Prefeito Douglas sanciona lei em homenagem a Robson Paitach
O prefeito Douglas Fabrício sancionou a Lei nº 5.116/2026, que institui o Dia Municipal de Proteção à Criança e ao Adolescente em Campo Mourão. Publicada nessa quinta-feira (23), no Órgão Oficial Eletrônico, a legislação estabelece que a data será celebrada anualmente em 1º de junho, em homenagem à memória de Robson Daciuk Paitach, menino de 11 anos assassinado em 1986 em um dos crimes que mais comoveram o município.
A lei estabelece que o município poderá promover, todos os anos, palestras, campanhas educativas, atividades nas escolas e ações integradas com o Conselho Tutelar, rede de assistência social e órgãos de segurança. A proposta também prevê a divulgação dos canais oficiais de denúncia e o fortalecimento das ações de prevenção à violência contra crianças e adolescentes.
As atividades poderão ser integradas à Semana Municipal da Criança e do Adolescente e realizadas em parceria com instituições públicas, empresas, organizações da sociedade civil e entidades de proteção.
“Além de homenagear a memória de Robson Paitach, esta lei representa um compromisso permanente de nossa administração com a proteção de nossas crianças e adolescentes. Que essa data nos faça lembrar de um episódio que marcou profundamente a cidade e, ao mesmo tempo, fortaleça a conscientização, a prevenção e a responsabilidade de toda a sociedade na defesa da infância”, comentou Douglas Fabrício.
O caso
Robson Daciuk Paitach tinha 11 anos quando desapareceu, em 11 de abril de 1986. Naquele dia, foi deixado pela mãe, Leonília Daciuk Paitach, para uma aula de inglês em uma escola localizada no centro da cidade. Ele fez a prova, obteve a maior nota da turma e deixou o local antes do horário habitual, mas não retornou para casa.
O desaparecimento tirou a tranquilidade de Campo Mourão e provocou uma grande mobilização. Familiares, autoridades e moradores se uniram nas buscas. Após a confirmação da morte do menino, mais de 10 mil pessoas participaram de manifestações que pararam a cidade, em um dos maiores atos populares registrados até então no município.
Robson era aluno do Colégio Estadual Marechal Rondon e também havia estudado no Colégio Vicentino Santa Cruz. Além das aulas de inglês, praticava judô e era descrito pela família como um menino educado, dedicado aos estudos e cuidadoso com os irmãos mais novos.
Em abril deste ano, um painel fotográfico também foi inaugurado no Museu de História, Imagem e Som Deolindo Mendes Pereira. O espaço reúne fotografias, informações sobre a vida do menino e textos escritos por familiares e por mães que, sensibilizadas pelo caso, deram o nome de Robson aos filhos.
A iniciativa teve origem em um pedido feito por Leonília ao museu, em 2022, quando entregou documentos e fotografias do filho. A mãe pediu que o material fosse utilizado para orientar crianças e famílias sobre prevenção à violência, segurança e riscos também presentes no ambiente digital.
Livro
A história de Robson também será registrada em um livro escrito por Marlene Kohts, integrante da Academia Mourãoense de Letras. A produção da obra começou em 2024 e reúne entrevistas com familiares, documentos, processos e uma reconstrução dos acontecimentos. O trabalho não ficará restrito à cronologia do caso: também deverá abordar a trajetória da família, a mobilização da cidade e a forma como a dor foi transformada em uma mensagem de fé, cuidado e prevenção.
A família havia recusado propostas anteriores para contar a história. A decisão de autorizar a publicação ocorreu após uma conversa entre Leonília e os demais filhos. O livro já está concluído e tem lançamento previsto entre setembro e novembro de 2026, em Campo Mourão.


