Em risco de epidemia de dengue, agentes acham de garrafas a eletrodomésticos pelas ruas de CM
Garrafas, plásticos, pneus, móveis velhos, e até televisores foram encontrados por agentes de saúde de Campo Mourão e membros da sociedade civil organizada neste sábado, durante um arrastão contra a dengue. Lamentavelmente os materiais foram encontrados descartados irregularmente em terrenos baldios, canteiros centrais de avenidas e até mesmo em plena vias públicas da cidade. Um retrato do descaso de alguns moradores com a saúde pública, principalmente neste momento que o município enfrenta alto risco para uma epidemia de dengue.
“Infelizmente algumas pessoas não aprendem ou fazem de propósito descartando estes materiais em locais inadequados, aumentando ainda mais o risco da cidade entrar em epidemia de dengue. Só que esta pessoa não imagina que um próprio familiar seu pode pegar a doença. Só temos a lamentar”, falou um dos agentes de saúde que participou do arrastão.
A reportagem acompanhou os profissionais em algumas áreas da cidade, e a realidade é desastrosa: muita sujeira e em alguns casos até mesmo focos (larvas) do Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue. Até mesmo em vias centrais da cidade, como em alguns trechos da Avenida João Bento, por exemplo, são encontrados restos de móveis velhos descartados irregularmente por moradores nos canteiros centrais. “Muito triste, algumas pessoas só aprendem quando sentem na pele ou pesa no bolso”, falou o agente.
O arrastão teve início às 8 horas e será realizado até o meio dia em 21 localidades onde a infestação do mosquito está mais crítica. Os materiais encontrados estão sendo depositados em sacos e serão recolhidos posteriormente por um caminhão da prefeitura para o descarte correto.
De acordo com o último Levantamento Rápido de Infestação do mosquito Aedes aegypti (LIRAa) do ano, o índice de infestação do Aedes em Campo Mourão está em 6,66%. Das 43 localidades analisadas, em 29 o índice ultrapassou 4% (alto risco). A região do Jardim Tropical II é a que enfrenta o maior índice de infestação: 19,61%. As outras regiões em situação mais crítica são: jardim Paulista (15,79%); Modelo (15,63%); Fortunado Perdoncini (14,63%); Aurora (12,77%); Centro (10,64%); Laura (10,26%); Pio XII (9,80%); Mario Figueiredo (9,68%); Cidade Nova (9,52%); Diamante Azul (9,43%); Ipe, Bandeirantes e Parigot de Souza (9,38%); e Isabel (9,09%).
A maior parte dos focos do mosquito foi encontrada em residências: 85%; terrenos baldios (12%); e comércios (3%), os criadouros predominam em lixos como plásticos, vidro, papelão, e sucatas: 46% e piscinas, 33%. Até o momento a cidade está com 6 casos confirmados da doença. Devido a situação crítica, a prefeitura começou a multar os moradores onde está sendo encontrado foco da dengue. As multas variam de R$ 140,00 a R$ 14 mil, de acordo com a gravidade da situação.

