Colheita de trigo avança na região, mas excesso de chuvas preocupa
A colheita do trigo segue avançando na regional de Campo Mourão, alcançando esta semana 52% da área cultivada. Mas o excesso de chuva preocupa os produtores justamente quando a maior parte das lavouras está pronta para ser colhida.
Conforme o último balanço divulgado pelo Departamento de Economia Rural (Deral), órgão vinculado à Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), a região plantou 57,6 mil hectares nesta safra. Até o momento, 29.952 hectares foram colhidos. Entre as áreas que permanecem no campo, 99% apresentam boas condições e 1% está em condição ruim. Do total ainda não colhido, 91% encontra-se em maturação e 9% em frutificação.
A produção do Núcleo Regional de Campo Mourão está estimada em 172.349 toneladas, conforme o último levantamento mensal do Deral. O volume representa cerca de 7,3% de todo o trigo que deve ser produzido no Paraná nesta safra.
A TRIBUNA ouviu o agente técnico do Deral em Campo Mourão, Paulo Borges, que percorre semanalmente a região para acompanhar as lavouras junto aos produtores. Segundo ele, o problema neste momento é o excesso de chuva. Borges adiantou que as condições climáticas atuais irão interferir diretamente no potencial produtivo da planta. “A produção vai cair bastante depois destas chuvas. Ainda ontem [quinta-feira, 17], estive a campo conversando com alguns produtores que estão colhendo e têm nos relatado isso”, frisou.
As precipitações registradas nos últimos dias interromperam ou reduziram o ritmo da colheita quando boa parte do trigo atingiu a maturação. A previsão de novas chuvas aumenta a preocupação com as áreas que estão prontas para a retirada dos grãos.
“A permanência do trigo maduro no campo, sob alta umidade, pode provocar redução do peso dos grãos, perda de qualidade, aumento da incidência de doenças, acamamento das plantas e queda de produtividade”, explicou Borges.
O técnico alertou também para o registro de casos de brusone e outras doenças de espiga, além das dificuldades para a aplicação de fungicidas nas áreas ainda no estágio de frutificação. “Com o solo molhado e a sequência de chuvas, os produtores têm menos tempo para entrar nas lavouras e realizar os tratamentos necessários”, frisou.
A colheita na regional de Campo Mourão está mais adiantada que a média estadual. No Paraná, 29% da área havia sido colhida até o levantamento mais recente do Deral. Das lavouras ainda no campo, 75% estavam em boas condições, 22% em situação média e 3% em condição ruim.
O Paraná cultivou 726,9 mil hectares de trigo e espera colher 2,369 milhões de toneladas. Se confirmada, a produção será 18% menor que a da safra passada, quando chegou a 2,881 milhões de toneladas. A área plantada também foi reduzida em 11%.
O boletim estadual aponta que a chuva vem atrasando a colheita em outras regiões. Além da perda de peso, o excesso de umidade pode comprometer a qualidade dos grãos. Ventos fortes ainda provocaram acamamento em pontos isolados.
Os primeiros resultados de produtividade no Paraná ficaram abaixo do esperado. Apesar disso, o Deral considera prematuro projetar novas perdas para toda a safra, já que a colheita começa agora a avançar sobre áreas que receberam volumes maiores de chuva.
Preços
Enquanto aumenta a preocupação com a produção, os preços apresentam reação. No início de setembro, a saca de 60 quilos era negociada por R$ 78,00 ou mais na maioria das regiões do Paraná. O valor está acima da média de agosto, de R$ 74,90, e próximo do custo variável calculado pelo Deral, de R$ 77,18 por saca. A valorização está relacionada à redução da área plantada, aos riscos climáticos e ao cenário internacional.

