Punição exemplar
A imagem que surge neste final de julgamento de crimes do colarinho branco que,
‘nunca neste país’ (embora o autor dessa expressão jamais acreditasse que se chegasse a isso), é dos antigos julgamentos. Das arenas romanas com povo nas arquibancadas baixando o polegar para encerrar o espetáculo que condenaria um cristão à morte; ou na revolução francesa com a turba mandando para a guilhotina os nobres da corte de Luiz XV. O fato palpável é que tanto ver prosperar a impunidade, num país em que parecia ser endêmica a corrupção, fruto da condescendência com que a própria Justiça atuava, absolvendo os seus iguais (ela própria eivada de corruptos), o brasileiro chegou quase a desanimar. Viu agora reacenderem suas esperanças num país mais justo, com a definição das penas a que estarão sujeitos, ainda não ultimadas pela falta de definição da dosimetria (oh palavrinha besta do juridiquês) , alguns que como outros tantos se julgaram acima de qualquer suspeita. Pode até ser que tenha ocorrido um ou outro exagero. Necessário porém para restabelecer a ordem e lembrar aos que pretendem continuar pela trilha da corrupção que parece começar a existir mais rigor legal neste brasilzão; que estamos entrando num novo tempo. Exemplo oportuno num país que exatamente agora aplica bilhões na preparação de uma Copa do Mundo e em seguida de uma Olimpíada. Que, já se anuncia dobrarão seus valores por atrasos, malversação e incompetência. Recursos que a exemplo dos trilhões já desviados durante os muitos anos em que a corrupção campeia, que poderiam ter transformado esta numa terra menos desigual. Que surjam outros Joaquins Barbosas!
Complementação
Depois desse julgamento que ficará na História, fica faltando ainda um acabamento a ser feito pela Justiça brasileira, que desde a atuação do CNJ começou a dar sinais de revitalização (Eliana Calmon foi o Joaquim Barbosa do CNJ). Falta agora nas punições, exigir a restituição do dinheiro surrupiado. Com juros e correção monetária à moda das multas que são aplicadas pelo governo (leia-se Receita Federal) aos pobres mortais brasileiros. Há muita fortuna indevida por aí!
Já previsto
Sete réus do mensalão, cinco que receberam votos pela condenação e dois pela absolvição, foram absovidos. Coerente com a postura que adora em outras ocasiões o presidente Ayres Britto já antecipara: Eu, em pronunciamentos outros, já me manifestei nesse sentido (absolvição). O empate opera em favor do réu, como projeção do princípio de não culpabilidade. Nada que não fosse previsto!
Divagando
Alguém lembrou que povo não deve precisar de heróis ( o nome do autor- me foge). Acontece que desde Cristo, de um tempo em que a palavra era registrada em hierogrifos, as pessoas tem necessidade de exemplos. Tanto que os Dele já atravessaram quase 2 mil anos. Curiosamente, até os que se intitulam ateus um dia repetem como Chico Buarque na letra que colocou sobre a música do Canhoto: Gente Humilde. E eu que não creio, peço a Deus por minha gente.
De arrepiar!
Enquanto Ratinho Jr. acusa a campanha de Gustavo Fruet na eleição curitibana, de usar documento apócrifo para assacar leviandades contra ele (documento de origem não reconhecida pela Polícia Federal), sua campanha denuncia o apoio de José Dirceu a Gustavo Fruet. Supostamente postado no Twitter do hoje condenado ex-ministro da Casa Civil de Lula. Estes últimos dias exigirão muito Engov da torcida.
Em choque
O debate de ontem na RIC deve ter seguido o padrão de sempre. A começar pelo horário absurdo! Neste último por óbvio, agresões e golpes abaixo da linhya de cintura. A seguir o exemplo dos últimos programas eleitorais em que até pesquisas proibidas foram exibidas. Um vale-tudo. Até quando vai-se manter os padrões publicitários de agora, sem que uma reforma da legislação acabe com as baixarias de campanhas, cuja punição deveria ser a cassação pura e simples da candidatura, é o que pergunta o desencantado eleitor obrigatório.
