Doenças causadas pela cigarrinha serão cobertas pelo Proagro
Os produtores rurais que sofrerem perdas nas lavouras causadas por doenças transmitidas pela cigarrinha do milho (Dalbulus maidis) terão cobertura pelo Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro), conforme decisão anunciada recentemente pelo Banco Central. A praga é uma das principais preocupações de agricultores na região de Campo Mourão.
Para a medida, o Banco Central considera que não existe, atualmente, método difundido de combate, controle ou profilaxia, que seja técnica e economicamente exequível contra o inseto, que coloca em risco a produção da cultura. A região da Comcam já vem registrando a ocorrência da praga em safras anteriores.
Já em vigor, a nova regra passa a valer para os próximos acionamentos de cobertura. Quem teve o pedido de indenização negado, a partir de 1º de julho de 2020, devido às perdas decorrentes de doenças transmitidas pela cigarrinha, passará por revisão e deferimento pelos agentes do Proagro. A orientação pode ser alterada futuramente, caso sejam desenvolvidos métodos de combate e controle técnica e economicamente efetivos e viáveis da praga.
“A nova medida é importante para os produtores de milho, diante do crescimento da incidência de casos da cigarrinha”, observou o engenheiro agrônomo do IDR-PR, Claudinei Antonio Minchio; doutor em fitossanidade, pioneiro no Paraná com estudos sobre o inseto. Ele lembra que a cigarrinha atua como vetor de doenças, causando os chamados “enfezamentos”, além de tombamento e morte precoce das plantas, que podem levar à redução significativa da produção. Em casos de ataque severo ao milharal, o prejuízo pode chegar a 70%.
Na Comcam o milho segunda safra ocupa uma área de 343.600 hectares, enquanto no Paraná são 2,4 milhões. A produção estadual corresponde a 14,7 % da produção nacional de milho. “A cultura do milho enfrenta hoje um dos seus maiores problemas fitossanitários causados pelo aumento da pressão de pragas e doenças, tendo como causa o crescimento da área de milho safrinha e pela adoção de sistemas irrigados, quebrando o intervalo de plantio, pois é cultivado praticamente o ano todo, e em todo o Brasil. Um dos fatores limitantes à produção de milho hoje no País é a cigarrinha do milho”, falou Minchio em recente entrevista à TRIBUNA.
Segundo ele, na região de Campo Mourão a situação não é diferente, haja vista que o inseto já está disseminado por toda a área de produção. “Seus danos são diretos, quando a praga, em população muito elevada, suga a seiva continuamente da planta do milho, levando a planta à exaustão e ao desenvolvimento de fumagina sobre as suas folhas. Também produz danos indiretos quando a cigarrinha do milho se torna vetor de transmissão de doenças do complexo dos enfezamentos, causados por microrganismos: molicutes (semelhantes a bactérias) e vírus”, explicou.
De acordo com o agrônomo, há pelo menos dois anos a ocorrência da cigarrinha vem aumentando no Estado. Ele ressalta que o controle da cigarrinha do milho deve passar por monitoramento intenso e que não pode ficar restrito a apenas uma propriedade. “Toda a comunidade de produtores tem que se envolver para evitar migrações da cigarrinha de uma área para outra. Além do controle do milho tiguera, do híbrido suscetível a enfezamentos, deve-se incorporar às causas do aumento populacional da cigarrinha o fato de estarmos utilizando excessivamente o controle químico”, acrescentou.

