Fecharam-se seus olhos; sua obra é imorredoura!
De tudo que se escreveu sobre o gênio brasileiro Oscar Niemeyer, cuja morte o mundo lamenta, a coluna fica com o texto-síntese da presidente Dilma Rousseff: A gente tem que sonhar, senão as coisas não acontecem, dizia Oscar Niemeyer, o grande brasileiro que perdemos hoje (quarta-feira).E poucos sonharam tão intensamente e fizeram tantas coisas acontecerem como ele. A sua história não cabe nas pranchetas. Niemeyer foi um revolucionário, o mentor de uma nova arquitetura, bonita, lógica e, como ele mesmo definia, inventiva. Da sinuosidade da curva Niemeyer criou casas, palácios e cidades. Das injustiças do mundo, ele sonhou uma sociedade igualitária. Minha posição diante do mundo é de invariável revolta, dizia. Uma revolta que inspira a todos que o conheceram. […] O Brasil perdeu um de seus gênios. É tempo de chorar sua morte. É tempo de saudar sua vida, diz o texto da presidente Dilma. Numa homenagem mais do que merecida, Dilma ofereceu à família do arquiteto o Palácio do Planalto, uma de suas obras mais marcantes, para que o corpo fosse velado. Curitiba teve o privilégio de, nos últimos anos de sua vida, a convite do governador Jaime Lerner (arquiteto e urbanista como ele) receber sua marca: o Museu do Olho, hoje denominado MON (Museu Oscar Niemeyer).
Comunista romântico
Entre as inúmeras características de Niemeyer, algumas são relembradas com carinho pelos que o conheciam: era um comunista convicto; um comunismo romântico capaz de gestos como o que teve com seu camarada Carlos Prestes. Ao saber que este passava dificuldades financeiras, Niemeyer comprou um apartamento para ele.
Troca infeliz
Essa convicção política o fez vítima da sanha dos linha-dura do regime autoritário de 1964. Ele foi impedido de trabalhar no Brasil. Só não se lembraram tais intolerantes que diferentemente de muitos desses bestuntos, Niemeyer era um homem do mundo. Fixou-se em Paris, levando consigo a sua genialidade. Várias de suas obras internacionais são do período. Enquanto isso, alguns de seus algozes ficaram por aqui ‘produzindo obras hoje investigadas pela Comissão da Verdade’.
Detalhes sutis
Alguns detalhes que marcam a história de Oscar Niemeyer, mais complexa do que imaginam os que não leram a tese de doutorado de Kleber Ferraz Monteiro, defendida em 1959 na Universidade Politécnica de Madri, na Espanha, como lembra o jornalista paranaense José Carlos Fernandes, a coluna arrisca afirmar, hoje o maior cronista do cotidiano da intelectualidade brasileira. Um detalhe sutil ilustra a afirmação de Kleber: comunista e ateu, algumas das obras mais marcantes de Niemeyer, foram as igrejas que projetou.
Justificativa e...
Já que a coluna de hoje, como não poderia deixar de ser, foi parcialmente dedicada a uma pessoa do nível de Niemeyer, sobre quem ainda muito vai se escrever, vale aproveitá-la para fazer referência a outra pessoa de nossa maior estima. Felizmente em outra circunstância. Compromissos familiares de última hora impedem o colunista de estar presente à homenagem que será prestada a Ibrahim Faiad, em Cascavel, dia 14.
…respeito
Dupla homenagem por sinal: a Cidadania Honorária da bela Capital do Super-Oeste, concedida pela Câmara Municipal cascavelense, por iniciativa do vereador Nelson Padovani, e o título de Cidadão Benemérito do Paraná, proposto pelo deputado Elio Rusch, aprovado por unanimidade na Assembleia Legislativa do Paraná e sancionado pelo governador Beto Richa.
Frustração
Essas solenidades que se realizarão em torno da figura de Ibrahim Faiad, nascido na pequena e bela cidade do Norte Pioneiro, Wenceslau Braz, cuja carreira construída no saudoso Bamerindus levou sua competência e alto espírito social a inúmeras cidades do sudeste e do sul, fixando-se agora na região oeste do Paraná onde continua atuante, certamente terão um prestigiamento extraordinário. Momento feliz que o colunista, amigo e admirador, não terá infelizmente a oportunidade de assistir.
