Cartão equivocado
Interessante o cartão de Natal enviado pelo ex-ministro José Dirceu, hoje um condenado do mensalão, supostamente encabeçado por ele, quando maior autoridade do país ao lado do presidente Lula. Força mal utilizada se real a existência dessa vergonhosa compra de votos no Congresso, reconhecida pelo Supremo, para garantir a continuidade do poder conquistado pelo PT, depois de três tentativas de campanhas presidenciais de Lula. Colocando-se como vítima inocente de um sistema democrático pelo qual lutou, e que pelas suas andanças agora tenta derrubar ao contestar a decisão de um dos poderes da República que, entendeu ser ele um dos responsáveis por essa medida anti-democrática: compra de votos no Legislativo. A menos que a democracia com que sonhou seja a cubana, ou a bolivariana que Chavez hoje tenta impor na América do Sul. Na que hoje vigora no país, salvo melhor juízo, os três poderes são independentes: Executivo, Legislativo e Judiciário. José Dirceu em sua mensagem equivocada faz referência à liberdade que quando jovem defendeu. E como antes não me desespero. Vou continuar lutando para que a verdade vença. A convocação que ele e alguns companheiros fazem para que se vá às ruas em sua defesa e contra a decisão do STF, se não estivéssemos num regime democrático, seria punido com a prisão imediata. É incitar o povo a derrubar um dos pilares da democracia. Donde se conclui que, esse regime hoje vivenciado no país, não é aquele pelo qual lutou. Interessa a ele e outros, implantar aqui uma democracia em que apenas o Poder Executivo tenha voz. O que pode ser questionado é a decisão de cassação de mandato dos deputados pelo STF. Direito que caberia a um Legislativo hoje ocupando o penúltimo lugar nas avaliações feitas junto à opinião pública.
Uma vez Roberto…
Num momento em que até alguns analistas que não lhe dão muito crédito reconheciam ter sido uma traição a postura de alguns companheiros que participaram da derrota imposta a ele por peemedebistas que ele ajudou a crescer, o senador Roberto Requião apronta mais uma das suas.
…sempre Roberto
Tira de pauta no Senado a autorização de um empréstimo do Bird, de US$ 350 milhões de dólares ao governo do Paraná. Isso depois de quatro empréstimos similares terem passado pelo crivo do Senado, em benefício da Bahia, Ceará, Rio Grande Do sul e Santa Catarina. Alegou não aceitar votar a proposta no escuro, repetindo o que já fizera, ao lado dos irmãos Álvaro e Osmar Dias, quando projeto de empréstimo japonês ao governo Jaime Lerner estava em votação. Empréstimo que levou dois anos para ser aprovado e do qual seu próprio governo depois se beneficiou, através a Sanepar.
Única voz contra
O ridículo da posição assumida pelo senador paranaense não se esgota aí. Grava uma explicação nas mídias sociais em que se refere a empréstimos anteriores do governo paranaense, que nada têm a ver com esse agora solicitado. O relator do projeto, senador Delcídio Amaral (que se limita a dar parecer favorável – mera formalidade) não soube explicar a Requião a que o empréstimo se destinava. Se bem avaliado, seu governo teria muitas explicações a dar especialmente em relação a recursos perdidos pela ferrovia que o Paraná pleiteava e pelo Porto de Paranaguá, administrado à época pelo melhor administrador portuário do Brasil: Eduardo Requião.
Em choque
O detalhe final: o projeto do empréstimo em discussão no Senado, passara pelo crivo de vários órgãos do governo federal (além do próprio Bird) e vinha autenticado pela ministra Chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann (que não tem nenhum interesse em botar recheio na empada do Beto Richa e pela presidente Dilma. Significa que Requião contesta todas as avaliações. Com o ex-Secretário de Segurança em sua assessoria, certamente teria dificuldade em analisar um projeto dessa envergadura.
