Semana pesada
A semana será pesada politicamente: fim de campanhas eleitorais nos municípios (primeiro turno) e julgamento dos mais importantes réus do mensalão. O desespero que toma conta dos que já se vêem perdidos na disputa, certamente os obrigará a posições extremamente agressivas contra os adversários. No caso de municípios em que o segundo turno é certo, os derrotados prepararão o apoio a um dos que irão à disputa final, na base da teoria de que vá-se o anel, mas fique o dedo. Isto é; tentativa de conseguir algum acerto político posterior, capaz de garantir uma sobrevivência política. Afinal, neste regime político que se pratica no país, dentro de dois anos estará ocorrendo outra eleição. Os que hoje participam dessa disputa estarão na liça em 2014, em busca de outros cargos. Diga-se de passagem que, para muitos, a eleição de agora é a escada para um cargo de deputado estadual ou federal. Para os líderes maiores dos partidos em que parceiros importantes são réus no julgamento em andamento no STF a situação é delicada. Estão eles envolvidos em campanhas municipais, algumas das quais decisivas para o futuro partidário, caso de São Paulo, em que o ex-presidente Lula, por exemplo, empenha seu prestígio e com ele arrasta a presidente Dilma. Levar seu candidato Fernando Haddad ao segundo turno é fundamental para tentar reverter os resultados do primeiro turno, amplamente desfavoráveis, já que na maioria dos grandes centros eleitorais o PT passa dificuldades; fruto talvez do julgamento em foco no STF, que pode redundar nesta semana em prejuízo definitivo a Genoino, Delúbio e José Dirceu. Embora as pesquisas provem que muitos brasileiros, com suas proverbiais indiferenças, sejam indiferentes ao resultado desse processo, aos mais atentos, o resultado, se continuarem a ocorrer condenações, serão fundamentais.
Estranha coincidência
Uma coincidência curiosíssima, num país em que o jogo de bicho é proibido (apesar do número de jogos bancados pela Caixa Econômica e demais sorteios que pela lei devem ser fiscalizados pela Receita Federal): na semana, a centena do julgamento que se processa no STF, processo 470 – milhares 5470 e 8470 – deu duas vezes. Em matéria de ‘jogos proibidos’, o Brasil está bem servido.
Pai marqueteiro
Por decisão do apresentador Ratinho, pai do candidato que ponteia as pesquisas em Curitiba, Ratinho Jr., os cavaletes do candidato, forma de propaganda que inunda as ruas de Curitiba mudou de apresentação. Não mais as fotos do candidato e textos. Apenas a expressão novas idéias e número 20.
Cidade interiorana
Por sinal que, ele próprio (Ratinho pai) na onda dos que vieram a Curitiba em procura de oportunidades, radialista de origem em Jandaia do Sul, foi o único conselheiro dos atuais candidatos a perceber que Curitiba é hoje a maior cidade do interior do Paraná (imagem cunhada por este colunista). Sendo assim as campanhas baseadas nas grandes obras da Curitiba antiga, não falam aos arrivistas, especialmente aos mais jovens que sequer conheceram Ivo Arzua, Sabag, Lerner, Requião (prefeito
Prestígio familiar
Dos municípios do Paraná que contam hoje com mais de 200 mil eleitores, condição básica para que haja o segundo turno, talvez todos venham a contar com essa exigência legal. A única possibilidade de vitória no primeiro turno, a prevalecerem os dados das pesquisas divulgadas, será a de Marcelo Belinatti (PP), em Londrina. O fato de ser sobrinho de ex-prefeito cassado, não contaminou sua candidatura. Apesar do esforço dos adversários nesse sentido.
Em choque
Sob aplausos das noveleiras brasileiras (assistentes de novelas, especialmente as das 20 horas), ao final da semana o indigitado horário eleitoral dito gratuito, estará encerrado. A propósito é interessante lembrar que, por ser obrigatório nas redes abertas de TV, as audiências das TVs fechadas foram amplamente beneficiadas no período.
