Coleção de bicicletas monaretas vira hobby de oficial de justiça de Campo Mourão
Um ambiente da casa do oficial de justiça Emerson Pelisser, em Campo Mourão, é reservado a uma coleção que ele tem um cuidado todo especial. Lá estão guardadas 35 bicicletas Monaretas, um modelo da Monark que fez sucesso entre as décadas de 1970 e 1980. Antes da pandemia ele costumava levá-las em exposição junto com carros antigos. Mas agora elas estão até empoeiradas.
“Desde criança sempre gostei de fazer coleção. Como tive uma Monareta 1977, depois de adulto resolvi colecionar”, explica Emerson, que iniciou a coleção em 2013. Como o último modelo de Monareta foi fabricada em 1987, ele teve dificuldades. “Fui atrás de conseguir peças de bicicletas desmontadas e ia reformando. Não gostei do resultado. Aí comecei buscar na internet bicicletas originais, bem conservadas para comprar”, conta.
O investimento, segundo ele, varia na média de R$ 1 mil cada uma. E Emerson não costuma andar de bicicleta. “É só pelo hobby de colecionar mesmo”, reforça o colecionador, que já participou de exposições em outras cidades, como Cascavel. Segundo ele, a coleção atrai a curiosidade nas exposições. “Tem gente que já teve que chega lacrimejar os olhos, mostrando algum modelo igual a que tinha. Alguns querem comprar, mas quando falo o preço eles desistem”, revela.
Pelo que pesquisou, ele acredita que em todo o país tem no máximo seis colecionadores de Monareta. “Só conheço um em Santa Catarina e outro em São Paulo”, comenta Emerson, que também gosta de colecionar vídeo games e carrinhos de corrida.
A Monareta
A Monareta teve seu nome inspirado num famoso ciclomotor da Monark dos anos 1950 e 60. Começou a ser fabricada em 1966, quando as “bikes” eram emplacadas. Seu nome era Monareta Gemini (nome do sistema que a tornava portátil, herdado da missão Apolo, precursor do sistema Dobramatic).
No início dos anos 1970, quando já adotava um novo desenho, que a Monareta começou a alcançar o sucesso de vendas. De desenho bastante agradável agradou em cheio ao público jovem e começou a incomodar a concorrência (Caloi). Este modelo teve algumas versões de acabamento, entre as quais a série Brasil de Ouro, Águia de Ouro e Olé 70. Em 1973, focando o público adolescente, foi lançado no mercado a série Brasil de Ouro – Jet Black, que possuía paralamas e cobre corrente cromados, entre outros acessórios.
Em 1974 sofreu nova reformulação no desenho, mais sensível na parte traseira (garupa), que deixava de lado o desenho retangular para adotar um desenho com um ângulo reto de 90º, que agradou em cheio ao público. No início dos anos 1980 sofreu uma nova mudança no desenho, também mais destacado na garupa, além de um novo guidão e novo desenho na caixa da coroa.
O modelo 82 oferecia um novo acabamento, onde os paralamas eram cromados. Entretanto, esta nova versão não obteve êxito e voltou ao padrão anterior, onde os paralamas vinham com um tom diferente (mais claro) em relação ao Quadro. Em 1988, a Monareta já não tinha mais a vitalidade de antes, ao passo que o mercado já oferecia novas tendências (Mountain bikes, bicicross, etc) que agradavam mais ao público e teve o fim da sua fabricação.


