Campo Mourão tem 62 associações de moradores, mas minoria é atuante

Com mais de 150 bairros, o município de Campo Mourão conta com 62 associações de moradores legalmente constituídas, segundo levantamento da Uprescam (União de Presidentes de Associações de Moradores de Campo Mourão). Entretanto, as que podem ser consideradas atuantes no que se refere a representação e ações envolvendo a comunidade não passam de 10.

Segundo o presidente da Uprescam, o aposentado Lineo Cesar de Quadros, a maior dificuldade enfrentada pelas diretorias é a falta de interesse das pessoas nos assuntos do próprio bairro. O presidente assume a diretoria empolgado, mas convoca reunião aparecem duas, três pessoas. Aí vai desanimando, analisa Quadros, que preside a Uprescam desde sua criação, em 2008, quando a cidade tinha apenas 13 associações.

Além do desinteresse da comunidade, as diretorias também esbarram na burocracia e até despesas que envolvem a formalização e trabalhos da entidade. É um serviço voluntário em que especialmente o presidente tem despesas. Se quiser cobrar um real que seja de cada morador do bairro para o caixa da associação, as pessoas não pagam, pondera Quadros, que procura incentivar os presidentes a organizarem eventos e promoções para arrecadação de fundos.

Mas as despesas não envolvem só locomoção e documentos. Cada mudança de diretoria deve ser registrada em cartório, o que custa atualmente R$ 78,00. Além disso, uma vez formalizada com CNPJ, a entidade tem que prestar contas anualmente à Receita Federal, mesmo que não tenha movimentação financeira. Das 62, só 54 estão legalizadas com CNPJ e dessas, 12 estão inadimplentes com a prestação de contas.

Tem presidente com três ou quatro mandatos que querem entregar o cargo mas não aparece ninguém no bairro interessado. Aí tem que reunir a diretoria e lavrar uma ata para prorrogar. Tudo isso são entraves que as associações enfrentam, acentua. Para criação de uma associação, o bairro (ou bairros que farão parte dela) tem que ter pelo menos 30 por cento dos imóveis com moradias.

A falta de sede é outro fator que atrapalha a entidade. Apenas as comunidades rurais e as associações da Vila Urupês, Lar Paraná e Cidade Nova têm sede própria. Nas demais, a sede é a casa do presidente ou de alguém da diretoria e isso também é uma dificuldade, comenta Lineo, ao lembrar que a maioria dos presidentes trabalha e tem pouco tempo para se dedicar a associação.

Com a experiência de ter trabalhado também como assessor parlamentar na Câmara de Vereadores, Lineo reconhece que a pouca participação das pessoas nas associações também reflete nas sessões da Câmara. São sempre os mesmos que participam. Nem as audiências públicas de prestação de contas atrai a população, observa. Nem mesmo os presidentes das associações costumam acompanhar as sessões do Poder Legislativo.

Exemplo

Além de presidir a Uprescam, Lineo é vice-presidente da Associação do Jardim Araucária, uma das mais atuantes. Com mais de 30 anos de fundação, a associação está construindo a sede com recursos próprios e também tem projeto de construção de uma praça. A festa junina do bairro é uma das mais famosas da cidade e a renda é utilizada para melhorias na comunidade.

O trabalho de conscientização ambiental é outra iniciativa da associação, que consegue envolver os moradores. Uma associação atuante consegue muitas melhorias para o bairro. A nossa aqui e algumas outras são exemplos de que é possível fazer um bom trabalho e caminhar com as próprias pernas quando os moradores, de fato, se envolvem, complementa.