‘A Sentença de Jesus Cristo’ leva o leitor entre fé, justiça e suspense político: lançamento 3 de junho
O que aconteceria se a sentença original de Jesus Cristo fosse parar, de forma misteriosa, nas mãos de um advogado brasileiro em plena década de 1980? É a partir dessa provocação que nasce “A Sentença de Jesus Cristo Vista por um Advogado – O Suplício do Doutor Pedro”, primeiro livro do advogado e procurador do município de Campo Mourão, Ciro Eduardo Gomes Broza. A obra literária será lançada no próximo dia 3 de junho, às 19 horas, na Casa da Cultura. “A Sentença de Jesus Cristo” leva leitor entre fé, justiça e suspense político.
Conforme Broza, a obra, percorre caminhos que vão além do universo jurídico. Entre referências bíblicas, reflexões sobre fé, movimentos políticos das Diretas Já e elementos de suspense, o livro constrói uma narrativa que mistura espiritualidade, drama humano e inquietações sociais em um Brasil que ainda reaprendia a respirar democracia.
“Tudo começa em uma tarde comum de sexta-feira, em 1985. No escritório silencioso de uma cidade fictícia, o advogado Pedro Lacerda recebe a visita inesperada de um pastor chamado Emmanuel — nome que, simbolicamente, significa ‘Deus conosco’. Não há consulta agendada. Não há processo comum. O visitante leva consigo um documento improvável: a sentença original de condenação de Jesus Cristo”, comentou o autor da obra.
A partir daquele encontro, disse, a rotina burocrática do advogado dá lugar a uma travessia íntima e existencial. Enquanto analisa juridicamente a condenação de Cristo sob os princípios modernos do direito — legalidade, devido processo legal, direitos humanos e humanidade das penas —, o personagem também revisita a própria fé. “Ele percebe a barbaridade que foi aquele julgamento. A ausência de defesa, a condenação, tudo aquilo começa a mexer profundamente com ele”, resumiu Broza em entrevista à TRIBUNA.
Mais do que um romance jurídico, o livro se transforma em uma espécie de jornada espiritual. Pedro, antes distante da religião e acostumado a uma fé mecânica, passa a enxergar a igreja, os ritos e a própria figura de Jesus Cristo de maneira diferente. Entre conversas com padres, leituras bíblicas e diálogos com a esposa Ana, o personagem mergulha em uma reconstrução pessoal marcada pela dúvida, pela dor e pela descoberta.
O autor admite que parte dessa transformação também atravessa sua própria história.
Católico, Broza contou que sempre frequentou a igreja, mas, durante muitos anos, enxergou a religião de forma mais racional e distante. Segundo ele, o casamento, a convivência com a esposa e até produções audiovisuais sobre a vida de Cristo despertaram uma aproximação mais profunda com a espiritualidade.
O advogado explicou que, embora o ponto de partida seja jurídico, o livro evita linguagem técnica excessiva. A ideia inicial, afirmou, era escrever uma obra voltada ao público do direito. No entanto, conforme a narrativa ganhava corpo, surgiram novos elementos: romance, política, perseguição, mistério e suspense.
A década de 1980 também se torna personagem da trama. Em meio às manifestações das Diretas Já e ao clima de reconstrução democrática do país, o protagonista passa a enxergar paralelos entre a condenação de Cristo e os debates contemporâneos sobre justiça, liberdade e dignidade humana. “Não queria escrever apenas sobre direito. Queria que qualquer pessoa pudesse ler”, afirma o autor.
O livro possui cerca de 250 páginas, divididas em 15 capítulos, todos iniciados com versículos bíblicos. Além da narrativa principal, a obra ainda traz, ao final, uma conversa direta com o leitor.
Broza revelou que a ideia nasceu há aproximadamente duas décadas, quando estudava para o exame da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e encontrou um material que reproduzia a sentença de Jesus Cristo sob análise penal. A inquietação permaneceu guardada por anos, até finalmente ganhar forma em 2025.
O autor definiu que a escrita veio quase de maneira compulsiva. “Parecia que eu tinha recebido uma inspiração. Eu escrevia oito, dez horas por dia”, contou. Procurador jurídico de Campo Mourão desde 2012, o autor construiu carreira voltada principalmente ao direito público e administrativo. Mesmo acostumado ao ambiente técnico das leis e tribunais, encontrou na literatura um espaço para explorar sentimentos mais humanos — especialmente aqueles ligados à injustiça, à perda, à perseguição e à fé.
Segundo ele, um dos maiores desafios foi justamente equilibrar o tom espiritual da narrativa sem transformar a obra em um romance excessivamente idealizado. “Nem sempre as pessoas vivem só a fé. Elas vivem a dor, a impotência, a perseguição e a injustiça”, analisou.
Publicada pela Editora Moai, a primeira edição terá acabamento de luxo, com capa dura e detalhes em dourado. A proposta, segundo o autor, é transformar o livro também em um objeto de afeto e coleção. Após o lançamento, os exemplares deverão ser comercializados pela internet, em livrarias de Campo Mourão e no Instagram: @ciro.broza e @carlaalum. Uma sessão de autógrafos também está prevista durante o evento de lançamento.
Broza enfatizou que, entre direito, religião, política e ficção, “A Sentença de Jesus Cristo Vista por um Advogado” aposta menos em respostas prontas e mais na inquietação. “E talvez seja justamente aí que esteja a força da obra: provocar no leitor não apenas curiosidade sobre o julgamento mais conhecido da história, mas também um olhar mais humano sobre fé, justiça e redenção”, observou.
Serviço
Lançamento do livro “A Sentença de Jesus Cristo Vista por um Advogado”
Local: Casa da Cultura
Data: 3 de junho
Horário: 19 horas
Sessão de autógrafos com o autor Ciro Eduardo Gomes Broza
Obra: “A Sentença de Jesus Cristo Vista por um Advogado – O Suplício do Doutor Pedro”
Editora: Editora Moai
Informações: Instagram @ciro.broza e @carlaalum

