Novas regras endurecem o combate ao greening no Paraná
O combate ao greening no Paraná ganhou um novo capítulo. A Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) publicou, em março, portaria que orienta sobre as medidas obrigatórias de prevenção, controle e contenção da doença, considerada a principal ameaça à citricultura estadual.
A elaboração das regras, que reforçam as ações no campo, contou com a participação do Sistema FAEP. A portaria atende a exigência do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), que determinou aos governos estaduais a elaboração de um plano de contingência.
Causada pela bactéria Candidatus Liberibacter spp. e transmitida pelo psilídeo-dos-citros (Diaphorina citri), a doença não tem cura e pode levar à morte das plantas. Por isso, o monitoramento frequente e a eliminação de exemplares com sintomas seguem como as principais estratégias de contenção.
“Precisamos juntar forças para orientar o nosso produtor sobre como monitorar e eliminar as plantas que apresentam sintomas e proteger áreas saudáveis. Essas ações são decisivas para frear o avanço do greening, que já preocupa produtores em diferentes regiões do Estado e do Brasil”, afirma o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette. “O enfrentamento da doença passa, necessariamente, pelo esforço coletivo”, complementa.
De acordo com o chefe de divisão de Sanidade da Citricultura da Adapar, Diego Juliani de Campos, a nova portaria funciona também como um alerta. “Com rápida disseminação e alto potencial de destruição, o greening exige vigilância constante, já que uma propriedade sem sintoma pode ser contaminada em pouco tempo por áreas vizinhas infectadas. O controle da doença depende diretamente da atuação dos produtores”, afirma.
A nova regulamentação estabelece uma série de obrigações, como cadastro de propriedades, inspeções periódicas, controle do inseto vetor e envio de relatórios. As medidas buscam evitar o aumento dos focos no Estado. Isso porque, segundo a Adapar, há sinais de avanço do greening em áreas monitoradas.
A importância desse cuidado se dá pelo peso da citricultura para a economia do Paraná. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2024, o Estado é o terceiro maior produtor de laranja do país, quarto na produção de tangerina e sexto de limão. O citrus representa, segundo o Deral, 62,3% da produção da fruticultura estadual.

Controle coletivo
No campo, a nova portaria é vista como um passo importante no enfrentamento ao greening. Para o produtor de laranja de Paranavaí, Alexandre Vagetti, que atua na citricultura há cinco anos, o sucesso no controle da doença passa pela soma de forças entre o governo e o setor produtivo.
“Assim que identifiquei, eliminei imediatamente as plantas com sintomas e plantei novas e saudáveis para substituir. A preocupação sempre existe, porque a doença pode causar a inviabilidade do pomar. Precisamos estar sempre atentos e bem orientados sobre como proceder”, afirma. “É uma responsabilidade de todos. Quando um não faz a sua parte, acaba prejudicando quem está ao redor”, conclui.
A realidade se repete em outras localidades do Estado. A produtora Ana Maria Gorzoni Tomaz, que cultiva citrus nas regiões Noroeste e Norte, já teve perdas significativas provocadas pela doença.
“Em Guaraci, como as plantas estavam com mais de 20 anos, adotamos o projeto de erradicação para replantio. A mesma situação aconteceu no pomar de Cruzeiro do Sul, onde todas as plantas precisaram ser substituídas. Já nas áreas mais novas, o trabalho é de monitoramento constante, com eliminação pontual das plantas que apresentam sintomas”, relata.

Portaria exige checklist
A portaria da Adapar detalha como deve ser feita a eliminação das plantas com sintomas, de acordo com a idade dos pomares. Plantas com até oito anos ou acima de 15 anos devem ser eliminadas imediatamente. Já aquelas entre nove e 12 anos podem ser retiradas em até quatro anos, enquanto plantas entre 13 e 15 anos têm prazo de até três anos.
A contagem começa a partir da publicação da portaria, em 12 de março. Ao final desse período, todas as plantas com sintomas devem estar eliminadas.
Além disso, o produtor deve intensificar o controle do inseto vetor e enviar relatórios semestrais à Adapar, com dados sobre plantas identificadas e eliminadas.
As ações estão alinhadas ao Programa Nacional de Prevenção e Controle do HLB, instituído pela Portaria 1.326/2025 do Mapa.
Histórico
A luta contra o greening não é recente. Desde os primeiros casos no Paraná, instituições públicas e privadas atuam de forma conjunta. Um dos marcos foi a criação da Câmara Setorial da Citricultura, formada por entidades como Adapar, IDR-Paraná e Sistema FAEP.

