Empresa de Campo Mourão vendia produtos na internet, mas não entregava. Clientes denunciam prejuízos

Caixas de assinatura de produtos de beleza são a febre do momento entre o público feminino. Com ofertas tentadoras e a proposta chamativa de autoestima, vêm cada vez mais ganhando espaço. Mas a Best Box, de Campo Mourão, transformou em pesadelo a compra por milhares de mulheres. 

 A TRIBUNA foi procurada por várias clientes da empresa, que denunciaram terem sido lesadas. Segundo elas, de repente pararam de receber os produtos adquiridos já pagos. E não conseguem o reembolso. Algumas dizem ainda que os cosméticos que estão recebendo estão fora do seu perfil especificado em contrato, preenchido no momento da assinatura. Também não receberam brindes prometidos, como previsto na proposta e, ainda, relatam atrasos na entrega, de dois a três meses. Isso quando receberam aquilo que compraram.

A caixinha de assinatura, como o próprio nome sugere, é uma assinatura de um serviço por um valor específico, que varia de acordo com o segmento escolhido. Dá ao assinante uma caixa com produtos sortidos. Atualmente existem vários clubes de assinatura, principalmente quando o assunto é produto de beleza. Oferece aos seus consumidores produtos de maquiagem e cuidados com a pele. Geralmente divulgam marcas conceituadas no mercado e com um melhor custo benefício para atrair uma maior clientela.

No caso da Best Box, as mulheres têm duas opções de plano de assinatura: semestral e anual. Os valores variam de acordo com a quantidade de produtos contratados. Podem ser planos de R$ 485,00; R$ 650,00; R$ 890,00, entre outros. O problema é que mesmo a empresa não cumprindo com a entrega dos produtos, as clientes não estão conseguindo estorno dos valores, ficando no prejuízo. Algumas não conseguem nem mesmo o cancelamento da compra com a operadora de crédito. Estão de mãos atadas. Se sentindo enganadas.

Tentando uma solução para o caso, as clientes criaram grupos no WhatsApp onde compartilham informações e relatam os prejuízos. Diga-se de passagem, altíssimos. Somente no site “Reclame Aqui”, existem 1.635 reclamações registradas de pessoas que compraram da empresa, mas não receberam os produtos. Ou receberam as mercadorias fora dos padrões contratuais. 

A Best Box foi fundada em maio 2007, com um capital social de R$ 20.000,00. Sua razão social é T. Leite da Silva – Cosmeticos e Perfumaria. Continua ativa. A reportagem esteve na sede da loja, na Perimetral Tancredo de Almeida Neves, na tarde de sexta-feira (18). Constatou a movimentação de pessoas no local. Aparentemente trabalhando. No espaço, um enorme galpão de cerca de 200 metros quadrados, também encontrou uma quantidade imensa de caixas de produtos. Porém, não foi autorizada a entrar no local.  

A loja tem uma carta de cerca de 15 mil clientes. Para se ter ideia, somente em um dos grupos em que a reportagem acompanha, são 760 pessoas com queixas contra ela. Há denúncias de várias regiões do Brasil: Paraná, Rio de Janeiro, São Paulo, Goiás, Minas Gerais, entre outros. 

Em Campo Mourão, há um boletim de ocorrência registrado na Polícia Civil, contra a empresa, no dia 22 de maio deste ano. O delegado chefe da 16ª Subdivisão Policial, Nilson Rodrigues, informou que instaurará um inquérito investigatório para apuração dos fatos. Já no Procon da cidade, não há queixas envolvendo a loja. 

Após as milhares de reclamações, o site de vendas do estabelecimento foi bloqueado na internet. A proprietária conseguiu voltar ao ar por alguns dias. Mas logo ‘caiu’ novamente. “Esta loja foi bloqueada para acesso”, diz o comunicado no site. Porém, até que isso ocorresse, novas assinaturas vinham sendo realizadas, mesmo com a empresa tendo conhecimento de que não poderia cumprir com a entrega. Resultado: mais pessoas no prejuízo. 

Na página virtual da loja, consta agora apenas o e-mail para contato: [email protected] No instagram (@bestboxclubebr), com 146.000 seguidores, as vendas aparecem como ‘bloqueadas para novas assinantes’. A TRIBUNA teve conhecimento, nesta segunda-feira (21), que clientes de Campo Mourão foram avisadas pela loja de que o estabelecimento entraria em contato com elas. “Fiquem atentas”, diz o comunicado publicado em um dos grupos de WhatsApp, a qual a reportagem frequenta.

Denúncias

A TRIBUNA foi procurada no dia 21 de maio. A vítima, a publicitária Natália Ferreira, de São Paulo (capital), que relatou o caso. Natália informou que fez a assinatura em outubro de 2020. A primeira caixinha com os produtos recebeu no prazo. Porém, as demais, sempre com dois ou três meses de atraso. Ela disse que acreditava se tratar apenas de problemas logísticos. Por isso resolveu renovar o plano semestral em abril deste ano. 

Porém, dois meses se passaram e até o momento não recebeu nenhuma das caixinhas. Do primeiro plano, no valor de 485,00, recebeu cinco das seis caixas. Ou seja falta uma ainda. Da segunda assinatura, no valor de 323,00, nada até o momento. Como já pagou duas mensalidades do plano atual, não recebeu os produtos, não consegue a devolução do dinheiro e nem mesmo contato com a empresa, recorreu à imprensa para pedir ajuda. Procurou também uma advogada. Ingressou com ação na Justiça. Tenta, no mínimo, a reparação dos danos. A decepção e sentimento de enganada só o tempo apagará. 

“Entrei com ação na Justiça por danos morais e materiais. Não é tanto pelo valor em si, mas sim pela sacanagem. Tem pessoas que fizeram empréstimos para fazer a assinatura. Não é justo que isso aconteça. Tem meninas que acabaram de fazer assinatura e não tem noção da encrenca que estão entrando”, indignou-se. 

Ela disse que foram vários os contatos com a proprietária da Best Box, que inclusive estava em um dos grupos. Porém, sem acordos. “Em uma das ocasiões ela até se fez de vítima. Disse que a empresa foi vendida e que em 30 dias as coisas seriam resolvidas”, disse Natália. 

A moradora de Ubiratã, Lucineia Pardinho, é outra que denuncia a empresa. Ela fez uma assinatura anual, no final de setembro, no valor de R$ 890,00 para pagamento em 12 parcelas. Das nove caixinhas que já deveria ter recebido, só três chegaram em sua casa. “Simplesmente pararam de entregar, não fizeram o estorno e não me atendem mais”, relatou. Lucineia disse que tentou o cancelamento da compra com a operadora de cartão de crédito. Porém, como havia passado o prazo e 60 dias, não conseguiu. À ela restaram os prejuízos e o sentimento de ter sido passada para trás. “Não é justo o que estão fazendo com as pessoas. Alguém tem que fazer alguma coisa. Várias vítimas estão enfrentado o mesmo problema. Só pode ser golpe. Não tem outra qualificação para isso”, desabafou. 

A professora Daniele Luciane Gabriel, da cidade de Maringá, e sua mãe foram outras que fizeram a assinatura. Para variar, também não receberam os produtos e não tiveram a devolução do dinheiro. Elas fizeram um plano anual, no valor de R$ 680,00 para cada, com pagamento em 12 parcelas mensais de R$ 56,69. 

“A empresa nos pediu o prazo de 21 dias para fazer a entrega da primeira caixinha. Porém ficamos aguardando por 60 dias a chegada do produto e nada. Quando eu percebi que as coisas estavam começando a ficar estranhas entrei em contato com a empresa. Não consegui. Quando respondiam eram respostas automáticas. Tanto no e-mail quanto no Instagram”, falou

Daniele e a mãe conseguiram fazer momentaneamente o cancelamento da compra. Receberam um ‘crédito de confiança’ da operadora, que está em disputa com a Best Box. “Está tentando a negociação. Se não conseguir vou ter que pagar. Sinceramente não sei o que vai acontecer”, falou. Ela já pagou duas parcelas do plano. Dinheiro perdido, acredita. 

A professora diz que foi ‘enganada’ pela Best Box. Afirmou que comprou pelo fato de a empresa estar próxima de sua cidade e por observar que, aparentemente, estava fazendo a entrega dos produtos como manda o figurino. “O sentimento é de revolta. Fizemos a contratação de um produto que tinha a proposta de autoestima e caímos nesta ‘furada’. O pior é que a empresa não é séria suficiente para chegar aos assinantes e explicar o que está acontecendo. É muito decepcionante”, desabafou. 

Daniele afirmou que a revolta maior é que mesmo não enviando as caixinhas, a todo momento a empresa continuava com promoções para ‘aliciar’ novas clientes. Ela mesma, inclusive, caiu nessa. “Tem outras caixinhas de assinatura que fazem tudo certo. Mas nós levamos o azar de pegar uma  empresa que tinha uma pessoa má intencionada por tras”, acrescentou.

A reportagem foi procurada também pela empresária, Carine Toledo Amaro da Silva, de São Paulo (capital). Ela trabalhou como intermediadora de negócios comerciais para a Best Box. Na prática, disse que apresentava à empresa seus clientes que já tinham na carteira durante anos para que pudesse fornecer os produtos para compor as caixinhas. “A Best Box fez grandes pedidos com estes fornecedores e não pagou. Pagou durante um tempo. Mas nos últimos meses deixou de pagar”, denunciou.

Carine disse que é envolvida no negócio porque recebia comissão. “Mas depois de um tempo nem comissão mais eu recebi. Ela [a empresa] vinha dizendo aos clientes que não tinha dinheiro e que assim que pudesse encontrar alguma outra forma, ia pagando aos poucos. Depois de algum tempo, ela [a proprietária da Best Box] passou a dizer que tinha vendido a empresa e ia passar um contato, mas nada. Eram encaminhados e-mails de acordo comercial, mas ela não respondia. Tanto que a última saída aos fornecedores foi entrar com processo conjunto”, falou Karine, ao informar que somente para fornecedores indicados por ela, a dívida da Best Box ultrapassa R$ 500 mil. 

Para Carine em si, o prejuízo é de R$ 15.000,00, segundo ela. Valor de comissões que deixou de receber. “Estou bloqueada em todos os canais de atendimento da Best Box. Porém meu e-mail empresarial está vinculado ao e-mail deles. Então todos os tipos de cobranças, desde transportadora, até outros tipos de fornecedores eu recebo”, lamentou.

Além de consumidoras e distribuidoras de produtos de beleza, empresas do ramo de transportes de Campo Mourão ouvidas pela TRIBUNA também estão no prejuízo. O proprietário de uma franquia de transportes, que se reservou no direito de não se identificar, disse que o prejuízo a ele é de mais de R$ 400.000,00. “Só em Campo Mourão, para transportadores a empresa deve mais de R$ 500.000,00”, estima. 

Ele disse que a proprietária da Best Box fez uma confissão de dívida junto a seu advogado. Pagou as primeiras parcelas. Mas depois parou. “Consegui uma confissão de dívida onde a empresa teria que me pagar R$ 37.000,00 por mês. Mas não está mais pagando”, informou. O empresário disse que o rombo levou todo seu fluxo de caixa por ‘terra’. “Arrebentou comigo. Acabou com nossos planos de construir um novo barracão”, desabafou. Ele informou que a Best Box começou a contratar os serviços de sua empresa em setembro do ano passado. 

“Ela tinha contratado R$ 1,1 milhão em serviços. Isso me deu confiança. Mas depois, desde fevereiro deste ano começou atrasar. Quando completou 40 dias sem pagar já fiquei com receio. Chegou uma hora que parei de coletar porque não tinha mais como”, disse. Ele comentou que faz parte de um grupo de 15 credores, cujas dívidas da loja são altíssimas. “Ela tem uma carta de mais de 15 mil clientes. Imagine o tamanho do prejuízo que causou a estas pessoas. Eu sinceramente não sei o que leva uma pessoal a fazer isso”, argumentou. 

Ações conjuntas

A advogada de São Paulo, Ana Paula Santana, está com mais de 20 denúncias de pessoas que a procuraram relatando terem sido lesadas pela Best Box. “Primeiro uma pessoa me procurou. Depois começou a virar uma ‘escadinha’ com várias outras meninas. São clientes lesadas. Não receberam a mercadoria”, explicou. 

Ana Paula disse que o relato das vítimas é praticamente o mesmo: compraram o produto, pararam de receber, e não conseguem o estorno das quantias recebidas indevidamente pela empresa. “Elas relatam que adquiriram o produto e em um determinado momento todas pararam de receber. E a empresa em si não responde mais às solicitações. Tem meninas bloqueadas nas redes sociais. Algumas ainda conseguiram cancelar a compra, mas não tiveram o estorno”, falou.

A advogada informou que suas ações são na esfera cível. Ou seja, para apenas o reembolso dos valores das clientes lesadas. “Porém, muitas meninas entraram com boletim de ocorrência por estelionato”, disse.  

A advogada acrescentou que, de acordo com relatos de suas clientes, em geral, elas não recebem as caixas desde março. “A maioria das meninas recebeu em fevereiro pela última vez. Mesmo assim, sabendo que não enviaria o produto, a empresa continuou vendendo assinaturas em abril, março e maio até que no começo de junho, após a grande quantidade de denúncias e repercussão do caso, as vítimas conseguiram ‘derrubar’ o site da empresa”, informou.  

A reportagem conversou também com o advogado, Rui Gorayb, de Botucatu (SP). Ele foi procurado por fornecedores de produtos para ajuizar ação contra a Best Box. Como ainda está na fase de juntada de documentos, preferiu não falar sobre o caso. 

 

Procon de CM foi acionado pelos Procons do Rio e São Paulo relatando o caso

A reportagem procurou também o Procon de Campo Mourão para saber se havia denúncias contra a empresa na cidade. O secretário executivo do órgão, Sidnei Jardim, informou que não há nenhuma queixa de consumidor envolvendo a Best Box, no município. 

“Porém, o Procon atendeu duas situações em relação a eles: a primeira, uma funcionária deles nos procurou há cerca de dois meses. A moça disse que estava sendo demitida grávida e queria saber o que fazer. Disse também que eles estavam vendendo um monte de produtos e que não iam entregar. Ela foi orientada a procurar um advogado porque seu caso não se referia a consumidor e sim a uma causa trabalhista”, disse Jardim. 

Além disso, uma funcionária do Procon do Rio de Janeiro entrou em contato com o Procon de Campo Mourão, via telefone, para saber se havia reclamações contra a Best Box na cidade, já que no Rio existem várias denúncias de que a empresa estava vendendo produtos, mas não estava entregando. “Eles nos disseram que a empresa estava dando golpe em um monte de gente”, frisou Jardim. 

A chefe do Procon de São Bernardo dos Campos (SP)  também entrou em contato com o Procon de Campo Mourão. Falou diretamente com Jardim. “Passou o endereço desta empresa [Best Box], alvará de funcionamento e nos solicitou a fazer uma diligência no local para ver se estava funcionando. Nos informaram que havia denúncias contra ela e que a empresa nem respondia mais os contados. Fui ao local pessoalmente, fiz fotos e mandei para ela”, informou.

Empresa alega dificuldade financeira, mas  diz que honrará compromisso com assinantes

Representando a proprietária da Best Box, Tatiane Leite da Silva, o advogado Márcio Berbet, explicou que a empresa passa por dificuldades financeiras. Consequência da pandemia da Covid-19, segundo ele. No entanto, buscará honrar seus compromissos com as assinantes. Em um primeiro momento, a intenção é cumprir com a entrega das caixas de produtos. Caso isso não seja possível, buscar alternativas para o reembolso das clientes. “Será negociado caso a caso”, afirmou. 

O advogado falou que ‘na expectativa de que a situação econômica pudesse melhorar”, o estabelecimento não conseguiu honrar com ‘alguns compromissos’ criando desta forma vários débitos com clientes e fornecedores. “Mas a empresa continua em Campo Mourão. Para reduzir despesas, vai enxugar e colocar a sede em um novo local, só para ter um administrativo para estar respondendo estas pessoas”, explicou. Ainda segundo ele, por duas vezes a proprietária tentou vender o negócio a investidores, mas sem sucesso. Ou seja, Tatiane continua no comando da Best Box. 

Berbet negou que a empresa tenha aplicado golpes nas consumidoras. “É uma empresa bem conhecida. Está desde 2007 no ramo, infelizmente chegou em um momento em que a proprietária não queria chegar. Mas não houve o rompimento de todos os comprimentos de obrigação por parte da empresa. A empresária em momento algum agiu com dolo ou com esta intenção”, ressaltou. 

Ao ser questionado porque a Best Box continuou vendendo novas assinaturas entre abril e início de junho, mesmo não fazendo a entrega das caixinhas desde março e nem o reembolso de valores solicitados por consumidoras, o advogado foi enfático: “Infelizmente incorreu nesta falha. Mas sempre na expectativa de que a ‘coisa’ iria melhorar”, defendeu. 

Sobre a quantidade enorme de produtos no galpão da empresa não entregues às clientes, ele informou que grande parte dos cosméticos ainda não foi paga às empresas fornecedoras. “Estamos em uma negociação tentando reduzir o valor destes débitos. Até mesmo devolvendo alguns produtos adquiridos. Já o que tiver de sobra, vamos negociar com os consumidores no intuito de reduzir este prejuízo a eles”, informou.  

Em relação ao fato de as assinantes não estarem conseguindo contato com a Best Box ou algumas até mesmo terem sido bloqueadas nos canais de comunicação da loja, Berbet explicou que o número de reclamações tem sido muito alto. “Além disso estão fomentando grupos na internet acusando a empresa de golpe. Então devido a isso tudo os atendimentos estão restritos. Mas a empresa continua no mesmo endereço e com o mesmo telefone comercial. Vai respondendo os e-mails e reclamações conforme a sua possibilidade”, esclareceu.  

O jurista reforçou que a proprietária buscará honrar o compromisso com o maior número possível de clientes para tentar reestruturar a empresa. Caso isso não seja possível, não descarta processo de recuperação judicial ou até mesmo decretação de falência. “Porém, primeiro a empresa tem que passar por auditoria fiscal, ver qual a sua saúde. O que tem de débito e de crédito que possa ser recebido para tomarmos as medidas cabíveis”, argumentou. 

Berbet acrescentou que as consumidoras que se sentirem lesadas podem fazer suas reclamações, buscando, além da empresa, até mesmo o seu escritório de advocacia. O telefone para contato é (44) 3068-0073, mediante a agendamento de horário. “Acredito que se a empresa estivesse de má-fé não estaria estabelecida aqui e não contrataria um advogado da cidade. A intenção não é causar uma lesão por má-fé ou por dolo a quem quer que seja”, ressaltou. Ele disse ainda que nesta semana a Best Box divulgará uma nota direcionada às suas clientes ‘esclarecendo toda a situação’.