente, quase nada.
Questão de Justiça
A coluna insiste numa tese: para se evitar situações como as atualmente vividas, com deputados veteranos tentando fazer com que se cumpra a criação de aposentadoria complementar a parlamentares estaduais, projeto que teve o veto de Requião derrubado mas depende agora de decisão judicial, liminarmente negada, o ideal é a não manutenção do direito de reeleições consecutivas. A quem ficou 20, 25 anos servindo ao povo na AL, uma aposentadoria mínima não pode ser negada.
Em choque
Teses como essa deveriam fazer parte de um pacote da, a esta altura fundamental reforma política. Obrigatoriedade de lançamento de candidaturas majoritárias por todos os partidos, acabando com o mercado de segundos nas TVs e eleições gerais, de vereador a Presidente, de 5 em 5 anos, seriam outras medidas salutares.
