Integrado alerta para riscos do descarte incorreto de medicamentos e orienta população
Jogar medicamentos vencidos ou que sobraram de tratamentos no lixo comum, na pia ou no vaso sanitário pode parecer uma solução simples, mas representa um problema silencioso com impactos diretos ao meio ambiente e à saúde pública. O descarte inadequado desses resíduos químicos contribui para a contaminação do solo e dos recursos hídricos, além de afetar organismos vivos e ampliar riscos indiretos à população.
O alerta é da farmacêutica e responsável técnica da Farmácia Escola do Centro Universitário Integrado, Aline Aparecida Pereira Souza, que reforça a necessidade de ampliar a conscientização sobre o chamado lixo farmacêutico. Segundo ela, um dos principais desafios está na destinação dos medicamentos que permanecem em casa após o encerramento dos tratamentos.
“A doação de medicamentos é uma forma de ajudar pessoas que não têm condições de comprar, especialmente remédios de uso contínuo ou de alto custo”, explica. No entanto, a especialista destaca que existem critérios para que esse reaproveitamento ocorra com segurança.
Podem ser destinados para doação medicamentos dentro do prazo de validade — preferencialmente com mais de seis meses restantes —, produtos lacrados ou mantidos em cartelas preservadas e também amostras grátis recebidas em consultórios médicos. Para medicamentos vencidos, a orientação é diferente: eles não devem ser doados nem descartados junto ao lixo doméstico.
De acordo com a farmacêutica, o caminho correto é encaminhar os produtos para pontos específicos de coleta que realizam a destinação ambientalmente adequada. Atualmente, unidades de saúde e parte das farmácias mantêm sistemas de recebimento desse tipo de resíduo. Outra alternativa é consultar pontos de coleta disponíveis por meio da plataforma Descarte Consciente.
Aline Aparecida Pereira Souza explica que, após o recolhimento, esses resíduos seguem protocolos específicos de transporte e tratamento. “O descarte inadequado pode gerar contaminação ambiental e criar riscos sanitários. Por isso existe uma cadeia estruturada para garantir que esses produtos recebam destinação segura”, ressalta.
Entre as orientações práticas, a especialista destaca que caixas de papelão e bulas podem seguir para reciclagem convencional, já que não entram em contato direto com o medicamento.
Já cartelas, frascos de vidro ou plástico e tubos de pomadas devem ser destinados aos pontos de logística reversa, mesmo quando aparentam estar vazios, porque podem conter resíduos químicos.
No caso de medicamentos líquidos, a recomendação é nunca despejar o conteúdo na pia ou no vaso sanitário. O ideal é manter o frasco fechado e entregar diretamente em um ponto de coleta.
A orientação também vale para materiais perfurocortantes. Agulhas, seringas e lancetas não devem ser descartadas junto aos medicamentos nem encaminhadas para farmácias comuns. Esses itens precisam ser armazenados em recipientes rígidos e entregues em unidades básicas de saúde ou hospitais.
No Brasil, o descarte residencial de medicamentos é regulamentado pelo Decreto nº 10.388/2020, que instituiu o sistema de logística reversa e estabeleceu responsabilidade compartilhada entre indústria, distribuidores, farmácias e consumidores.
O país também possui regulamentação para dispensação fracionada de medicamentos — permitindo a compra apenas da quantidade necessária para cada tratamento —, embora a prática ainda tenha aplicação limitada. Modelos adotados em países como Suécia, Canadá, França e Austrália são considerados referência internacional pela ampla estrutura de recolhimento e conscientização da população.

