“Enxugará as lágrimas de seus olhos e a morte já não existirá. Não haverá mais luto, nem pranto, nem dor, porque tudo isso já passou” – (Ap 21,4).
O Dia de Finados é celebrado em 2 de novembro e representa um momento dedicado à lembrança das pessoas que já faleceram. Para muitas pessoas, esse é um momento de preservar memórias, recordar histórias e reconhecer a importância de quem fez parte de suas vidas.
O Dia de Finados não é para ser um dia de tristeza ou de desânimo, mas um dia de saudade, para lembrarmos com carinho daqueles que já se foram e rezarmos por eles. A data foi escolhida dentro da tradição cristã para realizar a comemoração dos fiéis falecidos logo após o Dia de Todos os Santos. A prática iniciada na Abadia beneditina de Cluny, na França, se difundiu para outras comunidades religiosas e acabou consolidando o 2 de novembro como referência para a celebração, a partir do ano 998.
O abade Odilo (ou Santo Odilon) determinou que todos os mosteiros sob a influência de Cluny dedicassem este dia de orações, jejuns e missas pelas almas dos fiéis falecidos.
No dia de Finados, não festejamos a morte. Seria uma ignorância e uma contradição. Celebramos sim, nossa fé na ressurreição e a esperança do encontro na morada que Jesus nos preparou, no seio amoroso de Deus. A comemoração dos fiéis defuntos é uma oportunidade ímpar para agradecer a Deus pela existência daqueles que nos precederam e, de certa forma, participaram da construção de nossa própria história.
Em Finados celebra-se o Amor. Primeiramente, o de Deus por nós; em segundo lugar, o de nossos entes queridos para conosco e vice-versa. Não nos inquietemos. Apesar de invisível e imprevisível, cria formas e modos diferentes de se manifestar.
A Solenidade de Finados é, portanto, a proclamação da certeza de uma fé que nos consola e fortalece. Nesse dia, dedicamo-nos especialmente a reverenciar a memória daqueles que amamos, apesar de fisicamente ausentes. O vazio corpóreo e cronológico é preenchido pela força da graça cristã. A liturgia da Igreja conclama-nos a uma atitude de comunhão com aqueles que marcaram nossa vida.
Para Santo Agostinho, “a morte é a aurora da eternidade e nos faz semelhantes a Deus.” Assegura-nos o Mestre “Eu sou a ressurreição e a vida” (Jo 11, 25).
Compartilho com o ideário de Dom Leomar Brustolin
Arcebispo de Santa Maria (RS), para quem no dia 02 de novembro, passado, presente e eternidade se aproximam. Agradecemos pelas vidas que fizeram parte da nossa; rezamos por aqueles que partiram; reconciliamo-nos com nossa própria finitude e renovamos a esperança no encontro definitivo com Deus. Ao deixar o cemitério, portanto, deveríamos sair um pouco diferentes de quando entramos. Mais conscientes de que o tempo é breve, mais dispostos a perdoar, menos preocupados com coisas pequenas, mais atentos às pessoas que ainda podemos abraçar.
O Dia de Finados nos recorda que a nossa vida é um ciclo, como todas as coisas da natureza, nascemos, crescemos, amadurecemos e morremos. Porém nós temos a certeza da vida que continua na eternidade. Estamos aqui de passagem, a vida é um sopro e não sabemos qual será o dia e a hora que nos encontraremos com Deus. A morte é a etapa final desse ciclo que nos dá a oportunidade de abrir os olhos para a eternidade. É difícil nos separar daqueles que amamos e a morte com certeza é momento duro, mas celebramos com saudade e não com tristeza essa data, tendo a certeza de que um dia nos encontraremos com quem já se foi.
Três coisas pedimos com a Igreja para os nossos falecidos: o descanso, a luz e a paz. Descanso é o prêmio para quem trabalhou. O reino da luz é o Céu. E a paz é a recompensa para quem lutou. Que nossos falecidos descansem em paz e a luz perpétua brilhe para eles. Amém.
GILMAR CARDOSO, advogado, poeta, membro do Centro de Letras do Paraná e fundador da Cadeira nº 01 da Academia Mourãoense de Letras.
