Gestão do PA do Lar Paraná tem espera de 45 minutos; Saúde aponta economia

Audiência pública apresentou resultados do atendimento e debateu a possível adoção do modelo na UPA.

Em balanço divulgado no mês de setembro, referente aos primeiros seis meses de gestão, a unidade informou 36.997 atendimentos e 11.792 exames, entre laboratoriais, de imagem e eletrocardiogramas

O tempo de espera de cerca de 45 minutos para atendimento de pacientes classificados na faixa verde no Pronto Atendimento (PA) do Lar Paraná foi um dos resultados apresentados durante audiência pública na noite dessa quarta-feira (4), na Câmara Municipal de Campo Mourão. A unidade é administrada pelo Instituto Integrado de Ciência e Tecnologia (IN2), instituição privada sem fins lucrativos. Durante o encontro, a secretária municipal de Saúde, Camila Corchak, afirmou que o modelo melhorou o atendimento e trouxe economia ao município.

A audiência foi proposta pelo vereador e também tratou da gestão da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) 24h e da possibilidade de aplicar nela a metodologia utilizada no Lar Paraná. A reunião durou pouco mais de duas horas. Chamou a atenção a pouca participação da população e dos próprios vereadores. Apenas quatro dos 13 parlamentares participaram: Berbet, Sidnei Jardim, Eliane do Café e Eraldo Teodoro.

Em entrevista à TRIBUNA, Berbet avaliou que os dados apresentados pela instituição ajudam a esclarecer dúvidas sobre a contratação e o funcionamento do serviço. Segundo ele, além do atendimento aos pacientes, o trabalho inclui pesquisas para identificar o perfil das pessoas que procuram a unidade e orientar o planejamento da saúde. “Trouxeram resultados em números onde já houve a melhora do atendimento, houve a melhora do número de pessoas que foram atendidas”, afirmou.

Audiência pública foi proposta pelo vereador Márcio Berbet. Apenas quatro dos 13 parlamentares estiveram presentes. Participação popular também foi bastante baixa

O vereador destacou que o levantamento considera informações como idade dos pacientes e doenças mais frequentes. Na avaliação dele, esses dados poderão ajudar o município a definir onde investir e quais serviços precisam de mais atenção. “Estão conseguindo fazer um mapeamento, ou seja, estão analisando, por exemplo, a quantidade de pessoas, a idade dessas pessoas, os tipos de doenças”, disse.

O IN2 assumiu a administração do PA do Lar Paraná em março deste ano, por meio de parceria com a prefeitura. Em balanço divulgado no mês de setembro, referente aos primeiros seis meses de gestão, a instituição informou 36.997 atendimentos e 11.792 exames, entre laboratoriais, de imagem e eletrocardiogramas. O balanço apontou que a espera média para consulta médica foi de 42 minutos. O intervalo entre a recepção e a classificação de risco ficou em oito minutos.

Ainda conforme o balanço, 98,7% dos atendimentos foram concluídos na própria unidade, sem encaminhamento para serviços de maior complexidade. Na ocasião, a instituição informou que o PA contava com 63 profissionais nas áreas de assistência, gestão e apoio.

Modelo na UPA

A TRIBUNA questionou Berbet sobre a possibilidade de levar o mesmo modelo de atendimento à UPA. Ele afirmou que o trabalho no Lar Paraná permite estudar a organização do serviço antes de uma eventual ampliação. “Ela prevê uma contratação ali para um estudo técnico, uma análise, ou seja, como se fosse um projeto-piloto funcionando dentro de um pronto-atendimento. Essa metodologia de trabalho pode ser transferida para a UPA”, declarou.

A possibilidade já havia sido mencionada pela administração municipal em resposta a um requerimento do vereador. No documento, registrado na Câmara em abril, o município informou que avaliava a adoção do mesmo formato na UPA, condicionada aos resultados do projeto no Lar Paraná. Porém não foi estabelecido um prazo para a decisão.

Berbet também comentou o destino dos servidores que trabalhavam no PA antes da mudança. Segundo ele, parte foi transferida para outras unidades da rede municipal e parte permaneceu no local.

Na resposta encaminhada à Câmara, a prefeitura explicou que o instituto contrata, pelo regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) os profissionais de enfermagem, farmácia, recepção, administração e zeladoria. Os serviços médicos e de vigilância são contratados por meio de pessoas jurídicas. O PA permanece integrado à rede municipal de saúde, com atendimento ao público de segunda a sexta-feira, das 7 às 23 horas.