Quem trará Victória de volta?
Victória tem somente 17 anos. Desde agosto, está em Taiwan. Foi como intercambista. Mas o vírus mudou tudo. Desesperados, os pais tentam trazê-la de volta a Campo Mourão. Em vão. Não existem voos. A menina está desde março a mercê da sorte. Continua na casa da família de lá. Está sendo bem cuidada. Mas agora, ela deve retornar. O intercâmbio terminou. Mas quando? Como? Estas são as perguntas feitas por Adalberto e Rosimere. Os pais. Todo santo dia. Segundo eles, as respostas ainda não existem. A única certeza, hoje, é a angústia.
Rosimeire conta que vem tentando voos à filha desde março. Nada deu certo. O problema são os aeroportos da Europa. Todos fechados. A pandemia parece ter aumentado as distâncias. A situação fez com que Victória já esteja longe de seu país por, pelo menos, dois meses. E a saudade dói. “Estamos desesperados, sim. Sabemos que ela está bem. Mas existe uma pressão para que ela deixe aquele país o quanto antes”, disse a mãe. E Rosimere ainda passou o dia das mães sem a caçula. Dor que só aumenta. De acordo com os familiares, Taiwan não entrou em quarentena.
Os pais dizem que a deputada federal Cristiane Yared fez uma ponte do caso ao Itamaraty. Foi então que a família conseguiu contato com o escritório do órgão em Taipei, capital de Taiwan. Entre muitas conversas, até agora, nada resolvido. Mas pelo menos Victória já teve autorização do governo brasileiro para ser repatriada. Só não se sabe quando. Adalberto e Rosimeire apelam para que o governo ajude a resolver o problema. “Estamos impotentes para este caso. Não podemos fazer nada. A não ser, esperar”, disseram.
Victória Caroline Marcondes Oliveira é uma garota que sabe o que deseja. Bem antes de viajar, estudou sozinha a língua local. O Mandarim. E foi por isso que quis morar em Taiwan. Aos 17 anos é também fluente na língua inglesa. A família veio de Apucarana há 18 anos. O pai é funcionário público estadual. A mãe, servidora municipal. Como professora já ganhou até um automóvel em premiações de ensino. O casal possui ainda dois filhos mais velhos. Ambos já formados e morando em outras cidades. Victória, além de ser a caçulinha, é a companheira dos “velhos” pais. Agora, eles estão sozinhos. E com água nos olhos.
O desespero é tão grande que montaram um grupo de Whatsapp com pais de outros 23 estudantes brasileiros que lá estão. São adolescentes como Victória. Que foram. Mas não sabem como voltam. A mourãoense mora na cidade de Taitung, com 106 mil habitantes. Longe da filha, a mãe chora ao falar da distância. Sem tê-la por perto, o jeito foi se aproximar do seu quarto. Uma espécie de terapia ao coração. “Estamos arrumando o quartinho dela. Pintamos. Decoramos. Tudo novo pra quando ela voltar”, diz Rosimere. Além de falarem todos os dias via celular, a mãe mata um pouco da saudade através da “vira latas” Morgana. A cachorrinha sem raça definida de Victória. O mimo da casa.
Itamaraty
Em resposta aos apelos das famílias de estudantes brasileiros em Taiwan, o Escritório Comercial do Brasil em Taipei – órgão ligado ao Itamaraty – informou que um brasileiro já regressou na madrugada da última sexta-feira, dia 8 de maio. Veio através da rota operada pelas empresas China Airlines e Lufthansa. Com conexões em Amsterdam e Frankfurt. Destino final Guarulhos, São Paulo. “Esse brasileiro, no entanto, relatou ter superado um problema de última hora, relacionado a uma excepcionalidade. Estaria temporariamente suspensa a inexigibilidade de vistos para brasileiros durante o período da pandemia para ingresso em países europeus do “Espaço Schengen”, que normalmente não exige visto de brasileiros. Informação que este Escritório está buscando”, informaram.
De acordo com o órgão, o próximo voo programado por esta mesma rota está marcado, em princípio, para o dia 17 de maio. Evidentemente sujeito a mudanças de última hora sem qualquer aviso prévio. “Este Escritório está buscando agendar reuniões com a China Airlines e com a EVA para explorar possibilidades de voos futuros que possam atender às necessidades dos cidadãos brasileiros nesta ilha. Assim como renovando contato com o Rotary em Taiwan para solicitar que não deixem de apoiá-los de todas as maneiras. Tão logo tenhamos novidades, transmitiremos a vocês”, conclui o informe.
Serviço
Taiwan é um Estado insular localizado na Ásia Oriental, que evoluiu de um regime unipartidário com reconhecimento mundial e jurisdição plena sobre toda a China, para uma democracia. População de pouco mais de 23 milhões de pessoas, cuja língua oficial é o Mandarim.

