Aos 101 anos, pioneira Leony segue como símbolo da educação e da história de Campo Mourão

A professora Leony Prado Andrade, pioneira da educação mourãoense e primeira mulher a receber o título de Cidadã Honorária de Campo Mourão, comemorou nessa quinta-feira (30), 101 anos de idade. Ela completou mais um ano de vida mantendo vivo um legado que atravessa gerações e ajudou a construir as bases do ensino no município.

Nascida em 30 de julho de 1925, em Guarapuava, Leony chegou a Campo Mourão em 1950, pouco depois de concluir sua formação como professora. O que seria apenas uma mudança de cidade acabou transformando sua trajetória e também a história da educação local. Seu primeiro dia de aula aconteceu em uma pequena sala anexa à antiga prefeitura de madeira, em frente à Praça Getúlio Vargas, onde foi recebida por dez crianças que foram buscá-la em casa para conduzi-la até a sala de aula. Aquele gesto marcava o início de uma carreira que deixaria marcas profundas no município.

Leony participou diretamente da consolidação do ensino público em Campo Mourão. Em 1952, esteve entre os educadores que acompanharam a inauguração do então Grupo Escolar de Campo Mourão, embrião do atual Colégio Marechal Rondon. Anos depois, foi ela quem sugeriu o nome da instituição em homenagem ao Marechal Cândido Rondon, denominação aceita pelo Governo do Estado e mantida até hoje.

Além da visita de Consuelo, a aniversariante recebeu também homenagens da ex-primeira dama de Campo Mourão, Hosana Avila Tezelli; e da chefe do Núcleo Regional de Educação, Ivete Keiko Sakuno Carlos

Em 30 de novembro de 1955, assumiu a direção do colégio, função que exerceu durante três décadas, até a aposentadoria, em 1985. Mesmo após deixar o cargo, permaneceu colaborando com a educação mourãoense como auxiliar educacional. Também participou da criação da Escola Normal Regional Emiliano Perneta e da Escola de Formação de Professores João d’Oliveira Gomes, contribuindo para a formação de centenas de professores que mais tarde atuariam em Campo Mourão e em toda a região.

O reconhecimento pelo trabalho veio em 1984, quando se tornou a primeira mulher a receber o título de Cidadã Honorária de Campo Mourão, honraria concedida em reconhecimento à contribuição para o desenvolvimento educacional do município. Ao longo da vida, também colaborou com a preservação da memória local, doando ao Museu Municipal Deolindo Mendes Pereira centenas de fotografias, documentos e objetos históricos pertencentes à família.

Mesmo centenária, Leony continuou demonstrando o amor pelo conhecimento. Em reportagem publicada pela Tribuna do Interior quando completou 100 anos, ela mantinha uma rotina disciplinada, com alimentação equilibrada, exercícios cognitivos e o hábito de compartilhar ensinamentos de história, geografia e português com suas cuidadoras. Também fazia questão de cantar o Hino Nacional, o Hino de Campo Mourão e antigas marchinhas, preservando a memória e a cultura que ajudou a construir.

Mais de sete décadas após iniciar sua missão como professora em Campo Mourão, a professora permanece como uma das maiores referências da educação e da história do município. Aos 101 anos, sua trajetória continua sendo inspiração para educadores, ex-alunos e a sociedade em geral. Dona Leony tem uma filha, Joana d’Arc, é avó de Carolina e Victor, e bisavó de Olívia, que residem nos Estados Unidos.

Além de ter sido diretora da Escola Marechal Rondon, Leony também participou da criação da Escola Normal Regional Emiliano Perneta e da Escola de Formação de Professores João d’Oliveira Gomes. Foi a primeira mulher a receber o título de Cidadania Honorária de Campo Mourão, em 1984