“Hora H” faz varredura contra dengue neste sábado em Campo Mourão

A secretaria da Saúde de Campo Mourão promove neste sábado (19) a campanha Hora H Contra dengue. Será feita uma verdadeira varredura pela cidade no combate ao Aedes aegypti, mosquito transmissor da doença. A ação terá início a partir das 8 horas, em 21 localidades em situação mais crítica. Agentes de endemias e servidores da saúde farão o recolhimento de materiais que possam servir de criadouros para o mosquito de quintais de residências, vias públicas, terrenos baldios, e construções civis. 

“Foi provado no último levantamento que estamos com índice muito alto de infestação e a maioria dos locais dos focos são em materiais recicláveis”, falou a Coordenadora Geral de Campo dos Agentes de Endemias, Marinalva Ferreira da Luz, ao informar que a cidade tem até o momento 6 casos importados de dengue. 

De acordo com o primeiro Levantamento Rápido de Infestação do mosquito Aedes aegypti  (LIRAa) do ano, divulgado na última semana, o índice de infestação do Aedes em Campo Mourão está em 6,66%. O tolerável pela Organização Mundial de Saúde (OMS) é até 1%. Os números deixam Campo Mourão com alto risco para epidemia de dengue. 

Conforme o LIRAa, das 43 localidades analisadas, em 29 o índice ultrapassou 4% (alto risco). A região do Jardim Tropical II é a que enfrenta o maior índice de infestação: 19,61%.  As outras regiões em situação mais crítica são: jardim Paulista (15,79%); Modelo (15,63%); Fortunado Perdoncini (14,63%); Aurora (12,77%); Centro (10,64%); Laura (10,26%);  Pio XII (9,80%); Mario Figueiredo (9,68%); Cidade Nova (9,52%); Diamante Azul (9,43%); Ipe, Bandeirantes e Parigot de Souza (9,38%); Isabel (9,09%); Capricórnio (8,96%); Indianópolis (8,93%); Milton de Paula Walter (7,14%); Cidade Alta (6,90%); Aeroporto (6,45%); Vila Cândida e Cohapar (5,88%); Pq. São Francisco (5,71%); Flórida (5,56%); Nossa Senhora Aparecida (5,41%); Copacabana (5,17%); e Santa Cruz (4,26%). Todas estas regiões correm alto risco de epidemia. 

Foram pesquisados 1.817 imóveis, sendo encontrados 121 focos de dengue. A maior parte dos focos foi encontrada em residências: 85%; terrenos baldios (12%); e comércios (3%). Já os criadouros predominam em lixos como plásticos, vidro, papelão, e sucatas: 46%; piscinas (33%); vasos sanitários (13%); pneus (5%); tanques em obras, calhas, lajes  (1%); e árvores ocas (2%). “A dengue está preocupante porque temos o vetor, basta o vírus estar na nossa cidade. A população tem que fazer sua parte não deixando água parda”, pediu Marinalva, ao lembrar que a última epidemia de dengue no município foi registrada em 2013, com 8 mil casos e 4 mortes. 

Devido aos altos índices de larvas do mosquito da dengue registrados em Campo Mourão, a prefeitura passou a aplicar multas aos moradores que possuírem focos de dengue nas residências em que moram. As autuações passaram a ser aplicadas na hora.  As multas iniciam em R$ 140,00 podendo chegar até R$ 14 mil ou mais, dependendo da gravidade e da quantidade de focos encontrada no imóvel. 

“A cidade está infestada pelo mosquito e, considerando que vários municípios próximos estão em epidemia, estamos em um eminente risco também de entrar nesta situação. Os moradores precisam eliminar os focos para que o município saia deste risco. Infelizmente isso só acontece para alguns quando pesa no bolso”, comentou secretário de Saúde do município, Sérgio Henrique dos Santos.

Em Roncador, prefeitura faz limpeza de terrenos e vai começar com multas

A dengue preocupa também outras cidades da região. Em Roncador, foi divulgado nesta semana o novo índice do Lira, que atingiu 3,7% (médio risco de epidemia). Devido a situação, a prefeitura iniciou a limpeza de terrenos baldios de proprietários já notificados que não tomaram providências e vai iniciar a aplicação de multas a quem descuidar da dengue. 

De acordo com a coordenadora do departamento de endemias, Cleusa Castro, embora o índice ainda seja de médio risco, é um número preocupante. Ela lembrou que a cidade tem 9 casos confirmados da doença – 6 importados e 3 autóctones.  A coordenadora ressaltou que a prefeitura iniciará a execução dos serviços de limpeza dos terrenos cujos proprietários foram notificados, mas não regularizaram a situação. 

“Manter os terrenos limpos é responsabilidade do proprietário, mas a prefeitura pode executar o serviço de limpeza e remoção de lixo ou detritos, conforme previsto no código de postura do município. O código prevê ainda que as despesas de limpeza sejam lançadas no cadastro do proprietário do terreno. Além da inscrição das multas em dívida ativa, caso não seja efetuado o pagamento”, explicou Cleusa. 

Para a secretária municipal de Saúde, Simone Gonçalves, boa parte da comunidade aderiu à mobilização e está colaborando para eliminar os focos, mas há ainda as pessoas que não realizaram a limpeza necessária em seus terrenos. “Na maioria dos terrenos onde houve notificação, foram encontrados mais de cinco focos do mosquito, isso dificulta o controle da doença”, alertou.