Colheita do milho safrinha avança na Comcam com bons preços ao produtor
O clima seco dos últimos dias está contribuindo para o avanço da colheita do milho safrinha (safra 2019/2020) na região de Campo Mourão. De acordo com levantamento do Departamento de Economia Rural (Deral), órgão ligado à Secretaria da Agricultura do Estado, a colheita atingiu 17% da área cultivada na Comcam.
A expectativa é que os trabalhos de retirada da safra do campo sejam concluídos até o fim de agosto. De acordo com o Deral, a área plantada com o cereal na Comcam é de 343.618 hectares, dos quais foram colhidos até o momento 58.415 hectares. A produção estimada na região é de 2,1 milhões de toneladas nesta temporada.
Na propriedade do agricultor Ivar Tonete, em Campo Mourão, os trabalhos nos campos ainda estão começando, ele colheu cerca de 10% dos 160 alqueires semeados. Tonete comentou que apesar de duas estiagens prolongadas, a produção está superando as expectativas. A média de produção na sua propriedade está sendo de 260 sacas por alqueire.
“A produção está surpreendendo, esperávamos quebra por causa da estiagem, mas está sendo o contrário”, falou. Segundo ele, os preços também estão animadores. Nessa quinta-feira, a saca de 60 quilos do cereal foi cotada a R$ 41,50. “O preço está bom”, falou, ao comentar que o custo de produção por saca está na medida de R$ 36,00.
De acordo com o Deral, o volume de produção está dentro da expectativa na região de Campo Mourão, 5.700 quilos por hectare. Algumas áreas estão apresentando rendimento acima desta média e outras abaixo. Na Comcam, a região de Ubiratã é que mais registra perdas em decorrência de um ciclone extratropical que atingiu lavouras de milho que estavam prontas para colheita no dia 30 de junho. Há produtores que perderam mais de 70% da produção.
O Deral avalia que cerca de 20% da área total com milho, o equivalente a 57.041 hectares, esteja em condições ruins na Comcam; 114.081 hectares (40%) em condições medianas; e 114.081 hectares (40%), apresentam boas condições. Ainda de acordo com os dados, 5% da área se encontra na fase de frutificação e 95% em maturação.
A safra 2019/20 de milho 2ª safra teve um crescimento de 2,04% em relação a safra passada. Em 2019 os produtores rurais dedicaram 335,5 mil hectares para o milho. A produção naquele ano foi de 1,9 milhão de toneladas.
Segundo o Deral, em condições dentro da média histórica, seria comum que com a oferta maior do produto as cotações do cereal tivessem queda nessa época do ano. Mas não é o que está acontecendo. Nessa segunda-feira (20), praticamente todas as principais praças paranaenses praticaram preços entre R$ 40 a R$ 41,50 a saca de 60 quilos. O principal fator para explicar essa conjuntura é o dólar alto (R$ 5,38 neste dia 20 de julho).
Outro aspecto são perdas na produção, em decorrência da estiagem prolongada durante o desenvolvimento da cultura. Dados divulgados pelo Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) indicaram que a região enfrentou a pior estiagem dos últimos 5 anos. E entre os meses de junho de 2019 a março de 2020, os índices pluviométricos ficaram abaixo das médias históricas.
Paraná
De acordo com o Deral, estimativa era que o Paraná produzisse 13,9 milhões de toneladas de milho, porém a previsão foi reduzida para 11,4 milhões de toneladas, uma queda em torno de 15%. Como a colheita ainda no início, o Deral recomenda aos produtores que acompanhem os preços com cautela já que cerca de um terço do que deve ser colhido já está negociado pelo produtor no Estado.

