Sem explicações

A visita do futuro presidente da Câmara Federal, Henrique Eduardo Alves,  ao governador Beto Richa e parte da bancada federal do Paraná, se garantiu apoios para sua eleição dada como certa, não esclareceu as situações denunciadas pela imprensa e que envolvem assessores de seu gabinete. Tratar o assunto como denúncias secundárias como tentou caracterizar o deputado petista André Vargas, de olho na 1a. vice-presidência,  é bem típico da política brasileira. Uma questão de somenos, garantem, até que escândalos maiores vêm à tona, como no caso do mensalão. Nem a justificativa de que um dos assessores implicados, num ato de lealdade, demitiu-se, é explicação. Importante era mostrar com comprovação, que as denúncias não tinham procedência. Assim caminha a política, nessa democracia de faz de conta em que o país está enredado. Diferentemente do que se vê hoje com freqüência na política americana em que democratas e republicanos defendem princípios (honorabilidade é fundamental) e precisam ser convencidos da importância de medidas em favor do país, para renderem-se a elas, ainda que parcialmente, por aqui, deputados e senadores rendem-se à ordem emanada do Planalto. De tal modo a ascendência dos executivos sobre os poderes teoricamente legiferantes, que a imagem do oposicionista está desaparecendo, até chegar ao absurdo da Câmara curitibana, onde de 38 vereadores apenas 1 faz oposição. Outros que teriam tudo para marcarem essa posição anunciam-se em postura de expectativa. De atos que se coadunem com as filosofias de seus partidos? Não! Apenas no atendimento a  interesses pessoais. Os postulados do partido pelo qual se elegeram, que vão às favas!

Atraso preocupante

O atraso na divulgação de nomes que comporão o novo quadro administrativo do Estado, dá margem a especulações que acabam gerando a necessidade do governador Beto Richa vir a público dar explicações. Nomes surgidos nos últimos dias, inclusive alguns que já ocupam diretorias de estatais, foram descartados. De seguro até agora, a mudança de Ghignone que deixa a Sanepar para presidir a Copel.

Pressões…

No secretariado, especula-se a recriação da secretaria de Governo, com funções meramente burocráticas, deixando à Casa Civil a condução da política de governo. Os nomes a ocuparem tais cargos devem ser objeto de muita análise, para evitar tropeços futuros. Partido a não criar problema, apenas o DEM, cuja direção reivindica a manutenção do espaço já conquistado, na certeza de que, especialmente Cássio, é um nome imprescindível no Planejamento.

…antecipadas

Já o ganancioso PMDB espicha os olhos para todos os lados. Reivindica participação muito maior. Para quem não ajudou a eleger Beto, ambição demais. Vale apenas por ter derrubado seu velho líder. O aproveitamento de Orlando Pessuti, co-responsável pela derrota de Requião, é dada como certa. O nome auto-anunciado de um deputado que vislumbrou sua ida para a Casa Civil, definitivamente está descartado.

Disputas acirradas

Embora os dois candidatos não tenham aceitado identificar na disputa pela presidência da Assomec (Associação dos Municípios da Região Metropolitana de Curitiba), a verdade é que o apoio de Gleisi ao petista Luizão Goulart (Pinhais) e de Beto à candidatura de Loreno Tolardo (Quatro Barras), essa eleição realizada ontem (até transformou-se numa preliminar de 2014. O que de resto vai acontecer daqui para a frente em qualquer disputa, até em eleição de síndico de prédio.

Em choque

A previsão anunciada aqui de que a ida de Ratinho Jr. para a Secretaria de Desenvolvimento Urbano não se consumasse, pelas ligações de seu pai com o ex-presidente Lula e com o atual governo, pelos laços comerciais (TVs e Rádios) e pelo tratamento que deu ao grupo de Beto na campanha (os cuecas de seda), será vencida pelo pragmatismo. Poderá ele no futuro, com o espaço que terá na Sedu, disputar a vice de Beto na reeleição, ou a prefeitura em 2016.