Democracia, convivência e maturidade

As eleições são um dos mais importantes instrumentos da democracia. Por meio delas, a população manifesta sua vontade, escolhe representantes e define os rumos da administração pública. Nesse processo, é natural que haja vencedores e derrotados. O que não é natural, nem desejável, é permitir que diferenças políticas se transformem em barreiras para a convivência entre pessoas que compartilham os mesmos espaços, desafios e esperanças.

Uma sociedade democrática é construída sobre a pluralidade de ideias. Pensar diferente não deve ser motivo de afastamento, hostilidade ou desconfiança. Pelo contrário: a divergência respeitosa é um sinal de maturidade coletiva. Quando passamos a enxergar o outro como inimigo apenas porque vota diferente, enfraquecemos exatamente aquilo que a democracia tem de mais valioso: a capacidade de unir cidadãos diversos em torno de regras comuns e do respeito mútuo.

Também é preciso reafirmar, de forma clara e inequívoca, que toda e qualquer forma de violência motivada por convicções políticas deve ser rejeitada. Seja a violência física, que ameaça a integridade das pessoas, seja a violência moral, manifestada por meio de ofensas, humilhações, perseguições e tentativas de desumanizar quem pensa diferente. Nenhum projeto político justifica a agressão, a intolerância ou a ruptura dos laços que sustentam a vida em sociedade.

A política é um instrumento para a construção do bem comum, não um fim em si mesma. A vida real continua muito além das disputas eleitorais. Há famílias para cuidar, empregos para preservar, empresas para administrar, estudantes para formar e comunidades para desenvolver. O país não para no dia seguinte à eleição. Pelo contrário, é justamente nesse momento que todos, independentemente de suas preferências partidárias, são chamados a contribuir para que a sociedade avance.

Talvez seja hora de deixarmos a paixão partidária ocupar um espaço mais moderado em nossas vidas. Não para abrir mão de convicções ou do direito ao debate, mas para recuperar a capacidade de enxergar no outro um cidadão, e não um adversário permanente. O Brasil precisa de mais diálogo do que hostilidade, mais entendimento do que ressentimento e mais pontes do que muros.

Vencer ou perder faz parte do jogo democrático. Saber conviver depois do resultado é o verdadeiro teste de nossa maturidade cívica. Se quisermos construir uma sociedade mais justa, plural e pacífica, devemos colocar o respeito, a tolerância e o compromisso com o bem comum acima das diferenças ideológicas. Afinal, os governos passam, as eleições passam, mas a comunidade que formamos permanece. E é dela que depende o futuro de todos nós.

Maximino César Lisbôa, Leitor, assinante e cidadão