A arte de ser professor Bernardo

A arte de ser professor Bernardo
“Para fazer uma obra de arte não basta ter talento, não 
basta ter força, é preciso viver um grande amor”.
Amadeus Mozart

O grande amor do professor Bernardo foi a vida de todos aqueles que faziam parte do seu imenso universo, família, amigos, artistas, magistério, estudantes.

Nossa amizade vem interligada ao de nossas famílias pioneiras. Quando do falecimento do pai dele, esta Coluna fez o registro: Luiz de Matos, tudo e nada leva. No texto, além de falar do pranteado pai, referenciei a mãe Maria Luiza, assim como citei Bernardo e o também signe irmão e amigo Antônio de Matos, jornalista Toninho, por terem saído de Campo Mourão para estudarem fora, respectivamente Curitiba e o Rio de Janeiro, e regressados ao endereço fraterno, a morada de seus pais e aqui exercerem suas profissões.

A primeira lembrança é longínqua, revisitada sobre o final dos anos 1970. O jovem Bernardo foi entrevistado por Valmor Giavarina (brilhante orador, advogado, foi prefeito e deputado federal por Apucarana),que tinha um Programa com a maior audiência, transmitido pela TV Tibagi, canal 11, emissora a mais assistida à época em Campo Mourão. Bernardo levou os melhores exemplares de sua diversificada arte, a transformação de objetos que seriam descartados, restos de ferro, pedaços de madeira, caule de plantas. O apresentador estava a caráter, roupa de couro, a ornar  com a moto do Bernardo, feito arte e como alusão poética ao motoqueiro, roqueiro.  Prova da repercussão da entrevista, Bernardo passou a ser conhecido e convidado para exposições paranaenses. Tornava-se artista em consagração além de nossos mourões. Bernardo é um dos primeiros a editar um livro de poesias, Migalhas, na capa o autorretrato, cabelos esvoaçantes e expressão de mocidade.

Outra ocasião, agora recente, ele foi assistir no Teatro Municipal de Campo Mourão, o espetáculo do saudoso cantor Belchior. Terminada a apresentação, ele, os meus irmãos Elio Brisola Maciel, o saudoso Enio e eu, fomos pedir autógrafos. Detalhe, o apaixonado por LP levou a capa do disco de vinil ilustrando Belchior, onde  deixou a assinatura para a vasta coleção do ávido por música Bernardo.

Quando passei a lecionar no Colégio Estadual Marechal Rondon, um encontro de saudação de amizade entre nós, agora colega de profissão, amigo de há muito! Numa de nossas prosas, disse a ele que deveria ter sido mais mestre do que mero estudante na Faculdade onde se formou, a Escola de Música e Belas Artes do Paraná, em Curitiba. Mas ele ressaltou, sempre temos e podemos aprender. Pela graduação e licenciatura é que pôde se tornar professor concursado.

Um professor que contribuiu imensamente com o despertar da cultura, notadamente nas artes, lecionava, com enorme saber e carinho, a visão humanística, rigor, bom humor, do Magistério (tendo se aposentado), colega, ser humano singular.

Homenageado em vida pelos professores e estudantes e oficialmente como a denominação da Sala de Exposições do Teatro de Campo Mourão, evento que me fiz presente, lá registrado uma imagem nossa, também o filho dele Ivens, que foi meu aluno no Rondon.

Homenagem mesmo o próprio Bernardo proporcionou quando do velório,  iniciativa dos familiares. Próximo à cabeceira do caixão estavam dos retratos dele, um, que fiz alusão no início do texto e outro igualmente nos tempos de juventude. O velho e surrado boné, característica de seu modo de ser. No chão, peças de sua arte,  obras inspiradoras, magníficas. O cenário se completava com o som de músicas que ele apreciava, com alguns CD’s e LP’s do relicário Bernardiano.

Aos 75 anos, nascido em 15 de dezembro, 1950, Portugal, transformado em saudades desde 25 de abril.

Numa menção a um dos cantores de sua preferência,  citado acima, de quem pegou um autógrafo, eis o trecho da canção: Não quero lhe falar, meu grande amor. Das coisas que aprendi dos discos. (….). – Como Nossos pais.

Fases de Fazer Frases (I)

O medo necessariamente não precisa ser demonstrado.

Fases de Fazer Frases (II)

Cultive a fé com orações e cative com ações.

Fases de Fazer Frases (III)

Tudo tem o seu preço, mesmo não estando à venda.

Fases de Fazer Frases (IV)

Não existe mero esmero.

Olhos, Vistos do Cotidiano 

Dois advogados foram premiados, queridos amigos e leitores desta Coluna. Dirceu Jacob é o 3º colocado no Festival Literário do Paraná – OAB, com a poesia Do Tinteiro a Inteligência.

E o Gilmar Cardoso, colunista do Jornal Diário de Foz, foi classificado em concurso nacional de poesias, que integrará uma publicação coletânea. Merecem registros e cumprimentos.

Farpas e Ferpas (I)

Uma pessoa educada pode parecer sem educação, por não gastá-la a toa.

Farpas e Farpas (II)

Colocar medo em outro é fácil. Difícil é se desfazer do próprio medo.

Sinal Amarelo (I)

Se carecer pensar e tiver tempo, pense o tempo todo.

Sinal Amarelo (II)

Para cair não precisa aprender, levantar, sim.

Trecho e Trecho

“Um chefe é um homem que precisa dos outros”. [Paul Valéry].

“A vida dá lições que só se dão uma vez”. [Winston Churchil].

Reminiscências em Preto e Branco (I) – Oscar, mais do que o mão santa.

A repercussão e homenagens ao ídolo do esporte brasileiro Oscar Schmidt, foram autênticas, espontânea e a altura dele. Exemplo de amor e brasilidade, de caráter e amor pela vida.

Reminiscências em Preto e Branco (II) 

“No apagar das luzes”, expressão muito conhecida brasileira, poderá bem se encaixar em referência a governos e seus ocupantes, no findar dos mandatos.

Não se trata, no presente instante, de alguma referência específica, só abrangente.

Quando as luzes já não mais existirem é que bombas-relógios serão postas.

José Eugênio Maciel | [email protected]

* As opiniões contidas nesta coluna não refletem necessariamente a opinião do jornal