Os reflexos do coronavírus na economia e na vida dos trabalhadores

A TRIBUNA DO INTERIOR, preocupada com a situação das pequenas e micro empresas da região, está fazendo uma série de reportagens mostrando os problemas enfrentados diante da pandemia.

Trata-se de um quadro econômico jamais visto no país. A situação revela a importância, agora, da população continuar apoiando os pequenos negócios. Afinal, são eles os responsáveis por grande parte dos empregos gerados no Brasil. 

Reportagem publicada recentemente pela TRIBUNA, trouxe os reflexos da pandemia. De acordo com balanço divulgado pela Associação Comercial e Industrial (Acicam), os empresários já fizeram 235 demissões no comércio da cidade. O levantamento foi realizado pela Acicam em 31 escritórios de contabilidade. 

A pesquisa abrangeu 94 empresas atendidas pelos escritórios, o que leva a entidade a crer que o número seja ainda maior. Além das demissões, 78 empresas fizeram a redução salarial de 178 trabalhadores e 118 suspensões de contratos. 

Não diferente, trabalhadores autônomos também vem sendo diretamente atingidos. Os mais prejudicados neste momento são aqueles que trabalham com eventos, turismo, gastronomia. Entre outros. Para esta edição a reportagem traz dois personagens que já sentem na pele os reflexos da pandemia.  Leia abaixo a história de cada um. E se você quer contar a sua história, envie mensagem para o email [email protected].

Rodrigo deixou a fotografia na chapa quente

Rodrigo Menn e a esposa Leonor Barreto, são fotógrafos. Juntos, mantém uma pequena empresa em Campo Mourão. Ela está sediada no centro da cidade. Pagam aluguel. Atuam em casamentos, aniversários e festas de debutantes. Com a chegada do vírus, teve que se reinventar. Agora faz hambúrguer. É que não existem mais festas. Seu ganha pão secou. Todos os eventos marcados foram adiados. Não existe tempo para lamentações. E ele está se virando. Seu desespero só não é maior que a esperança. Ele acredita que os eventos voltarão. Mas quando? 

Sem ter as respostas, deixou as câmeras fotográficas de lado e adotou uma chapa quente. E é ali onde vem criando sua renda. Então, com apenas R$200, tudo o que sobrou de uns trocos guardados, resolveu apostar em uma hamburgueria. “Sim sou louco. Foi que escutei de muitos. Mas segui em frente. Abri a Burger Menn Delivery”, disse. Menn explica que estudou muito para o negócio. Ele já tinha uma noção. Fez um curso técnico de gastronomia. Hoje, sem os cliques, é o que está sustentando a família. “É muito trabalhoso. Desgastante. Mas honesto e digno”, revela. O fotógrafo possui dois filhos.

Menn se sente como um pássaro sem as asas. Tem os equipamentos. Mas não pode fotografar. Tem as ferramentas. Mas não consegue trabalhar. Tudo parou. Segundo ele, o caos se instalou. E a reserva de grana guardada com os eventos, já foi embora. “Não existem novas procuras por eventos. E o que tinha entre março e junho, todos transferidos para os próximos meses. É desesperador”, afirma. De acordo com ele, o dinheiro parou de entrar. Mas as contas, vem aos montes.   

Em 2019, Menn executou a fotografia em 43 casamentos. É um sujeito premiado internacionalmente. Até a chegada do Covid, mantinha uma vida tranquila. Mas bastou março chegar, pra perder o chão. Ele acredita que as festas devam voltar. Mas não sabe quando. A única certeza, é que o setor de eventos será o mais afetado de toda a cadeia econômica. E quem vai entender isso? Pergunta.

Hoje, em Campo Mourão, estima-se que cerca de mil pessoas sobrevivam do setor de eventos. São buffets – garçons e cozinheiras – decorações, fotógrafos, músicos, Dj´s, doceiras, iluminadores, cerimonialistas, seguranças, boleiras, artes circenses. O inimigo, além do vírus, chama-se agora aglomeração. E é por esta razão que o ramo deve ser o mais afetado economicamente. Deve ser o último a voltar a trabalhar. E o desespero de cada profissional não surge ao acaso. De acordo com eles, por trás de cada um, existe uma família a sustentar. Uma boca a alimentar.

Serviço

Burger Menn Delivery – (44) 99903-0395/ (44) 99846-5071 

 

Samuel vem remarcando datas

Samuel Colaço, 35, também possuí uma Micro Empresa Individual (MEI) de fotografias. Casado e com uma filha de dois anos, teve grande parte das festas adiada. Vem enfrentando remarcações de datas. Principalmente, de casamentos. No seu caso, grana não está sendo problema. Pelo menos agora. Tudo tem andado conforme o previsto. Embora sem novos contratos. A coisa parou de vez. 

No fechamento dos contratos ele já faz o parcelamento no cartão. Então, o dinheiro continua caindo. O problema é que terá que garantir os eventos em datas distantes. O que ocasionará num conflito para novos contratantes. “Terei que fazer as festas já pagas. Garanto isso. Mas não poderei fechar novos contratos em datas já remarcadas. O que resultará num tempo sem entrar dinheiro”, explica. 

Samuel está menos desesperado que outros profissionais do setor. Isso porque mantém um emprego registrado. Tem uma renda garantida por mês. Acredita que cancelamentos por parte dos clientes devem acontecer. De acordo com ele entre 17 de março e 31 de maio deixará de fazer dez casamentos. Foram todos adiados. A maioria pro final do ano. 

Hoje o valor médio de fotografia de casamentos, no caso de Samuel, varia na faixa dos R$4 mil. “A princípio bateu um desespero. Mas decidi aproveitar o tempo livre pra me especializar em algumas coisas. Mantive um canal aberto de conversa com os clientes pra que também possa tê-los calmos e cientes de que nenhum contrato deixará de ser cumprido”, disse. Mas para ele, o sentimento de frustração ainda existe. Porque se trata de uma luta contra algo invisível. E o controle, depende de ação e conscientização mútua. Ou seja, depende apenas de nós mesmos.

Serviço

Samuel Colaço Fotografias – (44) 99804-9590